Cada vez acho mais pertinente e útil a iniciativa de uma “Última Aula” no contexto da vida académica. Sobretudo quando ela é tributária de alguém com espessura intelectual, investigação comprovada, capacidade de relacionamento e liderança, sentido de serviço público e investimento cívica, o caso manifesto da sessão de ontem na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto com epicentro em Paulo Pinho (PP). Foi bonita a festa, pá, designadamente porque nela vimos claramente expressado o reconhecimento sincero de equipas e alunos (interpretado por Cecília Silva, atual diretora do CITTA que PP lançou), de colegas e dirigentes (interpretado por Manuel Matos Fernandes, Francisco Taveira Pinto e Rui Calçada), de colaboradores e contratantes (interpretado por Rosário Partidário) e, mais obviamente, de amigos e familiares. A aula propriamente dita foi um momento notável, muito sugestivamente denominado “O Porto é uma lição – reflexões críticas para o Planeamento Urbano e Metropolitano” e magnificamente aberto com um vídeo em que PP nos deu a conhecer o belíssimo resultado fotográfico de uma transgressora volta pela Cidade deserta em tempos pandémicos ao som do piano de António Pinho Vargas. No tocante a conteúdo, PP avisou à partida que quase tudo o que iria ali defender correspondia a um remar contra a maré da acomodação a um certo politicamente correto que tende a imperar, tendo depois explorado aprofundadamente, e com a simplicidade que só é permitida aos sábios, os seus tópicos principais de interesse e investigação (Território, Transportes e Ambiente) com o feliz acrescento de um entretanto superveniente em função da conjuntura que atravessamos (a Habitação) – o power-point com que fez acompanhar a sua apresentação é uma peça brilhante e inovadora, a não perder por parte de quem valoriza o conhecimento destas matérias, se interroga sobre os paradoxos com que crescentemente nos defrontamos ou é um cidadão modestamente atento aos problemas e responsável enquanto orientado para a procura e compreensão de soluções. Finalmente, foi também assinalável aquela referência inicial do PP à presença na sala do professor que mais marcas lhe terá deixado e que mais terá influenciado múltiplas das suas opções ao longo da carreira, Luís Valente de Oliveira. Um final de tarde soberbo que PP quis fechar com chave-de-ouro ao afirmar que, de facto, “o Porto é uma lição” para quem estuda mas que, para quem investiga, “o Porto é uma paixão”...

https://territorio.substack.com/p/ultima-aula-professor-paulo-pinho
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