Eu reconheço não ser especialmente canónica a apreciação que segue. Mas há situações em que somos compelidos a autorizar que a racionalidade seja vencida pela dimensão das sensações primárias. O caso tem a ver com o pedido de Trump para que a NATO viesse ajudar os EUA na sua luta pela normalização do estreito de Ormuz contra os inibidores bombardeamentos do Irão, recebendo, e bem, de todos os membros daquela organização negativas mais ou menos desculpabilizantes.
E a questão é esta: o regime teocrático iraniano é hediondo e assassino, mas a liderança de Netanyahu também o é e foi Trump quem decidiu, sem consultar ninguém, seguir o israelita na sua “cruzada” contra tudo quanto mexe por perto do seu território; acresce que o que está a ocorrer em Ormuz cria focos de instabilidade e descontrolo que se estão a repercutir seriamente sobre o mundo, em geral, e a economia mundial, em particular, e que correm mesmo o risco de provocar graves efeitos de crise económica internacional, da qual todos sairemos necessariamente afetados.
Neste quadro, porque será então que inconscientemente dou comigo a desejar dificuldades no curto prazo para Trump em favor do Irão? Eis uma dúvida logicamente pertinente para uma vontade que assumo numa lógica mista entre um “o que é demais é moléstia” e um “o que for soará”...





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