segunda-feira, 6 de abril de 2026

A INTELIGENTE SERENIDADE DE XI

Mais uma capa da “The Economist” que diz o essencial sem de mais necessitar. Aquele título – “Nunca interrompas o teu inimigo quando ele está a cometer um erro” –, acompanhado pela imagem passiva e algo trocista do presidente chinês e pela imagem de um Trump desfocado e tonitruante, é matéria do foro da perfeição comunicacional! Assim responde a prestigiada revista britânica a uma das grandes questões do momento internacional (quem sairá como principal vencedor da guerra em que os americanos se envolveram à boleia do poderoso lóbi judeu e do seu representante Netanyahu): a impávida e calculista China joga com o tempo a seu favor, assistindo à debilitação do seu adversário global, aproveitando as vantagens económicas e políticas da conjuntura, consolidando a sua estratégia de afirmação e preparando a sua própria cartada militar. Elementar, meus caros!

TACOS À MODA DE TRUMP

 

(Os mais sérios e pessimistas analistas americanos, e não só americanos, reafirmaram nas últimas horas o risco de confirmação das ameaças de Trump de um ataque em larga escala sobre o Irão, na sequência do ultimato para a reabertura do estreito de Ormuz, rejeitado pelo regime iraniano. O delírio bélico do presidente americano e dos seus colaboradores mais próximos coloca como real a possibilidade de serem cometidos crimes de guerra em larga escala, abandonando a narrativa de uma ajuda à rebelião popular no Irão substituindo-a pela completa identificação do regime teocrático com a sua população e submetendo esta a uma violência inaudita. Mas é difícil escrever sobre algo da qual nos escapa a informação, sendo à hora a que escrevo impossível perceber se iremos ter mais um adiamento do ultimato, se a confirmação do terror generalizado. Por isso, será mais sensato aguardar pelos desenvolvimentos do dia de hoje e procurar, entretanto, por outros elementos de evidência para tentar compreender o delírio trumpiano. Mais valeria seguramente Trump ter ficado pelo seu delírio tarifário do que estarmos hoje a lamentar o seu delírio bélico, fascinado pela potência da máquina de guerra americana, que transforma o mundo em algo de terrível pela banalização dos crimes de guerra cometidos, primeiro de Putin na Ucránia, depois de Israel em Gaza e na Cijordânia e agora dos EUA e de Isreal no Irão e no Líbano. A referência ao delírio aduaneiro de Trump justifica-se porque, finalmente, temos uma análise disponível de alguém que conhece melhor do que ninguém a estrutura atual do comércio mundial e que nos pode fornecer uma explicação sólida do comportamento errático de Trump nessa matéria, bem menos gravosa do que a do seu mais recente delírio bélico.)

 

Richard Baldwin (professor no IED em Lausanne) é o economista a que me refiro, aliás repetidas vezes invocado neste blogue (por exemplo, aqui, aqui e também aqui) para nos ajudar a compreender as disrupções da economia mundial. Baldwin é a VOZ nesta matéria, dispensando-nos, por isso, do ruído imenso em que sempre mergulhamos quando não nos munimos das pessoas e da investigação mais autorizadas para compreender os temas que procuramos entender.

Por outro lado, a expressão TACO’s (Trump Allways Chickens Out) (Trum recua sempre) à moda de Trump foi a expressão cunhada na imprensa internacional para descrever o comportamento errático que o presidente americano veio trazer à política comercial externa americana. O que podemos concluir é que o comportamento aduaneiro errático de Trump revelou-se incomparavelmente menos perturbador da economia mundial do que o seu delírio bélico.

Baldwin fornece-nos uma explicação muito convincente das razões que explicam que as perturbações da ordem aduaneira impostas por Trump não tenham provocado a desordem esperada.

A ideia central é a que anda à volta do racional para o bullying aduaneiro imposto por Trump. Baldwin mostra-nos que o que comanda a discricionariedade de Trump é o seu desejo de tentar responder ao ressentimento da classe média e operária americana na sequência das disrupções da economia mundial. É essa a razão que explica que os sucessivos recuos TACO do presidente americano não resultem de retaliações internacionais de vulto (a exceção é a da China que tinha força para tal), mas antes de exigências vindas do lado interno, devidas precisamente ao facto dos efeitos perversos provocados pelos direitos aduaneiros sobre o consumo e emprego de tais grupos sociais. O caso mais evidente é o recuo relativamente às importações do Canadá e do México (só o primeiro retaliou) que afetaram inapelavelmente a produção automóvel americana devido ao encarecimento de produtos intermédios (componentes por exemplo), colocando em perigo o emprego dos que Trump pretendia apoiar. O outro exemplo foi dado pelo esgotamento de stocks observado nas grandes cadeias de retalho americanas quando o transporte marítimo de mercadorias começou a ser finalmente impactado pelos direitos aduaneiros mais altos sobre as exportações chinesas para os EUA. Se juntarmos a estes dois exemplos, as inúmeras isenções feitas ao telefone pelo presidente americano, percebe-se como, mesmo antes de terem lugar as condenações judiciais em tribunal da política aduaneira de Trump, os direitos aduaneiros médios terem começado a baixar. Por outras palavras, por desconhecimento evidente da estrutura da economia mundial, o objetivo de beneficiar os grupos sociais do ressentimento que lhe deram a vitória eleitoral foi totalmente pervertido e obrigou o presidente americano a recuar no seu delírio aduaneiro.

Segundo Baldwin, os TACO à moda de Trump tiveram assim quatro origens: i) primeiro, a reação dos grupos do ressentimento bem explicada no caso do recuo perante o Canadá e o México; ii) segundo, a reação de mercado gerada pela perturbação do sistema financeiro; iii) o recuo imposto pela reação da China, com a perceção de que a China está melhor preparada para aguentar mais tempo uma guerra comercial do que os EUA, designadamente através de uma mais ágil diversificação das suas exportações; e iv) um problema de affordability, ou seja de condições de mais difícil acesso ao consumo.

Ou seja, em nenhuma destas situações, com a exceção da China, existe uma causa associada a retaliações internacionais. Foram essencialmente efeitos perversos internos, impostos pela estrutura do comércio internacional, que explicaram o comportamento errático de avanços e recuos. Deixou de ouvir falar-se em guerra aduaneira e, para mal da economia mundial, o delírio bélico substituiu o delírio aduaneiro. O que não é a mesma coisa, até porque provavelmente os efeitos perversos internos da guerra na sociedade americana terão um tempo mais longo de maturação.

 

domingo, 5 de abril de 2026

MODORRA TEMÁTICA

 

(O comportamento da barra azul escuro mostra que os rendimentos médios dos 27 estão mais próximos entre si e o da barra laranja mostra que a desigualdade no interior de cada paíes aumentou)

(É domingo de Páscoa e o compasso, velha tradição que se vai transformando em função do empenho e resistência de alguns leigos, hoje um conjunto de raparigas de sorriso aberto, já por cá passou na casa de Gaia, com o número de habitações de portão fechado cada vez mais elevado. Está um dia esplendoroso, de temperatura amena. Ontem, o jardim de Soares dos Reis estava com uma animação fora do comum, refletindo já claramente a interculturalidade de uma sociedade com mais imigração, mostrando que as palavras escritas por Pedro Góis, hoje no Público, estão certas. Sem a imigração as nossas sociedades seriam um corpo morto, sem vida e animação. Mas esta modorra climática coloca-me as pilhas em baixo, projeta-me num “far niente” do qual tenho dificuldade em sair e, neste caso, é o blogue que paga. Além disso, não é só a modorra climática que se instala, existe também uma modorra temática, tão desinteressante é a política interna e tão provocadora de azedume e impotência é a política internacional. Já há demasiados dias afastado do blogue, fui salvo nesta manhã de Páscoa pelo gongue de um artigo de Branko Milanovic, o senhor Desigualdade na economia aplicada, que me fez despertar desta letargia e colocar-me empenhado diante do ecrã vazio do portátil. O tema é a convergência de rendimentos na União Europeia a 27, tratando estes países entre 1993 e 2023 como se eles tivessem sempre feito parte da União, o que sabemos não é verdade, mas que não perturba as conclusões a que podemos chegar.)

Milanovic utiliza a excelente base de dados cuja fonte é dada pelos representativos inquéritos às famílias, devidamente harmonizados pelo Luxemburg Income Study no qual o autor sérvio trabalha. Para alguns países com insuficiência desse tipo de inquéritos, MIlanocic recorre à Poverty and Income Platform do banco Mundial. Os dados integram sempre o rendimento disponível depois de impostos e o rendimento per capita médio é obtido através da divisão do rendimento da família dividido pelo número de membros, sendo depois ajustado pelas diferenças pelas diferenças de níveis de preços, ou seja, à paridade de poder de compra, os chamados dólares internacionais à PPC.

Considerando o conjunto dos 27 países como um só (a União Europeia) é possível concluir que o coeficiente global de GINI para o conjunto da União desceu de 0,415 para 0,35 entre 1993 e 2023. Por outras palavras, a desigualdade inter-países na União diminuiu e eis aqui uma palavra de esperança para a política de coesão apresentar alguma coisa em seu favor, tão pressionada ela está como sabemos e que nos faz antever grandes dificuldades para a sua afirmação no próximo período de programação. As garras dos seus adversários estão afiadas e prontas para atacar, como sabemos.

O que tem acontecido, e Milanovic designa-o pelo conceito 2 de desigualdade, é que os rendimentos médios de cada um dos países tem vindo a aproximar-se. Ou, nas palavras do próprio Milanovic, o rendimento médio nos pa+ises mais pobres como a Roménia ou a Bulgária estão agora mais próximos do rendimento médio dos paíeses mais ricos como a Suécia ou os Países Baixos.

Mas o curioso é que se estivermos atentos à evolução da desigualdade no interior de cada um dos 27 é possível concluir que ela aumentou. Assim, se é verdade que a desigualdade entre a União Europeia e os EUA está a regredir, contrariando o discurso basofeiro de Trump e seus apaniguados e acontecendo com melhores condiçºões de vida e de proteção social, o que não despiciendo, isso acontece porque os rendimentos médios dos 27 estão a aproximar-se, embora em cada um dos desses 27 países a desigualdade tem aumentado. A menor desigualdade em realção aos EUA mantém-se, segundo Milanovic, mesmo que ajustando os dados americanos pelas diferenças de desenvolvimento e de preços entre os estados americanos.

Esta evidência pode explicar muita coisa, sobretudo a perceção dos europeus de que, embora mais iguais do ponto de vista do rendimento médio depois de impostos, a desigualdade interna tem aumentado. O contentamento europeu é apagado pelo descontentamento interno.

Quer isto significar que a glorificação das políticas de coesão tem os seus limites a partir destes dados. Se é um facto que a aproximação dos rendimentos médios dos 27 em parte se deve também às políticas de coesão, os números sugerem que as políticas macroeconómicas da União e dos países têm contribuído para agravar a desigualdade interna.

O que me parece um dado de grande relevância política e ao qual a chamada coesão europeia não pode ficar indiferente.

 

 

sábado, 4 de abril de 2026

SE A HISTÓRIA SE REPETISSE E DEUS EXISTISSE...

(Nicolas Vadot, http://www.levif.be) 

Mais de cinquenta anos depois, os americanos decidem voltar à Lua. O que o seu presidente anuncia com uma pompa que lhe não é habitual e para a qual tem escasso jeito. Como quer que seja, o mundo assistiu a quatro astronautas (incluindo uma mulher) sendo lançados no espaço em busca de algo indeterminado aos olhos do cidadão comum, ademais num tempo em que as diabruras terrenas parecem indiciar um desajuste humanitário fundamental. A imagem de Vadot vem, por isso, a talho de foice: em 1972, outro presidente mal-amado, Richard Nixon, defrontava-se com uma guerra indesejável (Vietname), uma marcante impopularidade e um escândalo nunca visto (Watergate), tendo as coisas acabado em desgraça e renúncia (perante o risco certo de impeachment) para o seu lado – e que magnífico seria se as coincidências factuais (Irão, impopularidade e caso Epstein) levassem a que o atual titular fosse de algum modo obrigado a sair de cena para gozo da sua fortuna tão corruptamente multiplicada no seu primeiro ano de mandato, de uns dias terminais com a sua Melania em Mar-a-Lago ou – melhor ainda! – para cumprimento de uma merecida pena ordenada por uma justiça a funcionar num país que fosse capaz de recuperar os checks and balances que ameaçadoramente vão sendo eliminados às mãos da clique inimaginável (vejam-se, reproduzidas do "The Guardian", as caricaturas do secretário da Guerra, Pete Kegseth, e do nacionalismo evangélico a que dá voz) que se apoderou dos destinos dos EUA e da sua tão inesperadamente pouco sólida democracia.


sexta-feira, 3 de abril de 2026

PEDRO2+MANUEL&ANTÓNIO

(excerto de Henrique Monteiro, http://henricartoon.blogs.sapo.pt)


(excerto de Henrique Monteiro, http://henricartoon.blogs.sapo.pt)

A pequenina e politiqueira gestão do País por parte de Montenegro roça o chocante. Não, não falo especialmente da ridícula celebração dos dois anos de governação do espinhense, rodeado por sorridentes figuras que rapidamente foram dadas por falecidas em termos políticos (como Margarida Blasco ou Pedro Reis) e por ex-membros do governo que já asseguraram algum direito de cidadania própria e podiam desempenhar um papel útil em termos de aconselhamento anti ridículo (como Pedro Duarte), falo preferencialmente de um primeiro-ministro tão hábil no verbo e na tática aproximativa ao Chega quanto totalmente tolhido na ação reformista e no medo passista.

Por estes dias, foram muitos os que sobre esta matéria opinaram em termos convergentes. Gente tão diferente como Pedro Norton ou Pedro Adão e Silva ou como Manuel Carvalho ou António Barreto, só para referir as crónicas do “Público”. O primeiro a sublinhar “a derrota das esperanças plausíveis”, o segundo a avisar que “pela boca morre o peixe e Montenegro”, o terceiro a anunciar a chegada da “hora da verdade dois anos depois” e o último a elaborar sobre “a pesada mão invisível”.

Escolho breves excertos marcantes de uns e outros:

  •     Norton:Cavaco não vai mais longe, mas eu posso ir. A cada dia que passa, o centro, único território possível (pelas razões que ficaram expressas) para fazer assentar uma agenda reformista, restaurar o direito à esperança e, consequentemente, fazer a defesa da democracia liberal, torna-se mais exíguo. O insuportável equilibrismo de Luís Montenegro, a sua incapacidade, aparentemente mais ditada por um pavor atávico do regresso de Passos do que por qualquer outra convicção profunda, em lançar pontes ao centro está a acelerar o esgotamento do seu calendário político. Igualmente grave, está a deixar o PS engavetado entre a humilhante vontade de Carneiro em corresponder a um apelo que não chega e os jovens turcos que, à sua esquerda, querem o regresso das radicalizações e dos frentismos. O país político caminha a passos largos para a polarização definitiva. A janela de oportunidade fecha-se. O país adia-se. As esperanças definham. Já faltou mais para ser tarde de mais.”
  •    Adão: “A melhor forma de avaliar um governo é aplicando-lhe os critérios que definiu para si próprio. Luís Montenegro e os que o acompanharam na construção de uma alternativa não foram tímidos nas metas para as contas públicas e a economia, assim como nos objetivos sociais e nas orientações para a governação. Dois anos passados, vale a pena confrontar o que foi dito com o que aconteceu. (...) Durante a campanha eleitoral, o agora primeiro-ministro clarificou a sua posição em relação à direita populista. Ao contrário do seu antecessor no partido, com ele no poder, teríamos um ‘não é não ao Chega’. Entretanto, Ventura tornou-se o parceiro preferencial da governação, precisamente nas áreas mais expostas à agenda populista: da nacionalidade à imigração e agora até ao chão comum constitucional.”
  •     Carvalho: “Já não é precisa uma prova laboratorial para se perceber que, se o primeiro Governo de Luís Montenegro, eleito em Março de 2024, patinou, o que tomou posse em Junho de 2025 está a derrapar. Pode-se acreditar que as razões desse deslize estão nas opções conscientes de Luís Montenegro: na sua deriva ideológica que o aproxima mais da agenda radical da direita do que do centro onde sempre se formularam os grandes compromissos da democracia; ou na sua aposta em matérias que fermentam a polarização em detrimento das reformas possíveis no atual contexto político. A opção por um governo pendular, uma nova "geringonça" dependente de equilíbrios precários com os dois maiores blocos da oposição, funciona como amparo do programa do Chega, não como força motriz para qualquer projeto de futuro. (...) Dois anos depois de Montenegro subir ao poder, está, portanto, na hora de lhe perguntar (e aos muitos ministros moderados do seu Governo) se acredita que esta forma manhosa de iludir a sua letargia com propostas do ideário securitário e excludente da direita radical augura algo de bom para o PSD. E para o país? Passado este tempo, há uma série de evidências incontestáveis de que, assim, não vamos a lado nenhum.”
  •    Barreto: “O Governo do PSD não se decide. Quer sol e chuva. Governar ora com o Chega, ora com o PS, ora com ninguém, à espera de drama que o favoreça. Procura voluptuosamente o ponto de crise, a rotura que lhe permita ser derrubado culpando os outros. Esta não é uma maneira de servir o país.”

E insisto em citar Manuel Carvalho, em dois parágrafos rigorosamente indesmentíveis. Primeiro: “Reformar de mão dada com o Chega é uma missão impossível, porque, como lembrou Cavaco Silva, este é um partido “destituído de credibilidade política”. Manter a estratégia pendular que dá à extrema-direita o poder de intervir na decisão sobre liberdades individuais ou regras de imigração e nacionalidade cria uma identidade tóxica que torna mais difícil atrair o PS para as reformas no trabalho, na administração pública ou na justiça. Com ou sem resposta às cartas de José Luís Carneiro, o Governo afunda-se no buraco que ele próprio está a cavar. Isola-se em má companhia. Não se pode aspirar a ser moderno quando namora com o atavismo.” Segundo: “Até porque o Governo sabe ou devia saber que este caminho torna o país mais tacanho e obediente aos dogmas do conservadorismo radical; não o torna mais moderno e competitivo. Amarra-o ao passado. Entre a reforma do Estado e o controlo social da autodeterminação na identidade de género, há uma hierarquia de prioridades que esconde um programa. O Chega é parceiro amigo da ofensiva contra os “ladrões” da política, ou contra os imigrantes que diz acentuar a criminalidade. Mas nada tem a dizer sobre o licenciamento, a Europa e a defesa, a asfixia burocrática que trava as empresas e a habitação, ou a justiça.”


Vamos ter anos disto: Hugo Soares e pequena política em movimento, Ventura omnipresente e extremismo a crescer consolidadamente, impotência gritante das vozes alternativas. E se o mundo desajudar, como promete, a coisa promete ser feia...


(António Antunes, “Cartoon do António”, https://expresso.pt)