terça-feira, 3 de novembro de 2026

ONDA GIGANTE, ONDA SIMPLES, ALTERNÂNCIA NORMAL OU DESILUSÃO?

 


(Faço minha a cenarização de interrogações que as eleições intercalares americanas de hoje suscitam a Bradford DeLong, em cujo substack podem encontrar um guião precioso para acompanhar a evolução dos resultados. Esta transição de outubro-novembro até ao Natal que se avizinha, culminando nas eleições de 27 de novembro em Espanha, traz-nos um mar de inquietações e dizia o Inimigo Público com graça que o consumo de tranquilizantes iria aumentar desmedidamente por estes dias. O Brasil de Lula aquietou alguns espíritos mais pessimistas e em Espanha as coisas estavam a compor-se quando senão quando o acidente de Urda-Toledo colocou cá fora de novo a infernal sucessão de insultos e manipulações políticas de uma tragédia, que deveria ser compreendida com mais rigor, a bem da segurança que uma rede de alta velocidade tão extensa como a espanhola deveria garantir. As eleições intercalares americanas de hoje elevam o frenesim a uma outra escala, essencialmente por duas razões: primeiro, porque ninguém pode garantir que os resultados tenham uma aceitação democrática, segundo porque todo o mundo, que está cansado do autoritarismo comprador de Trump, olha para estas eleições com preocupação, mas também com esperança. O cenário de interrogações que Bradford DeLong concebeu para acompanhar tão relevante ato eleitoral pareceu-me adequado, para eu próprio construir um posicionamento mental equilibrado quanto aos resultados que as urnas nos poderão trazer. Será que os Democratas vão cavalgar uma onda gigante de entusiasmo? Ou será apenas uma onda que colocará Trump na defensiva e mostrará aos Democratas que muito terão de trabalhar para encontrar um candidato ganhador? Ou teremos apenas uma oscilação democrática normal, do tipo que costuma acontecer nas intercalares, com a imagem do cartão amarelo à administração no poder a dominar as atenções? Ou teremos uma desilusão que aumente o nosso pessimismo e nos revele que não entendemos nada do que a sociedade americana no fundo é, muito para lá das atmosferas do New York Times ou da New Yorker?)

A abertura com que DeLong coloca as alternativas possíveis do que pode estar hoje a acontecer nos EUA é útil para compreendermos que a nossa perceção das atrocidades que a administração Trump e o seu clube mais próximo de seguidores têm praticado é uma visão distante e diferenciada do modo como o eleitorado americano as pressente, designadamente o eleitorado tradicionalmente republicano e o eleitorado volátil que não tem uma marcada filiação partidária. Ou seja, aquilo que aos nossos olhos europeus se apresenta como atentados alarves às regras democráticas e formas extremas de mercantilização da política pode ser visto para muitos americanos como a sublimação do seu ressentimento, do seu descontentamento e sobretudo do seu desprezo pelas elites mais qualificadas, aderindo a forças que em última instância se estão a borrifar para essas situações pessoais.

É verdade que Trump não tem conseguido impor as suas diferentes narrativas de negação a um clima geral em que a “affordability” do americano médio (por mais indefinido que seja hoje este padrão) está fortemente penalizada pela sua aberrante política económica, com destaque para o preço do gasóleo que continua a não refletir o desesperado acordo com Putin. Além disso, a imagem de grandeza que o presidente americano tem procurado reganhar para os EUA tem sido fortemente prejudicada pelas entradas em falso na guerra com o Irão. Poderá dizer-se que não há fanfarrão que sempre dure e Trump, ainda que produza opinião de forma quase instantânea, não tem conseguido projetar essa ideia de grandeza de forma consistente, principalmente porque essa fanfarronice não é inocente nem neutra do ponto de vista da tal “affordability”.

Não quero por isso arriscar um prognóstico para os resultados de hoje, apenas esperando que os 25% de probabilidade de termos uma enorme desilusão não se verifique. Três em quatro das alternativas de DeLong garantirão algum consolo.

 

OBRIGADO, AUGUSTO!

O Salão Nobre da FEP testemunhou no último fim de tarde um momento histórico para a Instituição e, diria eu, para o País: o da “Última Lição” de Augusto Santos Silva (ASS), professor catedrático de uma Casa a cujos quadros pertenceu imaculadamente durante 45 anos de diálogo interdisciplinar com a Ciência Económica – dada a sua origem formativa residir inicialmente na História e depois na Sociologia, de que se reclama primordialmente – que marcou o fecho da sua carreira de docente (que não de investigador, como sublinhou) através de uma intervenção notável de 90 minutos intitulada “A Economia como Ciência Social (Relatório de uma Aprendizagem)”. Não entrando no âmago do tema essencial que ali ocupou ASS, por manifesta impossibilidade de o fazer cumprindo mínimos de autenticidade substantiva, fico-me por alguns breves apontamentos que entendo serem, ainda assim, merecedores de registo: (i) a saudação central à memória de António Almodôvar, um professor da FEP precocemente desaparecido há anos e que foi decisivo no fomento da disciplina de História do Pensamento Económico, uma trave-mestra do diálogo entre a Economia e outras Ciências Sociais; (ii) a repartição a que aludiu entre o serviço à FEP e a participação em órgãos de soberania (nomeadamente enquanto ministro, deputado e presidente da Assembleia da República) e que estimou em 25 versus 20 anos, respetivamente; (iii) a defesa da ideia de que as caraterísticas da Ciência Económica – que identificou em torno do seu sentido de materialidade, da noção de condicionalidade e de uma “relacionalidade” estratégica entre agentes – a qualificam como um elemento gerador de externalidades potencialmente impulsionadoras das demais Ciências Sociais; (iv) a forma original como se posicionou nas incursões que tão bem ousou fazer, recorrendo a uma narrativa em torno de um frade (no caso, ele próprio) e da sopa de pedra que acabou por conseguir cozinhar numa casa de família onde lhe começaram por negar o recurso aos ingredientes necessários para tal; (v) a definição que deixou e lhe permitiu uma exploração magistral dos respetivos conceitos constitutivos (“a economia é o estudo das escolhas implicadas na criação e distribuição do valor, bem como no seu aprovisionamento e uso para satisfação das necessidades humanas”); (vi) a mensagem irrecusável no sentido de que a “sargentada” dos papers é inimiga da Economia, de uma Economia que coloca bem dentro do universo das Ciências Sociais (mesmo que nada impeça uma exploração lógico-dedutiva com elevado pendor de formalização), deixando exemplos de diálogos determinantes que procurou criativamente explicitar de dois modos tão diversos quanto os de um “teorema da sopa de pedra” (incluindo variáveis como a ciência social matematizada, a investigação empírica, a pluralidade interna e a abertura à interdisciplinaridade) ou de uma “poetização” (combinando a “cruz” de Marshall, correspondente ao gráfico em que se cruzam a oferta e a procura, com a bicicleta de Amartya Sen). Uma alocução simplesmente brilhante! Parabéns amigos ao Augusto (que conheço – alguém acreditará? – há sessenta anos) por tudo quanto conseguiu fazer da sua vida pessoal e profissional, sempre na companhia discreta mas influente da Isabel Margarida e, mais recentemente, dos seus três filhos e dos subsequentes netos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

UM LIVRO EXCELENTE PARA COMPREENDER O MUNDO DE HOJE

 


(É de um livro pequeno que vos falo. Não tem mais do que 143 páginas, incluindo referências bibliográficas e é de autoria de Gerard Roland, Professor Emérito de economia e de ciência política na Universidade da Califórnia, Berkeley. Chama-se EMPIRES, NATION-STATES AND DEMOCRACIES e tem edição da prestigiada Princeton University Press, com data de 2026. Fui alertado para a relevância desta obra seja pelo conselho sempre pertinente de Bradford DeLong, seja também pelo substack que Gerard Roland publica há cerca de dois anos, no qual o autor tem-nos proporcionado uma sugestiva resenha e invocação dos anos da sua passagem por Berkeley até ter adquirido o estatuto de Professor Emérito, como é prática usual de muitas Universidades americanas que não condenam os seus expoentes de investigação ao exílio forçado depois da sua jubilação. A análise comparada da vida útil, futura e potencial de impérios, estados-nação e democracias coloca a obra no centro de cogitações contemporâneas. O interesse da questão é que, ao contrário do que seria imaginável, a discussão comparada das formas institucionais dos impérios, estados-nação e democracias não a projeta para uma temática do passado, mas antes para uma evidente atualidade. Por muito estranho que nos pareça, nunca como hoje, aquelas três formas se conflituam e daí o interesse da análise desenvolvida por Roland, obviamente inspirada em sólida evidência histórica. O interessante da questão está no facto de Roland nos transmitir uma perspetiva otimista de longo prazo sobre a referida conflitualidade. Embora admita que a ideia de ameaça temporária tem de ser contextualizada à luz de períodos que podem comprometer gerações inteiras, vale a pena mergulhar na sua ideia de que as ameaças que pairam sobre as democracias de hoje serão temporárias. Trata-se de um tónico para o pessimismo com que assistimos à degradação da cena mundial. Como precisamos desse tónico!)

Resumindo bastante os argumentos expressos na obra, Roland olha para os remanescentes grandes impérios da Rússia e da China como formas institucionais que tenderão, nos seus propósitos de expansionismo e de repressão, a enfrentar debilidades internas, expondo-os a ameaças externas e principalmente á fragmentação territorial. A mensagem histórica aqui presente é a de que se torna fundamental a duração do período em que um dado império consegue ocultar as suas debilidades internas. Quanto mais se prolongar essa ocultação menos intensa e provável será a emergência de alguém capaz de desafiar o poder instalado. Isto leva-nos a um paradoxo que Roland resume brilhantemente na ideia de que, sendo os impérios autocracias, eles podem parecer fortes até que de repente mostrem a sua fraqueza. A indeterminação da história faz com que não seja possível antecipar por quanto tempo será possível ocultar as debilidades internas, geradoras de apetites de conquista do poder, o qual pode até conduzir a uma nova forma de autocracia. Creio que este modelo se aplica como uma luva ao caso da Rússia e menos ao da China.

Quanto ao argumento de que os estados-nação têm também o seu futuro ameaçado, a tese pode parecer ainda mais peregrina se tivermos em conta a intensidade com que o nacionalismo se tem afirmado nos últimos tempos. Mas o argumento é compreensível, sobretudo se tivermos em conta que os impérios milenários não conseguiram resolver o desafio da homogeneidade étnica. Assim sendo, embora os estados-nação possam permanecer durante mais tempo do que os impérios, eles assentam numa ilusão – o objetivo da homogeneidade étnica que surge associado ao nacionalismo. O pensamento da extrema-direita está recheado de versões romantizadas de períodos em que as pessoas viviam em comunidades relativamente homogéneas do ponto de vista étnico. Isso não mais existiu e Roland apresenta uma tabela em que calcula a percentagem de população estrangeira a viver em economias avançadas, com valores como 30,4% na Austrália, 28,2% na Nova Zelândia, 25,5% na Áustria, 23% no Canadá e 31,1% na Suíça.

O argumento mais problemático e Roland tem a noção de que pode ser apontado como alguém excessivamente otimista é a sua convicção de que a crise vivida presentemente pela democracia é temporária, nunca esquecendo que esta ideia do temporário tem de ser bem compreendida, já que pode abranger gerações inteiras. A razão principal para que Roland insista nessa visão da crise da democracia como temporária advém não apenas dos problemas identificados na sobrevivência dos impérios e dos estados-nação, mas especialmente na ideia de que a democracia vive bem e se alimenta do desenvolvimento económico. Talvez seja aqui que resida essencialmente o referido otimismo, o que nos conduziria a toda uma outra discussão.

Mas esta obra merece reflexão adequada e sobretudo consegue-nos transmitir uma visão saudável do progressismo da história e não a visão reacionária da negação do desenvolvimento.

 

 

O ADEUS ANTECIPADO POR LAGARDE

(Nicolas Vadot, http://www.levif.be)

Christine Lagarde (CL) anunciou a sua saída da presidência do BCE para fevereiro de 2027 e logo diversas más-línguas procuraram encontrar uma correlação entre esse abandono e a respetiva proximidade em relação à data das presidenciais francesas, que parecem já ter uma vencedora anunciada na populista e insistente Marine Le Pen – veremos certamente em breve se há algum fogo por detrás desta fumaça. Entretanto, logo surgiram balanços depreciativos do mandato de CL, como foi o caso do economista Jon Aldekoa no portal do dito ECB – os gráficos são razoavelmente elucidativos nessa perspetiva, mas não devemos nunca esquecer que as comparações temporais nuas e cruas (isto é, sem o devido enquadramento conjuntural e histórico) padecem frequentemente de aceitabilidade objetiva; de todo o modo, reproduzo-os na medida em que são bastante bem esgalhados para contextualizarmos as lideranças de Duisenberg, Trichet, Draghi e Lagarde no tocante ao comportamento da inflação e ao poder de compra da moeda única, com clara vantagem revelada em favor do italiano que é considerado o “salvador do Euro” e desvantagem para a francesa que agora poderá estar a ponderar a hipótese de aspirar a outros voos, quiçá políticos. Fica também no ar a velha querela entre os defensores de técnicos e especialistas versus políticos nomeados de forma negociada nos postos decisionais das entidades de regulação, um tema cada vez mais candente e que voltará em breve a estar na ordem do dia em Frankfurt.


domingo, 1 de novembro de 2026

MONTENEGRO E A HABITAÇÃO

 
(Ulises Culebro, https://elpais.com) 

O problema da habitação cresce em generalização à escala mundial, mas atingiu uma escala de insuportabilidade em Portugal. A culpa (palavra maldita e de conteúdo tão frequentemente difuso) é de tantos que não releva enumerá-los por qualquer ordenação que seja: governantes pouco competentes ou simplesmente distraídos, autarcas sem visão do seu próprio entorno, elites transformadas em meros especuladores de mercado, senhorios e inquilinos de variada natureza gananciosa ou autocentrada, população em crescimento via imigração mal controlada e por aí fora num rol de referências que seria praticamente interminável. Ou seja: a dita culpa, ao contrário de outros dossiês, não é essencialmente atribuível ao governo de Luís Montenegro, pese embora o descoco da nova lei das rendas que aprovou em acordo com o Chega e que atirará mais achas para uma fogueira que delas já não necessitava. Mas há dois pontos em que o primeiro-ministro não pode escapar a uma chamada de atenção: a sua negação, em claro deslocamento de retina, perante a essência e a urgência da questão, por um lado, e a sua atitude policial e repressiva em nome de um cumprimento da lei datado e abstratamente definido à luz do presente, por outro – e, afinal, bastaria que o reconhecimento de que existe mesmo um problema fosse real e sincero, dirigindo-se aos jovens com mínimos compatíveis (em termos de pedagogia política e elegância edificante) com o tanto que enche a boca de por ele serem favorecidos como nunca antes ocorrera. E assim vamos, com pancada à solta pela madrugada dentro, na abertura deste mês de novembro que talvez nos possa trazer algumas boas novidades internacionais.


(Vasco Gargalo, https://www.sabado.pt)

sábado, 31 de outubro de 2026

O REACIONARISMO COM AS GARRAS DE FORA

 


(O meu colega de blogue já dedicou a este tema reflexão pertinente, mas a sua relevância no tempo que nos envolve, nesta tarde solarenga em Seixas, a anunciar o frio da noite que se avizinha, justifica que regresse ao tema. O tempo político que nos envolve é favorável a que o reacionarismo vá colocando as garras de fora, construindo uma narrativa que jornais e televisão vão comprando na justa medida, na qual tudo que mexe é classificado com a chancela do radicalismo que é necessário extirpar. Obviamente, que a onda generalizada de crescimento das forças políticas de direita vai criando campo propício à recuperação do espaço perdido com os anos da Revolução. Esse reacionarismo esteve sempre latente, simplesmente encolheu-se, travestiu-se de presença silenciosa em partidos democráticos, foi fazendo de conta que nada do que se passava era consigo, aguentando até à emergência de um campo mais favorável. O Chega foi o fenómeno que acomodou algumas destas pessoas, embora numa mistura de desencanto e ressentimento, que não se confunde exatamente com o reacionarismo de que estamos agora a falar. Para a criação deste campo favorável atrás mencionado muito contribuiu a crise de consciência da esquerda em Portugal. As esquerdas são várias e por isso vale a pena ir um pouco mais fundo para compreender as diferentes razões invocáveis.)

À esquerda do PS, o PCP vive uma crise de sobrevivência e, dentro do estilo cauteloso e nada propenso à mudança que o tem caracterizado, optou claramente por eleger a estabilização de eleitorado (lutando contra a demografia, com renovação apenas parcial de efetivos) e a sua sobrevivência como formação política com assento parlamentar. Daí que não arrisque uma vírgula em tentar compreender novos movimentos políticos mais inorgânicos e mais do que isso apercebe-se que as garras de fora do reacionarismo dão-lhe alguma esperança de ganhos de VOZ e de adesão eleitoral.

A esquerda mais radical vive uma crise de consciência política de outra natureza, com exemplo mais claro no Bloco de Esquerda, no qual a liderança de José Manuel Pureza identifica bem a transição em que está mergulhado. Ao vazio das causas mais fraturantes juntou-se uma espécie de ressaca do wokismo que foi longe de mais nas suas frentes de cancelamento. Não é para mim claro se os movimentos mais recentes em torno da crise da habitação têm rendido ao Bloco algum poder adicional de mobilização e aguardo evidência mais diversificada para o avaliar. Mas, de qualquer modo, a esquerda Bloco vive tempos de interrogação quanto ao seu novo papel na sociedade portuguesa, sendo antecipável que a habitação se transforme no seu ponto focal de tentativa de recuperação de espaço eleitoral.

Quanto ao PS, esperar-se-ia de uma força política que tem Mário Soares na sua memória recente um discurso mais incisivo de denúncia e de combate ao reacionarismo emergente. Mas o PS de José Luís Carneiro tem o seu foco na recuperação do capital eleitoral do passado, pelo que a sua política de punhos de renda e não me comprometas a recuperação de eleitores afasta-o de posicionamentos mais críticos sobre a direitização da sociedade.

Mas o pior de tudo acontece quando o PSD no governo vai cedendo a esse reacionarismo latente, abrindo caminho a que ele se manifeste através da própria política governativa. Por mais estranho que nos possa parecer, é o PSD que tem acolhido em grande medida a narrativa de que tudo é radicalismo em Portugal.

Todo este contexto que procurei sucintamente descrever cria um campo extremamente favorável ao ressurgimento do reacionarismo. Num país que necessita de mudanças disruptivas em muitos domínios da governação, este clima bafiento que se vai formando transforma-se num verdadeiro custo de contexto, acrescentando elementos a uma lista de custos de contexto que já é longa.