Paul Krugman (PK), o Prémio Nobel da Economia mais português de todos quantos (ele que passa temporadas no Algarve, onde parece ser proprietário de uma residência, e anda frequentemente por Lisboa, onde consegue manter amizade com um seu colega de tempos universitários com os atributos de Jorge Braga de Macedo), continua de pena muito afiada (em quantidade e qualidade, sublinhe-se, também com uma agudeza crítica assinalável em relação ao trumpismo) e prossegue no “Substack” a senda dos longos anos que assinou no “New York Times”. Um dia destes trarei aqui alguns elementos mais substantivos dos seus contributos recentes mas hoje limito-me a um texto ali publicado e a que achei graça (“The Hits Keep Coming”) pelo facto de deixar manifesto quanto já não suporta as realmente insuportáveis diatribes de “Donald Trump e companhia” – o dito artigo explicita em subtítulo ao que vem (how much chaos can the economy take?) e desenvolve-se de modo sucinto em torno de “boas notícias” e “más notícias”.
A boa notícia apontada tem a ver como o facto de que “a economia dos EUA se mostrou notavelmente resiliente desde que os "macacos do caos" — vulgo Donald Trump e sua comandita — assumiram o controle do zoológico”, apesar de ter vindo a verificar-se a produção de “choque atrás de choque”(designadamente: guerra comercial, conflito com o Irão, quebra de relacionamento com os países aliados, degradação da capacidade e da competência do governo dos EUA, deportações em massa, subida das taxas de juros de longo prazo para níveis que não se viam há décadas). Quanto às más notícias, PK aponta o facto de os choques prosseguirem, o que determina que os investidores e as empresas percecionem que os choques provocados por Trump não são eventos isolados a que conseguem adaptar-se, com maior ou menor dificuldade, se os assumirem como um “novo normal” mas correspondem a “ameaças existenciais” (caso da indústria automóvel, dos stocks de armamento sofisticado ou do nível das taxas de juro) insuscetíveis de serem integrados em mínimos de previsibilidade e consequente resposta apropriada por parte de qualquer gestão empresarial. Ou seja, e citando: “Talvez a economia consiga lidar com o caos crescente. Mas o facto de ter conseguido andar para a frente até agora, mesmo com dificuldades, não garante que ela conseguirá lidar igualmente bem com os sucessivos golpes que continuam a surgir.”
E é aqui que reside, nem mais, a incerteza que dá corpo ao drama que carateriza o atual momento da (des)ordem internacional que Trump tão irresponsavelmente comanda.










