segunda-feira, 8 de junho de 2026
O CONTRIBUTO DE PREVOST
domingo, 7 de junho de 2026
ENTRE MUROS E CERCAS...
O mundo de hoje pode ser simplificado, a um certo nível de observação e análise, como um entrecruzamento de muros e cercas. Os muros que não apenas criam a ilusão aos mais desfavorecidos de que do outro lado há algo em termos de oportunidade para eles mas que também permitem aos poderosos afastar “o outro” que importuna e se pretende distante. As cercas que não apenas garantem o desejado isolamento em aquários luxuosos aos “donos do mundo” mas que também indiciam os “culpados” que residem em mansões inacessíveis e por elas escondidas.
Estamos, no fundo, perante simbólicas expressões de um dos traços mais constantes da sociedade mundial, a da continuada afirmação (mais ou menos visível, mais ou menos prepotente, mais ou menos imperialista) da desigualdade como um fenómeno iniludível – de facto, e a despeito de algum reequilíbrio aportado pela globalização do último quartel do século passado, a enormidade do fosso entre ricos e pobres permanece e as suas manifestações à escala global atingem foros impensáveis de exibicionismo absurdo e de chocante pauperização.
sábado, 6 de junho de 2026
COITADO DO PRESIDENTE!
António José Seguro parece perfeitamente instalado na sua improvável função presidencial. E a verdade é que lá vai aparecendo nos sítios, abrindo os eventos que há para abrir, dizendo as banalidades dele esperadas, procurando que o Governo não tenha grandes motivos de insatisfação e até fazendo as férias politicamente corretas na Região Centro. Tudo dentro da normalidade, pois. Com duas restrições que muito me impressionam: por um lado, a apagada e vil tristeza que ostenta no rosto e na atitude (pudera!, porque convenhamos que o quotidiano que lhe oferece a função é mesmo uma seca, só suscetível de exploração positiva por parte de um narciso militante e único como Marcelo); por outro lado, a consciencialização que vai adquirindo de ser um “verbo de encher” na cena política, com o PSD e o Chega a tratarem o mais possível por lhe limitar a margem de manobra alegadamente transformadora ou, melhor dito, por resolverem entre si, e sem lhe passarem grande cartão, o que há para resolver. Neste quadro, o velho Tó Zé de outros tempos que ainda ia ensaiando alguns arremedos de atrevimento tende a anular-se sem rasto na quilometragem diária, nos dias cheios de burocracia maçadora e nos encontros sucessivos com portugueses bem menos interessantes e interessados do que ele intuía irem deparar-se-lhe. Gratos ao Presidente pelas suas boas intenções mas coitado dele!
sexta-feira, 5 de junho de 2026
DIVAGAÇÕES TENÍSTICAS
(Partilho com o meu colega de blogue alguma necessidade de desanuviar a escrita neste blogue e estou a fazê-lo gozando um fim de semana um pouco mais longo do que o habitual em Seixas, apreciando esta calma relativamente fresca que se vislumbra da minha varanda fronteira ao Coura e a Caminha. Vou, por isso, concentrar-me em algumas divagações tenísticas, não para vos falar das minhas proezas e falhanços de atleta de 77 anos, mas para tirar partido do Roland Garros que se aproxima do fim. E que torneio mais atípico tivemos pela frente, de que o melhor indicador é a composição das meias-finais de singulares masculinos e femininos: Zverev-Mensik (3-1) e Arnaldi (desistência)-Cobolli, nos homens e Mirra Andreeva-Kostyiuk (2-0) e Chwalisnska-Shnaider (2-0) nas mulheres. Os astros inclinam-se para que finalmente Zverev possa ganhar um título de Grand Slam, mas a atenção à armada italiana. Mas o Roland Garros deste ano tem sido atípico atendendo sobretudo aos casos de derrocada total de alguns dos principais favoritos, o que sugere que os melhores do circuito estão a jogar nos limites da resistência física e psicológica. Era essencialmente sobre esse aspeto que gostaria de concentrar as minhas divagações tenísticas.)
Os dois casos mais salientes de verdadeiros “crashs” foram as derrotas de Sinner, nº 1 mundial masculino face a um dos irmãos Cerundolo argentino e a de Sabalenka, nº 1 mundial feminino face a Shnaider. São crashs de natureza diferente, o de Sinner mais físico do que psicológico e o de Sabalenka exatamente o inverso.
Nunca tinha visto num espetáculo tenístico algo de semelhante à quebra física de Jannik Sinner, no que poderia designar de verdadeiro colapso físico, como se o corpo tivesse perdido a capacidade de resposta e a vontade de reagir. A derrocada de Sabalenka é talvez o melhor exemplo de alguém que tem o jogo dominado, que começa a pensar noutra e que à mínima adversidade tudo se desvanece e entra numa espiral descendente de perda sucessiva de pontos (6-0 na última partida) após ter perdido a segunda partida que pensara ter dominada. O estado de desespero em que a nº 1 mundial ficou depois da derrota, afirmando que naquele momento a única coisa que lhe apetecia era abandonar o ténis, é dos casos de colapso mais incrível que o ténis alguma vez terá presenciado. São casos diferentes, mas ambos revelam, em meu entender, que os melhores estão a jogar no limite das respetivas vidas e forças.
Pelo meio tivemos ainda uma partida excecional para recordar o que podemos entender como um choque de gerações. O jogo que opôs o talentoso brasileiro João Fonseca e o consagrado e entradote sérvio Novak Djokovic é um monumento para análise futura, retratando fielmente o que é a luta destruidora entre o jovem emergente e o incumbente prestes a retirar-se. Fonseca, nas declarações de celebração de vitória, mencionou com toda a honestidade que Djokovic estava a destruí-lo com o seu jogo, tamanha foi a impetuosidade que colocou no jogo e que foi por muito pouco que não se viu ultrapassado pela força física e mental do sérvio. Não sei se Djokovic voltará a pisar uma vez que seja aquele court central de Roland Garros, mas mesmo perdendo para o talento inesgotável do brasileiro podemos considerar essa derrota uma despedida triunfal, tamanha foi a qualidade que o sérvio imprimiu ao seu jogo.
Mas o melhor estava para vir com a chegada à final de Maja Chwalisnka depois de uma vinda triunfal do qualifying. A polaca esteve em Portugal há pouco mais de um ano num daqueles challengers que são o tormento do (a)s jogadores (as) classificadas entre o 300º e o 500º lugares do ranking mundial, até conseguirem uma oportunidade de brilharem num torneio com alguma expressão monetária. Se há quem diga que o ténis pode ser mais um produto da cabeça (mental) do que do corpo (físico), então Chwalinska é um verdadeiro caso de estudo. A tenista polaca não tem aquilo que possa chamar-se um ténis espetacular do tipo por exemplo que Sabalenka apresenta. Mas a consistência defensiva que ostenta, e sobretudo a capacidade de concentração praticamente em todos os pontos de uma partida, explicam a sua meteórica vinda do qualifying e a sua chegada à final.
Posso enganar-me, e oxalá me engane, mas acho que Chwalinska não vai ter talento suficiente para superar a impetuosa Andreeva , treinada pela nossa conhecida Conchita Martinez. Mas se o fizer, então o Roland Garros deste ano ficará nos anais da atipicidade da grande prova parisiense.
A tarde de sábado está conquistada.
HONRA E DESONRA
quinta-feira, 4 de junho de 2026
CAETANO NO PORTO
Prossegue a paragem relativa que me impus nesta primeira semana de junho. Ainda assim, espaço para saudar aqui o concerto de Caetano Veloso no Porto (Pavilhão Rosa Mota) a que pude assistir antes da saída em curso. Caetano é Caetano e ponto final, mas o espetáculo não foi empolgante e não ficou verdadeiramente para a posteridade, exceto talvez naquilo que o artista nos terá querido dizer quando se referiu aos seus 84 anos em agosto e à dificuldade que haverá em que possa continuar a viajar para cá e a protagonizar shows – soou-me notoriamente a uma despedida não anunciada... O cansaço de Caetano evidenciou-se também na existência de um único encore, sendo que em qualquer caso – e com exceção do fraco som do pavilhão – aquela hora e meia não deixou de ser prazenteira e cheia de memórias de vário tipo, com a voz do baiano ainda situada a muito bom nível e a sua simpatia a deixar saudades que espero não passem de uma manifestação prematura.
terça-feira, 2 de junho de 2026
RIVALIDADES PRIMEIRO













