Não posso jurar que foi ele o inventor de tão irritante mania, mas estou certo de que foi da sua boca que ouvi vezes sem conta aquele enfatizado vício de linguagem que agora passou a encher as bocas de comentadores, políticos e professores a um ponto estranhamente incomodativo e largamente incomodativo. O “ele” é o Sérgio Conceição que treinava o FC Porto e então repetia em loop as referências “àquilo que é a minha equipa”, “àquilo que é a arbitragem nacional" e “àquilo que é a minha própria pessoa”. A generalização atingiu dimensões insuportáveis e já não sei se é defeito da minha especial sensibilidade ou se se trata de uma mania coletiva que arrisca transformar-se em “português de segunda”.
Abro ao acaso o “Google” e busco “referendo sobre a regionalização em Portugal”. O primeiro parágrafo da “Wikipédia” reza assim: “O referendo sobre a regionalização em Portugal realizou-se em 8 de novembro de 1998. Duas propostas foram apresentadas aos eleitores portugueses: a primeira sobre se se deveria implementar a regionalização em Portugal; a segunda, sobre se caso fosse aprovada a regionalização, se concordavam com a região em que votavam. Ambas as propostas foram rejeitadas por larga margem.” E imagino um analista da modernidade a dizê-lo desta maneira: “O referendo sobre a regionalização em Portugal realizou-se naquilo que foi o dia 8 de novembro de 1998. Duas propostas foram apresentadas àquilo que são os eleitores portugueses: a primeira sobre se se deveria implementar aquilo que é a regionalização naquilo que é Portugal; a segunda, sobre se caso fosse aprovada aquilo que é a regionalização, se concordavam com aquela que era a região em que votavam. Ambas as propostas foram rejeitadas por aquilo que foi uma larga margem.” Gostaram? Por amor de Deus... menos, por favor!

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