sexta-feira, 11 de setembro de 2026

PERGUNTANDO AO TEMPO QUE PASSOU...

(Agustin Sciammarella, http://elpais.com)

Vinte e cinco anos são vinte e cinco anos! Por mais incrível que a todos possa parecer, o ataque às Torres Gémeas já ocorreu há um quarto de século, exatamente neste mesmo dia de 2001. Relembrar as quase 3000 vítimas e manifestar solidariedade para com as suas famílias é uma obrigação que invariavelmente se reconhece (apesar da gravata vermelha de Trump e da sua recusa em estar no local por razões de mero oportunismo político), apontar as crescentes preocupações e a diversidade de horrores que o terrorismo internacional suscitou entretanto é algo que acontece quotidianamente nos mais variados espaços que frequentamos e dizer-se que nada mais foi igual no mundo em que vivemos é hoje um perfeito lugar-comum. Por isso, e não querendo deixar passar em claro uma data desta importância, recorro a um texto (Have the Terrorists Won?), da autoria de um notável professor de História Europeia Moderna da Universidade de Toronto (Timothy Snyder), para procurar enfatizar a força e o sentido de uma reflexão de total e relevantíssima pertinência e que vai mais fundo no tema do que as análises circunstanciais que tendem a predominar. A síntese do argumento de Snyder poderia ser esta: “Os EUA responderam ao atentado em Nova Iorque como queriam os seus atacantes e contribuíram para criar um mundo em que o terrorismo é tão normal que já não sabemos quando usar essa palavra”. Não fica assim expressa uma perspetiva simultaneamente lúcida e explicativa do que podemos conseguir descortinar por entre a avalanche de pensamentos, palavras e obras com que é desviada a nossa atenção em relação ao essencial? 

O texto de Snyder merece ser lido, e refletido, na íntegra. Mas ouso dele selecionar alguns breves apontamentos adicionalmente marcantes. E, desde logo, que a nossa liberdade começa com a nossa resposta, o que é ilustrado com a “resposta óbvia” que não foi dada (o combate à dependência do petróleo, com naturais reflexos na redução do aquecimento global, numa menor conflitualidade no Médio Oriente e num impedimento da ascensão da oligarquia do gás e do petróleo de Putin) e com as decisões políticas desviantes que foram incentivadas e produzidas (porque limitadoras da liberdade em função de argumentos de segurança nacional que passaram a situar as maiores ameaças no plano interno, a dividir os cidadãos em “legais” e “ilegais” e a dar um lugar central à ideia de homeland, por um lado, e porque fomentadoras de uma política externa belicista e infantilmente destrutiva – cujo ponto alto esteve na insana invasão do Iraque – e de uma política económica dominada pela despesa militar e pela dívida – “em vez de dar resposta à desigualdade económica, ao imobilismo social e à insegurança familiar”, por outro), tudo domínios em que a chegada de Trump apenas veio reforçar exponencialmente os vícios denunciados. Snyder dedica depois alguns parágrafos à “operação especial” que a Rússia vem desenvolvendo na Ucrânia há mais de quatro anos, associando-a a um processo que remonta a 2013/14 (Crimeia) em que Moscovo aproveitou o “racional” de um caminho aberto pelos EUA segundo o qual “as grandes potências podem invadir outros países apelando a mentiras descabeladas” – e, no momento presente, é ainda “a guerra de Trump contra o Irão que torna possível a guerra de Putin contra a Ucrânia”.

 

Termino com uma referência ao homem que esteve por detrás da monstruosidade bárbara de há vinte e cinco anos. Osama Bin-Laden foi estratega em nome de uma convicção religiosa doentiamente assumida... e depois foi procurado acerrimamente, descoberto e morto, mas ficou na História, apesar de tudo. O que, como Snyder salienta a partir do exemplo do povo ucraniano, só ocorrerá com quem pensar por si próprio no futuro – porque “só assim poderemos esperar que o próximo quarto de século seja melhor do que o anterior”.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

QUASE NÃO FALANDO DE NEVES...

Resulta algo perturbador quando nos confrontamos com a pequenez relativa da gravidade dos temas que ocupam a agenda mediática e política deste “jardim à beira-mar plantado”. Foi o que me aconteceu perante a escolha que fizera de aqui abordar a audição de Luís Neves na A.R. e a moção de censura do Chega ao Governo e a resposta dada pelo primeiro-ministro às mesmas – porque, na realidade, as notícias da manhã logo me deram um perfeito sentido das proporções ao darem a conhecer a inconcebível promessa de Trump aos americanos (além do mais à custa do erário público) e o inaceitável afastamento de Ricardo Reis da corrida ao cargo de economista-chefe do FMI devido às considerações que fez sobre as consequências nefastas das tarifas de Trump para os consumidores americanos. Ainda assim, arrisco o post que previra escrever.

 

O dia em análise é o de anteontem. Da parte da manhã, foi um ministro autocontrolado que respondeu no Parlamento, corrigindo algumas anteriores manifestações de arrogância (como no que disse sobre quando iria embora), deixando vários factos por explicar (como os que Rui Rocha salientou numa intervenção bem preparada), mantendo-se igual a um si próprio completamente cheio de si (como quando afirmou que mantinha confiança em si para continuar) e evidenciando algum nervosismo (como os tiques com os óculos que a finura analítico-psicológica de Rui Rio pôde detetar sem qualquer rebuço).


Da parte da tarde, estava prevista a festa de Ventura, mas a coisa não lhe saiu como esperava. De facto, André lá justificou à sua maneira o injustificável – uma moção de censura determinada por um pedido de demissão de um ministro –, berrando a sete ventos aquele “vá-se embora” destinado a Luís Neves, no que foi seguido por um séquito de correligionários bastante pouco merecedores de serem ouvidos. Chegada a vez de o primeiro-ministro se defender, o mesmo preferiu contra-atacar com anúncios (suplemento extraordinário para os pensionistas e redução do IRS para a classe média) e limitar-se a um singelo elogio da qualidade do ministro acossado. Depois, falaram os partidos, com Carneiro a sublinhar a sua moderação no mix de “abstenção violenta” (versus voto contra) e responsabilidade (porque, disse, os portugueses não querem uma crise política nem eleições antecipadas) e Hugo Soares a não ter o pudor de poupar o PS a críticas extemporâneas na ocasião. Por fim, Rangel encerrou gongoricamente o debate – o que Montenegro visivelmente apreciou – e Aguiar-Branco levou a moção a votos que confirmaram o isolamento absoluto do Chega, com os 60 “cheganos” a levantarem-se aos gritos de “Demissão” – uma cena triste!



O ponto que pretendo deixar sublinhado, ainda que desvalorizável à luz do entorno internacional como avanço no primeiro parágrafo, vai no sentido de ensaiar um alerta que me parece cada vez mais determinante: o de que já basta que quem está no exercício de funções e é detentor de poder não deveria utilizar essa prerrogativa para confundir resposta e retórica política com a seriedade das políticas de que o País necessita. Com efeito, e tanto quanto se sabe, o Governo decidiu-se por anúncios para desviar atenções, mesmo sendo claramente duvidosas, no mínimo, as condições de conforto orçamental para tal decisão e sendo por demais conhecidos os riscos que sobre nós podem impender pela via de um ambiente internacional instável e incerto. Teve razão – histerias à parte – Miguel Morgado quando afirmou na SIC-N que “o meu partido anda-me a envergonhar sobre a história do Luís Neves há muito tempo porque a dose de mentiras e de infantilização dos portugueses é intolerável”, concluindo em girândola: “Mas o pior estava mesmo reservado para o fim. (...) Entretanto apareceram umas sondagens que dizem que a tal ‘bolha’ são uns quantos portugueses que não gostam do que se está a passar. E então assustaram-se [o primeiro-ministro e o PSD] e fizeram uma coisa que eu só me lembro de ver José Sócrates e António Costa fazer: vamos desconversar e tentar segurar as pessoas para mudar o assunto – isto é uma vergonha, uma vergonha! O que se fez numa moção de censura com a promessa da descida do IRS e do suplemento para os pensionistas de baixos rendimentos foi uma vergonha, é de alguém que de facto quer esconder o ministro.” Além de assim termos o “passismo” numa reação desesperada ao “montenegrismo” instalado (e consolidado?), a verdade verdadinha é que o jogo da manipulação politiqueira tem de ser denunciado e castigado duramente – pelo menos, assim devera eu ser, como se conta na história...

ACELERAÇÃO AL REVÉS

 

(Já há muito tempo que a intuição gráfica de EL ROTO não me acompanhava nesta ideia de fintar a realidade, ganhando distância e altura em relação à mesma, apenas com objetivos de sanidade mental e de equilíbrio pessoal. Mas a capacidade de encapsular o tempo corrente com traços de inspiração gráfica, por vezes aparentemente toscos, mas contundentes, não é para muitos, está antes reservado a alguns eleitos e EL ROTO é um deles. O desenho de hoje representa bem a estranha sensação vivida por um cidadão mediano, cuja parte da vida foi concretizada num horizonte de progresso, por mais questionáveis que algumas dimensões se apresentassem, mas que suscitava uma ideia de futuro. A minha geração nasceu quando a Europa se reconstruía depois das incidências da guerra, cujos testemunhos aconteciam nas nossas famílias, muitas vezes indiretos, dada a bondade da nossa posição periférica, em que se trocava rendimento material por presença física afastada dos acontecimentos mais bélicos. Mas os anos 50 e 60 foram anos de crescimento dourado, com o conceito de convergência real a adocicar as nossas consciências, um dia lá chegaremos, perspetiva que os anos 80 da integração europeia acentuaram. Tal como o desenho de EL ROTO nos confronta, os tempos que hoje vivemos transportam-nos para uma estranha vertigem, não de cavalgar o futuro, mas uma vertigem de desconstrução de conquistas que julgávamos seguras, de regresso ao passado, apenas porque sim. A aceleração da vertigem mantem-se, mas de regresso à vulnerabilidade e aos processos mais canhestros da política, visível nas instituições internacionais, na governação e nas pessoas que internalizam rapidamente o conservadorismo mais bacoco e medroso. Uma instituição internacional como o FMI afasta um prestigiado economista português, Ricardo Reis da London School of Economics, do processo de candidatura ao posto de economista-chefe pelo simples facto de ter aplicado a teoria económica e ter afirmado que a cruzada protecionista de Trump iria penalizar os americanos e Reis não é seguramente um esquerdista da economia. O próprio Trump vomita promessas de dinheiro vivo aos republicanos acaso vençam as intercalares. Montenegro contorna a moção de censura do Chega também com promessas de benesses materiais, descida de IRS nos escalões mais baixos e suplemento de pensões. E as pessoas em geral estão cada vez mais inseguras e sem opinião, apenas por questões defensivas.)

A questão que se coloca é a de saber se esta vertigem de aceleração em direção ao passado é ou não uma questão dos ocidentais mais avançados. As classes sociais menos abastadas e mais vulneráveis destas sociedades sempre tiveram uma ideia periclitante de futuro. Mas essa ideia de ver o progresso al revés parece estar a estender-se, com exceção dos 0,1 % mais ricos, que continuam apostados no prolongamento da vida, eternizando-a, sabe-se lá em que galáxia.

Não me parece que essa ideia do progresso ao contrário esteja a impregnar as classes médias ascendentes das economias emergentes, cujos motivos para acreditar numa ideia de futuro são mais robustos e com evidência material mais palpável. Também por esta se cava o declínio ocidental, porque não há evolução sem uma ideia de futuro, por mais indeterminado que ele seja.

A maior parte dos problemas que nos chegam todos os dias via comunicação social são problemas de sociedades de abundância. A procura das injeções milagrosas para conseguir corpos esbeltos é um exemplo dessa deformada perspetiva dos problemas efetivamente relevantes.

O absurdo de tudo isto é colocar-nos a cabeça à roda. De uma Europa que se afirmava como farol de valores e princípios e de modelo social a preservar passamos a uma Europa que se revê no passado mais obscuro e abjeto, que banaliza a não democracia, que rejeita a diversidade e que tem apenas para oferecer o envelhecimento e o declínio demográfico, comportando-se eleitoralmente em coerência com este regresso ao passado.

Como é que se sai disto?

Vertigem, queda e talvez acordemos!

 

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

BURNOUT NA EUROPA: PORTUGAL À CABEÇA

Passou-me pelas mãos e entendi ser útil a partilha deste trabalho respeitante às condições de vida e atividade dos trabalhadores na Europa (26 países considerados), conduzido por uma organização privada britânica que visa o apoio às pequenas empresas a partir de bases de dados disponíveis (designadamente da OCDE). O que obviamente me começou por chamar a atenção foi o facto de Portugal surgir em primeiro lugar do ranking de risco de burnout construído pelos autores. A informação essencialmente fundadora consta do quadro abaixo, onde se podem verificar os posicionamentos nacionais relativos nos cinco indicadores retidos e que, no cômputo global, nos colocam na pior das situações: somos 21º no balanceamento entre vida pessoal e de trabalho, 25º no índice de felicidade mundial, 24º em termos de salário médio, 23º em número de horas de trabalho semanais e 20º em reporte de fatores podendo afetar o bem-estar mental no trabalho. Independentemente dos lados subjetivos e metodológicos que subjazem a este tipo de construções, nada me leva a contrariar o resultado encontrado e, portanto, a aqui pretender chamar a atenção para um problema da maior pertinência com que se depara a comunidade nacional – porque também é disto que se trata quando nos cruzamos nas ruas e nos transportes públicos com gente de cara macambúzia e preocupada ou quando constatamos que crescem os concidadãos irritados e insultuosos nas redes sociais, ao volante ou nas filas diversas a que são sujeitos, já para não falar dos que contribuem para as audiências dos reality shows, novelas e concursos televisivos, para a alimentação do voto populista e para o lixo do comentário desportivo que grassa inapelavelmente em todos os canais à procura de que “o ópio do povo” funcione como outrora e converta glórias passadas de tonalidade “encarnada” em realidades efetivas cada vez mais impossíveis de sucederem. Duas notas finais e meramente circunstanciais: a Dinamarca, os Países Baixos e a Noruega encabeçam a lista dos países de menor risco de burnout, em linha com o que se conhece sobre tais realidades económico-sociais; a França é, de entre os países mais ricos do Continente, aquele que se apresenta mais frágil à luz dos indicadores considerados e com destaque para as questões de saúde mental. 

E SE NÃO FALÁSSEMOS DE LUÍS NEVES, FALARÍAMOS DE QUÊ?

 


(Esta interrogação não é de minha lavra, mas antes do podcast do Expresso on line Comissão Política. É uma fórmula feliz, pois analisa sem piedade a vacuidade do nosso debate e ambiente políticos, servindo-me, por isso, de inspiração para o post de hoje. O nosso deserto temático político entristece qualquer um e nem o regresso da Champions consegue alegrar o ambiente, mesmo com o entusiasta Farioli a clamar aos quatro ventos a “exibição fantástica” da sua equipa quando se deveria insistir no preocupante desequilíbrio de forças que o futebol de elite europeia hoje apresenta. O futebol é metáfora do mundo de hoje, disso não tenho dúvidas, por muito que nos custe admitir e que a nossa alienação de atração pela modalidade nos continue a admitir o enfrentamento com a realidade. Assim sendo e porque entendo já ter falado demais das informalidades de Luís Neves e do seu poder oculto sobre tudo que é político neste país, resta-me pensar noutro tema que valha a pena partilhar com os leitores. Curiosamente, a inspiração veio-me do próprio Expresso on line, que publica uma notável entrevista com o economista de ascendência turca Dani Rodrik, muito bem representado neste blogue e sobre o qual devo ter sido um dos primeiros a divulgar na academia portuguesa nas aulas da FEP o seu conhecido paradoxo da (hiper) globalização, no qual o economista de Harvard defende que não é possível manter simultaneamente o aprofundamento da globalização (integração económica mais global e profunda), o Estado-Nação e as condições de barganha democrática, designadamente a negociação e a defesa dos interesses dos trabalhadores.)

A entrevista não a considero notável por expor uma vez mais esse trilema da hiperglobalização. Os anos 80 e 90 consagraram de forma inequívoca o avanço da hiperglobalização, face ao qual subsistiam então duas posições antagónicas: por um lado, os adversários da globalização, designadamente os de militância mais violenta, manifestavam-se da forma mais rude e barulhenta sempre que uma qualquer reunião dos G20 ou de qualquer outro agrupamento acontecia por esse mundo fora, assumindo a velha luta contra o comércio livre, visto como o provocador de todos os males deste mundo; por outro lado, um grupo bem mais pequeno, que designaria de os reformistas da globalização, entre os quais o próprio Dani Rodrik, propunham uma integração económica mais planeada de maneira a preservar o Estado-Nação, afinal a única fonte de políticas públicas, e a democracia. A história ensina-nos que a vida do reformismo não é fácil e que tende muitas vezes a esfumar-se na irrelevância. Em termos académicos, não podíamos falar de irrelevância. Mas em termos políticos, a esquerda nunca acertou o passo com a crítica da globalização. A esquerda mais radical confundia-se com a militância mais violenta antiglobalização e a esquerda mais moderada sempre hesitou quando ao reformismo a aplicar.

O que Dani Rodrik nos vem transmitir com toda a lucidez e clareza do seu pensamento é que Trump e a onda de extrema-direita que grassa pelo mundo conseguiram dar força e expressão política à crítica das incompatibilidades da hiperglobalização, substituindo-se em pleno ao já mencionado reformismo, que nunca conseguiu encontrar uma expressão política para a sua manifestação. É um argumento de peso, numa situação toda ela pejada de contradições, a maior das quais é sem dúvida o facto dos principais beneficiários da hiperglobalização, os grandes bilionários deste mundo apoiarem esses movimentos. Trump percebu melhor do que ninguém essas incompatibilidades e, longe de propor uma posição reformista, enfrenta-as com a imposição do poder pela força. Rodrik entende que vivemos um longo período de transição, do qual existe a incógnita de saber se a globalização irá ou não ser destruída, se algum reformismo poderá emergir ou se pelo contrário a hiperglobalização regressará. O que sabemos por agora é que a extrema-direita ocupou o espaço da crítica da globalização e uma grande parte do eleitorado está a dar-lhe razão. A extrema-direita está também a ganhar terreno no eleitorado em termos da rejeição da inflação e das condições de fraca affordability das famílias. Resta a hipótese do centro-esquerda, embora não ignorando as questões do consumo, se concentrar nas questões da valorização salarial e da decência do trabalho, matérias profundamente adulteradas pela hiperglobalização.

Pode bem acontecer que os paradoxos desta questão levem a que uma certa esquerda, feroz adversária no passado da globalização, se veja forçada a apoiar a sua recomposição face aos ímpetos destruidores e autocráticos dos que substituirão a lógica dos mercados pela lógica do poder e da força militar. Eu próprio já intuíra esta mudança em posts anteriores. Crítico reformista dos excessos da globalização, estou pronto a defender o seu restabelecimento e ordenado, pois, disso não tenho dúvidas, que os atropelos em curso conduzirão ao caos comercial e económico.

É muito importante que economistas com a clareza e rigor de pensamento de Dani Rodrik continuem a alimentar a causa. O diagnóstico está feito: a direita radical compreendeu mais cedo o capital eleitoral de denunciar as incompatibilidades da hiperglobalização. Isso não pode ser dado como facto adquirido, por muita mudança ideológica que isso possa determinar. Porque a alternativa é o caos.