terça-feira, 30 de junho de 2026

A REVOLTA DOS EMERGENTES

 


(Confesso que o Mundial dos irritantes períodos de hidratação começou por me interessar bastante menos do que outras edições no passado. Provavelmente pelo modelo utilizado e porque o senhor Infantino é uma daquelas peças que gostaríamos de ver banidas do futebol, facto agravado com a sua cumplicidade face a Trump. Mas também porque já não há pachorra para aguentar as trapaças comunicacionais de Roberto Martinez e sobretudo a sua bajulação doentia de Ronaldo, que estimo deva ter um valor económico apreciável, que aproveite, pois futebol também é negócio e chorudo. Mas, à medida que a prova foi evoluindo, a minha costela emotiva-intelectualizada com que gosto de ver e sofrer o futebol foi encontrando muita matéria de reflexão na sucessão de resultados. E é disso que venho dar conta provavelmente num dos raros escritos que o Mundial me vai suscitar. A revolta dos emergentes é talvez um título demasiado ousado para a fase da prova em que nos encontramos, mas a força, dinâmica e resultados com que os países da África e da América Latina se têm apresentado vêm ao encontro da metáfora dos emergentes, que é relevante para as minhas reflexões em torno do desenvolvimento. É verdade que tivemos a eliminação precoce do Uruguai, mas isso deveu-se em meu entender ao fenómeno Bielsa que já não é fenómeno nenhum e cuja inventiva futebolística já nem fogacho é e aos azares de um destemperado Muslera, guardião seguro de outros tempos, mas que, ao que parece, os ares da Turquia fizeram bastante mal.)

O futebol de Marrocos já nos tinha deliciado em provas anteriores e Portugal provou desse veneno. Com um novo selecionador, não tão arrojado como o anterior, Marrocos apresentou-se de novo em grande nível neste Mundial e depois da vitória sobre os Países Baixos de Koeman, que é hoje mais uma tangerina do que uma laranja mecânica, a interrogação está sem saber até onde pode este emergente chegar. Estimo que bastante longe.

Mas a eliminação que melhor se ajusta à minha metáfora dos emergentes é a desconcertante vitória nas grandes penalidades do Paraguai sobre a Alemanha, seleção que evidenciou no jogo de ontem uma baixa inteligência de jogo ao insistir naquela catadupa de cruzamentos dirigidos a uma defesa coriácea, onde Gustavo Goméz e Canale representam aquele tipo de defesas relativamente aos quais a segurança de Lenglet, recentemente contratado pelo SLB, constituirá sempre uma réplica imperfeita. As palavras do selecionador do Paraguai, o argentino Gustavo Alfaro, ajustam-se como uma luva ao que eu pretendo transmitir com a ideia da revolta dos emergentes: ““Eles formam-se em academias de primeiro nível na Europa. Nós viemos da terra colorada, jogando descalço nessa terra, com o sacrifício dos pais para levar a criança ao treino.”

O prodígio de superação que a equipa do Paraguai deu prova só é compreensível nesse contexto de emergência difícil. A equipa está praticamente limitada a uma defesa de grande consistência e a dois artistas que carregam a equipa às costas, Enciso e Almirón, vendo-se o selecionador obrigado a jogar com um avançado centro tipo torre, já com 35 anos, para substituir os espaços deixados por lendas como Roque de Santa Cruz e Óscar Cardoso. Mesmo depois de Enciso se ter lesionado, a equipa não quebrou e foi suficiente para superar a falta de inteligência alemã, sendo visível que o emproado Nagelmann, selecionador alemão, nunca entendeu a substância do futebol que tinha pela frente.

Estou ciente que os exemplos de Marrocos e do Paraguai são ainda insuficientes para dar consistência à minha metáfora. Fico assim na expectativa de que a República Democrática do Congo, a Costa do Marfim, o Gana de Carlos Queirós e Cabo Verde possam ainda dar um ar da sua graça para dar corpo e consistência à força dos emergentes. Estou convicto de que se o Irão não tivesse sido tão mal-tratado desportiva e socialmente neste Mundial, a equipa de Taremi poderia ter acrescentado força à minha metáfora.

Com a força dos emergentes já evidenciada e com a evolução significativa que se observa noutros mundos que não a Europa (a qualidade dos EUA, a impetuosidade da Austrália e a garra do Japão que poderia ter perfeitamente estragado a vida ao Brasil de Ancelotti), percebe-se que a sustentação do futebol europeu neste Mundial está agora limitada à França, a minha favorita, à Espanha e à Inglaterra. Não quero ser velho do Restelo, mas só um milagre de Fátima ou alguma onda sobrenatural poderá erguer a equipa das quinas a esse estatuto de salvaguarda dos incumbentes europeus.

O fenómeno dos emergentes prolonga a metáfora cada vez mais próxima da essência dos processos de desenvolvimento. Potencial de talento enorme combinado com processos eficazes de transferência de conhecimento (a experiência dos que jogam em ligas mais evoluídas e a influência de treinadores estrangeiros que trouxeram conhecimento prático e organizativo) explicam a revolução operada. O que contrasta com o nosso caso. Talento não escasseia, temos formação do melhor que há por esse mundo, mas uma incapacidade organizativo e de liderança impede que o talento individual se transforme em força coletiva.

Metáfora ousada e que corre o risco dos resultados sequenciais do Mundial atraiçoarem toda a sua consistência.

Mas quem não arrisca …

 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

BALANÇO, ATÉ VER...

(Agustin Sciammarella, http://elpais.com) 

A fase de grupos do Mundial de Futebol terminou sem grandes surpresas que não a de monta associada a Cabo Verde ter seguido em frente a expensas do Uruguai. Não sei se decorre de impressão minha ou se tal foi mesmo assim, mas a verdade é que os jogos me pareceram genericamente mais bem disputados do que o costume, nenhuma equipa fez figura de bombo da festa (nem mesmo Curaçau perante a goleada sofrida com a Alemanha) e a maioria destas apresentaram-se em condições físicas bastante razoáveis para o momento da época. Das 32 seleções que passaram à fase do “mata-mata”, 15 delas não perderam (além do Irão, muito mal tratado pelas autoridades americanas e desprotegido pelos responsáveis da FIFA – Infantino não disfarçou nunca o seu apego a Trump! –, que ficou de fora sem perder, i.e., obtendo três empates face à Bélgica, ao Egito e à Nova Zelândia) mas apenas 3 só ganharam (Argentina, França e México); ao invés, foram 6 as que não alcançaram qualquer ponto (Haiti, Iraque, Jordânia, Panamá – a única das 48 presentes que não fez qualquer golo –, Tunísia e Uzbequistão) e outras 6 as também afastadas com clareza (Catar, Chéquia, Curaçau e Nova Zelândia, todas com um empate, e Arábia Saudita e Uruguai, com dois empates), tendo 4 sido eliminadas na definição das piores terceiras (Coreia do Sul, Escócia, Irão e Turquia) e 8 sido repescadas como melhores terceiras (Congo, Suécia, Gana, Equador, Bósnia-Herzegovina, Argélia, Paraguai e Senegal, esta última com 3 pontos e as restantes com 4).
 
O melhor marcador desta primeira fase foi o argentino Lionel Messi com 6 golos (um veterano que tem vindo a ganhar prestígio adicional com a sua postura de participante autêntico de um coletivo), seguido com 4 pelos franceses Mbappé e Dembelé, pelo brasileiro Vinicius Junior e pelo norueguês Haaland. Em termos de assistências, destaque para as 3 do brasileiro Bruno Guimarães, do Francês Michael Olise e do sueco Alexander Isak; quanto a distribuição de jogo (medida em número de passes e precisão dos mesmos, respetivamente), saliência para os espanhóis Rodri e Pau Cubarsi; no tocante a pressões defensivas exercidas, a vantagem vai para o mexicano Quiñones, e nos guarda-redes (limitando o registo às equipas apuradas), o paraguaio Orlando Gill dominou em número de defesas, o cabo-verdiano Vozinha em número de ações dentro da área e o sul-africano Alowais em número de ações fora da área, mas seja-me permitido considerar a exibição de Diogo Costa contra a Colômbia como a mais extraordinária de todas quantas pude observar.
 
Por fim, e antes de fechar, uma palavra para a dupla-maravilha deste torneio: CR7 como o jogador mais capaz de condicionar todo o desempenho de um “onze” (a sua provecta idade já desaconselharia a sua inclusão em todos os jogos e todos os minutos da equipa de Portugal, mas a sua “idade atencional”, medida pelo cronista do “Público” em 130 anos, agrava ainda o grau de incompreensão da situação) e Roberto Martinez como o selecionador mais covarde e “vendedor de banha da cobra” de todos aqueles quase 50 que por lá anda(ra)m. Veremos como vai ser em Toronto contra os “idosos” da Croácia, quem sabe se às tantas o homem até engata e obriga Livakovic a ir até ao fundo das redes.

A VULNERABILIDADE URBANA FACE ÀS ONDAS DE CALOR

(Escrevo pela manhã, fresca e amena cá pelas bandas de Vila Nova de Gaia, e pode parecer um paradoxo escolher este tema para regressar ao contacto com os nossos leitores. Face a tantas insuficiências que continuam a caracterizar a organização da nossa vida coletiva, tendemos a não avaliar bem a benesse que representa poder dispor de uma proximidade marítima para nos garantir temperaturas mais amenas. Sem ignorar as implicações que a severidade climática está a produzir em territórios de forte ruralidade e baixas densidades demográficas, acentuando claramente as condições de pobreza que atingem esses países e territórios, a tendência quase inexorável para que as populações se concentrem em áreas urbanas transforma as Cidades, qualquer que seja a sua dimensão, em áreas fortemente vulneráveis à intensificação das canículas. Na nossa indiferença cada vez mais instalada relativamente à mortalidade gerada por eventos extremos, tais como guerras, terramotos, incêndios e perturbações atmosféricas de toda a natureza, passam despercebidas as mortes anómalas causadas pelas ondas de calor e que os registos estatísticos das condições de morbilidade começam a registar. A impreparação da organização das Cidades para responder com inteligência (natural) a este problema severo alimenta-se das febres imobiliária e turística e, embora o tratamento do espaço público ocupe hoje um lugar mais notório, a realidade é que as Cidades e as suas unidades de planeamento são desenhadas de modo a defender as condições de vida dos seus residentes desta nova ameaça.)

A revista Le Nouvel Observateur dedica ao tema uma capa e um título bem duro – “Canícula uma catástrofe muito política”, na sequência da onda de calor que varreu a França, com a bela Paris no centro das atenções e a proporcionar pela sua grandeza e notoriedade a relevância ao tema que cidades mais desconhecidas não conseguem aportar. Como a revista bem o assinala, sucessivos recordes de temperaturas máximas, maio e junho, estão a ser ultrapassadas, desafiando os mais incrédulos, que continuam a desdenhar da atenção que outros concedem à ideia de mudança climática. E no meio de tanta patranha de falso combate que anda por aí, a revista cita ainda a trapaça que foi anunciada de que o Campeonato Mundial de Futebol organizada pelo México, Canadá e Estados Unidos da América seria o campeonato mais verde e com menos emissões de todos os tempos. A realidade é que o evento irá gerar mais de 9 milhões de toneladas de emissões de CO2, não sendo difícil de imaginar que a pulverização do evento por 23 estádios constituirá o principal elemento gerador dessas emissões.

Trata-se de facto de uma catástrofe com dimensão muito política e isso compreende-se já que a impreparação coletiva para pelo menos mitigar esta ameaça climática resulta de adiamentos sucessivos em matéria de políticas públicas, seja de modelo económico e energético, seja de engenharia de construção e habitação, seja ainda de organização do espaço público, não impondo travões ao avanço do betão. A onda de calor que atingiu a França e que parece agora deslocar-se para leste veio tornar mais evidentes insuficiências que se conheciam e que foram sendo sucessivamente diferidas no tempo em termos de abordagem mais ambientalmente sustentável. Lentamente, tal como a revista o documenta, as cidades, Paris incluída, vão alargando as autorizações de zonas de banho natural de maneira a fazer do mergulho urbano uma via minimizadora do calor insuportável que por estes dias atingiu as grandes concentrações urbanas.

No seio desta longa controvérsia, os tecno-otimistas quanto às maravilhas do ar condicionado esfregam as mãos pela oportunidade de negócio, embora nos países mais abundantemente dotados de aparelhos de climatização, Japão e EUA, as reduções de mortalidade anómala em ondas de calor tenham descido apenas de 15 a 20%, o que nos deveria fazer pensar se a recuperação de formas mais passivas de combate à canícula não deveria suscitar mais atenção. A luta entre o avanço do betão e a resistência verde tem de fazer parte da equação, com a eficiência energética dos edifícios a assumir novos cambiantes de importância.

Nesta amanhã amena que se pressente a partir da varanda do meu escritório, que se perfila diante de dois pujantes liquidâmbares que não param de crescer, a amenidade da proximidade face ao mar é cada vez mais uma preciosidade.

O corpo que o diga.

 

sexta-feira, 26 de junho de 2026

O PATRIMÓNIO DO DOURO VINHATEIRO

 

(Ontem, 25 de junho, cumpriam-se 25 anos em que o Douro Vinhateiro decidira criar uma equipa liderada pelo Professor Bianchi de Aguiar da UTAD para elaborar a candidatura do Douro a património cultural mundial UNESCO baseada na singularidade da sua paisagem cultural, em cerimónia realizada no Palácio de Mateus em Vila Real. O Professor e Amigo Fontainhas Fernandes com o seu entusiasmo peculiar pelas coisas do Douro e de Trás-os-Montes em geral organizou ontem no mesmo cenário do Palácio de Mateus uma sessão de comemoração dessa data. No e-mail que definia o convite para a participação nessa reunião, dizia essencialmente o seguinte: “À medida que se aproxima o dia 14 de dezembro, data em que se assinalam 25 anos da inscrição do ADV na Lista do Património Mundial da UNESCO, importa recordar o significado desta distinção para a região e para o país.  Neste contexto comemorativo, a Liga iniciou um conjunto de iniciativas destinadas a homenagear personalidades e instituições que tiveram um papel determinante na preparação e concretização da candidatura à UNESCO. Recordar este percurso significa reconhecer a capacidade de mobilização coletiva que tornou possível alcançar um objetivo de enorme relevância para o Douro e para Portugal. No próximo dia 25 de junho, no Palácio de Mateus, serão lembradas figuras que tiveram um papel relevante na transformação do Douro, na elaboração do dossiê de candidatura e do estudo prévio que confirmou a viabilidade da inscrição do ADV na Lista do Património Mundial da UNESCO”.

Não tendo participado nessa candidatura coordenada pelo Professor Bianchi de Aguiar e com a minha ligação ao Douro essencialmente e apenas determinada pelo meu apreço e devoção pelos néctares que por lá se vão produzindo, vinhos do Douro ou Vinho do Porto, não seria seguramente por alguns estudos que coordenei para o IVDP sobre os vinhos da região demarcada que a amabilidade do Professor Fontainhas Fernandes poderia justificar-se. Imagino, assim, que o leitor mais assíduo deste blogue estará a questionar-se porque carga de razões terá sido este vosso Amigo convidado para essa sessão comemorativa?

A razão é simples. Nas minhas atividades de andarilho do planeamento, tive o privilégio e a experiência única de participar no estudo de viabilidade da candidatura atrás referida, num trabalho que envolveu a participação da Quaternaire Portugal por mim e pela Amiga Elisa Babo, dos meus amigos da Oficina de Planeamiento da Corunha e a Spidouro, com o dinamismo do Engenheiro Sarmento Beires e do Engenheiro Jorge Dias, alguém que mais tarde iria assumir importantes funções no IVDP e depois como gestor de uma companhia importante do Douro. Esse trabalho precedeu na prática a aceleração da candidatura que a equipa de Bianchi de Aguiar iria protagonizar e teve a particularidade de partir do vale do Douro na designação feliz do Douro-Duero para integrar o Douro espanhol até Soria, para ir definindo de forma gradual mas sustentada como o Douro Vinhateiro da região demarcada preenchia todos os requisitos que as exigências do conceito de paisagem cultural da UNESCO exigiam.

Tal como tive oportunidade de afirmar na intervenção que preparei para a sessão de ontem, no primeiro painel que Fontainha Fernandes preparou para a moderação de Luís Figueiredo, o referido estudo de viabilidade permitiu reafirmar com distinção o meu conceito lúdico do trabalho. Aprecio muito mais o durante destes trabalhos do que o após dos mesmos, mesmo quando têm algum impacto e recebem reconhecimento e notoriedade.

As duas ou três imersões no território do Douro-Duero e depois no Douro Vinhateiro português em particular representaram das experiências mais estimulantes de usufruição para estudo de um dado território, não só pela qualidade e proficiência profissional e científica da equipa que traçou a viabilidade da elaboração com êxito da candidatura, mas pela excelência estimulante de alguns temas que foram por nós trabalhados e objeto de debate acesso entre a equipa. Questões como a sustentabilidade global de uma paisagem cultural como a do Douro Vinhateiro, a relevância prospetiva da então incipiente concertação intermunicipal, que considerávamos essencial para a gestão futura da classificação de património mundial UNESCO, a emergência da excelência turística no Douro, também incipiente na altura, traduzida no quase nulo envolvimento turístico das grandes companhias do Douro, que algumas recebiam em helicópteros jornalistas influentes para glorificar tão só a qualidade do terroir ou a discussão do quadro regulamentar deveria ser criado numa região já abundantemente regulada pelas questões do vinho tornaram o trabalho numa experiência lúdica inesquecível.

A sessão em que participei homenageou personalidades que viabilizaram ou protagonizaram a preparação da candidatura e o sucesso da classificação UNESCO. O ainda em forma Luís Valente de Oliveira recordou a experiência vital do Plano de Desenvolvimento Rural Integrado de Trás-os-Montes (PDRITM) que coordenou a pedido do falecido Francisco Pinto Balsemão e insistiu na sua mensagem mais recente da relevância do conhecimento em todos os processos de desenvolvimento, que o PDRITM configurou. O Engenheiro Virgílio Folhadela, então Presidente da Associação Comercial do Porto, trouxe aos presentes a sua experiência de participação no processo enquanto instituição de promoção e suporte da candidatura. O Dr. Miguel Cadilhe, então Presidente da Fundação Rei Afonso Henriques (FRAH), com sede em Zamora, que encomendou o estudo de viabilidade em que participei e promoveu depois a elaboração da candidatura com financiamento exclusivamente português, trouxe um testemunho interessante sobre o contexto institucional de uma Fundação Luso-Espanhola apoiar uma candidatura que se focou num território singular português. Nesta intervenção, falou-se de alguma “hostilidade” por parte do patronato espanhol da Fundação, que terá suscitado dificuldades ao exercício de Miguel Cadilhe, que depois acabou por desvalorizar esses sinais de hostilidade.

O Professor Bianchi de Aguiar focou-se na odisseia do trabalho da sua equipa que haveria de conduzir a uma candidatura bem-sucedida. O Engenheiro Luís Braga da Cruz focou-se no seu curto período de passagem pela FRAH e na sua perspetiva a partir da CCDR Norte de como a candidatura e o seu êxito foram acarinhadas. O Engenheiro Sarmento Beires focou-se na experiência da Spidouro, mas também no modo como no interior da nossa equipa nos ajudou a palmilhar o terreno do Douro Vinhateiro e a compreender a sua singularidade. E, finalmente, José Luís Prado, o primeiro presidente espanhol da FRAH, falou sobretudo do trabalho atualmente desenvolvido pela Fundação, reafirmando a já referida lógica do Douro-Duero.

Uma tarde bem passada, talvez para meu gosto excessivamente voltada para o passado e menos para o futuro, ainda que compreensível pelo objeto da convocatória. Mas alguns temas que tanto apaixonaram a nossa equipa são ainda atuais, sobretudo a questão da sustentabilidade global do Douro, que talvez merecesse e justificasse uma reflexão daquelas experiências tão ricas, protagonizadas pelos participantes no painel.

Nota complementar (27.06.2026 - 18.45):

Os dois restantes painéis da sessão aos quais por razões profissionais não pude assistir trataram das questões do Douro atual e pensaram o futuro da região. Esta nota permite concluir que o meu ligeiro ceticismo quando ao excesso de passado na reflexão foi largamente superado no conjunto das reflexões que os três painéis viabilizaram. Fica a correção.