sábado, 17 de abril de 2021

PELAS MENINAS DE CABUL

A decisão de Joe Biden de retirada das tropas americanas do Afeganistão, sendo provavelmente sensata do ponto de vista militar e orçamental, traduz uma confissão dececionante de impotência perante a mais longa das guerras americanas de sempre (que traz multiplicativamente à colação o traumático fracasso do Vietname dos anos 70 do século passado), uma objetiva derrota das forças democráticas perante forças medievais que operam em nome de alegadas razões de independência nacional e crença religiosa e, na decorrência, uma comprovação adicional (se preciso fora) das limitações e impotências que marcam a ordem internacional ainda prevalecente mas visivelmente decadente e subordinada a inconfessáveis interesses russos. Sendo também essencial sublinhar que será o povo afegão, e a sua componente do género feminino em especial, quem sofrerá uma vez mais os principais efeitos nefastos – para não dizer acrescidamente destruidores, criminosos e mortais – de radicais impenitentes que uma comunidade global sã e decente não deveria tolerar em circunstância alguma.

sexta-feira, 16 de abril de 2021

A CULPA DE SÓCRATES NÃO BRANQUEIA A CULPA DO SISTEMA

(João Fazenda, https://visao.sapo.pt)

Assisti anteontem, como tantos portugueses, à entrevista concedida por José Sócrates à TVI e a José Alberto Carvalho. Assim como às suas subsequentes repercussões em termos de comentário jornalístico-político. Tudo, a meu ver, pleno de aspetos chocantes. Sublinharia, em especial, a postura ameaçadora, acintosa e ferozmente acossada do ex-primeiro-ministro, por um lado, e a incrível parcialidade e superficialidade de muitos alegados especialistas e homens de Estado, por outro. Não me querendo esticar muito na matéria, procurarei ainda assim elaborar um breve ponto de ordem identificativo de alguns dos tópicos que julgo merecedores de mais e nova atenção.

 

Primeiro: que este foi um processo politicamente condicionado desde o seu início ficou bem patente na vergonhosa forma como Sócrates foi detido no aeroporto de Lisboa, à saída do avião que o trazia de Paris, com câmaras televisivas e perseguições automobilísticas em direto – um marco imperdoável constitutivo de um pecado original que, à falta de melhor definição, terá uma responsabilidade assacável ao juiz Carlos Alexandre ou à sua zona de influência. Depois, vieram as agravantes de sucessivas fugas de informação e do seu cúmulo em escutas escandalosamente difundidas sobre o interrogatório de Sócrates – culpa de quem que não do(s) mesmo(s)? Antes, ainda tivéramos o detido em prisão preventiva sem culpa formada (e por razões de perigo de fuga, no mínimo discutíveis na circunstância) durante onze longos meses em que a acusação não vinha e a praça pública era permanentemente alimentada nos seus despeitos ou ódios. Por fim, e entre outros pontos, releva toda a questão da escolha do juiz, aparentemente um processo de legalidade muito duvidosa (para dizer o mínimo). Estes são lados em que a posição de Sócrates se tornou legitimamente suscetível de um capital de queixa – e isto tem de ser dito! – e em que, se os diversos intervenientes tivessem agido conformemente à lei e à moral pública, o tema poderia ter sido objeto de um tratamento, mais consonante com os factos propriamente ditos e não com os incidentes e as mentiras em presença (alegadamente ou não) que os afetaram.

 

Segundo: que Pacheco Pereira ou Lobo Xavier, para só referir estes de entre outros, confundam a sua avaliação subjetiva global do caso e do personagem político com a dispensa de uma análise objetiva do dossiê em questão não é de todo aceitável, porque tal não é suficientemente sério (ao evitar os pontos a que acima aludo com uma mera ultrapassagem dos mesmos assobiando para o lado). Como também não o são as certezas proclamadas por Miguel Sousa Tavares e Clara Ferreira Alves ou as convicções não fundamentadas de Marinho e Pinto e Filipe Santos Costa, mais uma vez entre outros. Sobram pela positiva intervenções, raras na sua pedagogia e construtivismo, como as de Manuel Magalhães e Silva e José Miguel Júdice (quando fala do que sabe...) – o que é manifestamente pouco, muitíssimo pouco mesmo.

 

Dito isto, e só depois disto dito, é que devemos descer ao concreto dos factos e das leituras melhor ou pior comprováveis deles, assim como à interpretação possível das várias gavetas do lamentável “megaprocesso” (incluindo a estratégia do Ministério Público e as opções tomadas pelo juiz Ivo Rosa no seu despacho instrutório) e das suas intrincadas complexidades de ordem jurídica (prescrições, nomeadamente). Temas onde não falta que dizer e especular e onde a “asneira” impressionista até pode ser considerada tolerável. Pela minha parte, a componente especulativa leva-me ao encontro de vícios e trapalhadas na “verdade” e na argumentação autocentrada e megalómana de Sócrates (facilmente rebatível pelas escutas e outros elementos constantes do processo, incluindo declarações próprias), enquanto no restante o meu entendimento é o de que devo fazer prevalecer o silêncio (dada a incompetência essencial de um economista que apenas conta no currículo com uma aprovação datada em algumas cadeiras de Direito). No entanto, o que já não posso aceitar, na estrita qualidade de cidadão e apenas com base nela, é que vivamos num país em que as regras formais do jogo democrático não são respeitadas (ou são provocadora e impunemente adulteradas), como claramente aconteceu no caso de José Sócrates. Repito, porque é crucial que o sublinhe: independentemente dos seus atos, das suas culpas, das suas contradições, das suas mentiras, das suas duplicidade, das suas exibições e das suas políticas, o arguido não devia ter sido julgado em praça pública com a conivência das autoridades judiciárias.

 

Ah, e quanto ao PS – no meio dessa súbita enxurrada de traições, covardias, repugnâncias e canalhices, além de referências justas ou injustas a mandantes e de não mais do que hipotéticas autocríticas ou reflexões reavaliadoras –, acho que prefiro tão-somente não me pronunciar...

quinta-feira, 15 de abril de 2021

O REGRESSO DA INFLAÇÃO?

 


(Nos tempos mais recentes têm surgido de vários quadrantes na economia mundial alguns sinais de alerta sobre o “aquecimento” sobretudo da economia americana, que não é mais do que a maneira como o jornalismo económico costuma designar a aceleração do ritmo do crescimento dos preços medido pela evolução de um dado índice ligado às despesas de consumo. Não é por acaso que a questão tem sido mais amplamente debatida nos EUA. Não nos esqueçamos que é na economia americana que vai estar em implementação o mais ambicioso plano de estímulos públicos à economia em tempos de pandemia. Por razões que não serão tema deste post, os riscos de aceleração inflacionista estão entre os argumentos contrários a grandes programas de estímulos públicos como o do Presidente Joe Biden.

A grande recessão de 2008 e as suas inúmeras e diversificadas sequelas como a crise das dívidas soberanas na União Europeia trouxeram ao horizonte macroeconómico das principais economias avançadas um panorama de taxas de juro de curto e longo prazo que ficou conhecido na gíria como “zero lower bound”, com taxas nulas ou mesmo negativas. Acompanhando este cenário, as taxas de inflação mantiveram-se regra geral abaixo da variação de preços que costuma ser associada a uma estabilidade monetária e constituir o referencial da ação exercida pelos Bancos Centrais, uma taxa em torno dos 2%. Relembremos que esta meta dos 2% é uma média e não um teto. Esta questão foi muito debatida entre os macroeconomistas. Houve mesmo quem defendesse que o novo normal recomendaria que os Bancos Centrais assumissem um referencial de inflação acima dos 2% para permitir mexer com o clima de “zero lower bound”.

Desde esse tempo e mais de dez anos passaram (como o tempo passa veloz!), houve vários assomos de fazer ressurgir o fantasma da inflação. Regra geral, esses alertas tiveram origem em centros de opinião interessados em que os Bancos Centrais abandonassem a perspetiva de assistirem impávidos ao crescimento dos seus balanços (aquisição em massa de títulos por parte do Banco Central). O jornalismo económico gosta de designar esses centros de opinião de “falcões” em contraponto às chamadas “pombas” defensoras de uma política monetária mais acomodatícia e menos restritiva. A base desses alertas provinha regra geral de comportamentos bolsistas com prenúncio de comportamento especulativo e, regra geral, tais comportamentos antecipam processos de aceleração inflacionária.

Nenhum desses alertas se revelou efetivo. Até porque as expectativas que os agentes económicos continuaram a alimentar quanto à inflação a longo prazo (valor associado pelos investidores a títulos com maturidades de longo prazo) persistiram em torno de valores baixos que não ultrapassavam o referencial das metas estabilizadoras do Banco Central. Como Bradford DeLong (link aqui) corretamente o assinala para a economia americana, se a inflação observada desde a Grande Recessão tivesse correspondido à meta média do FED USA, o nível de preços nos EUA seria 9,6% mais elevado do que é realmente.

A controvérsia inflacionária parece ter agora regressado com o quadro prospetivo pós-pandemia e quando a economia americana está a braços com o maior importante estímulo público da sua história recente. Como seria de esperar pelos argumentos que aduzi anteriormente.

Nestas coisas, o melhor é ir à fonte e a Casa Branca funciona bem e é acessível. Dois economistas a trabalhar na equipa de Biden, o primeiro bastante conhecido da blogosfera económica que frequento regularmente, Jared Bernstein e Ernie Tedeschi, publicaram em 12 de abril (link aqui) um texto extremamente pedagógico e informativo. O que ressalta essencialmente desse texto é a inexistência de referenciais histórico-comparativos para um quadro pós-pandémico desta magnitude e natureza. Significa isto que o processo vai ser monitorizado com máxima cautela, antecipando a incidência de alguns fatores temporários e não esperando grandes alterações nas condições de longo prazo essencialmente determinadas pelos agentes económicos e investidores em geral. A leitura do texto é um excelente contributo à literacia económica (todos os jornalistas económicos da nossa praça deviam estudá-lo), recomendando-o também aos estudantes de licenciatura.

Bernstein e Tedechi elencam entre os fatores transitórios três tipo:

  • Os chamados efeitos de base, decorrentes da situação de baixos ritmos de inflação que a pandemia trouxe consigo, cuja principal consequência é a dificuldade provocada aos economistas para estimarem a tendência da inflação, ou seja distinguirem entre o que é movimento de preços de correção da descida anteriormente observada e o é movimento mais estrutural do pós-pandemia;
  • As distorções e perturbações registadas nas cadeias de oferta mundiais, tipicamente o que os economistas costumam chamar inflação-custo, em que a transitória escassez de oferta pode repercutir-se em preços mais elevados nos clientes; foi o que intuímos ter acontecido na oferta de portáteis, de componentes para a indústria automóvel que levou à paralisação temporária da AutoEuropa e na oferta de matérias primas (a nossa última estante para Seixas confrontou-se com falta de abastecimento de faia, em parte também induzida pela crise do Canal de Suez. Uma interrogação persiste nesta matéria: qual vai ser o estado da globalização no próximo futuro?
  • E, finalmente, a chamada “procura reprimida”, consumo adiado pela pandemia, poupanças acumuladas durante um ano com vários períodos de confinamento apesar do comércio on line ter disparado; em estreita correlação com a evolução e ritmo do processo de vacinação, esta procura reprimida ou adiada vai aparecer em mercado. É o que os manuais costumam designar de inflação-procura.

Todos estes fatores se antecipam com efeitos transitórios. É óbvio que se estes movimentos transitórios fossem acompanhados de alterações profundas das expectativas a longo prazo outro galo cantaria. Em função do que os investidores em títulos de longo prazo estão a pedir como compensação da inflação, que não se afasta, antes se acomoda às perspetivas dos Bancos Centrais, Bernstein e Tedechi antecipam que a longo prazo nada de novo se espera quanto às expectativas inflacionárias.

Quer isto dizer que o Programa de Biden não encontrará por este lado um contexto desfavorável à sua implementação. Se ele pode funcionar como combustível para essas expectativas isso é questão para outro post. Para já, os “falcões” terão que encolher de novo as suas garras, até porque mesmo antes da pandemia não era totalmente líquido que a economia americana estivesse próxima do seu produto potencial. O FED USA, ainda no tempo de Janet Yellen, tinha iniciado a boa prática de recorrer a um quadro compósito de indicadores para medir a proximidade ao produto potencial, abandonando a perspetiva limitada de o medir apenas a partir da taxa de desemprego.

Como é retribuidor ver economistas que sabem do que falam a mexer na coisa pública. Bons ares se respiram nesta matéria.

ARTUR GARCIA

Morreu Artur Garcia, um dos “ídolos” da música ligeira portuguesa dos anos 60. Nunca nada conheci de interessante sobre a personagem em si própria, apenas sei que nada de especial o recomendava enquanto artista. Mas com a notícia a cair-me no telemóvel vieram-me à cabeça flashes desencontrados de uma outra época, uma época de que ele foi parte ativa do entretenimento animado por um regime que não apenas era pouco recomendável como era, sobretudo, altamente deficiente em termos culturais (os festivais da canção eram verdadeiros happenings nacionais!). Vivi parte desses tempos enquanto criança ou jovem adolescente e acompanhei naturalmente os seus diversos cânones de alienação ou inculcação, até ter podido adquirir uma outra consciência do que estava em causa e do muito que podia ser diferente.

 

Liberto a memória, sem fazer qualquer esforço de busca ou ordenamento. No futebol, tínhamos o Eusébio e aquele Benfica só composto por jogadores de nacionalidade portuguesa (embora uma boa parte fossem africanos das colónias) que ganhou duas taças dos campeões europeus (entre uma linha avançada com José Augusto, Santana, Águas, Coluna e Cavém e uma seguinte com José Augusto, Eusébio, Torres, Coluna e Simões), sendo o resto paisagem (desde que se havia esfumado a vã glória dos “cinco violinos”) ou província (de onde despontavam, de vez em quando, uns craques tão mais aplaudíveis quanto incapazes de fazer real mossa em termos coletivos). No ciclismo, havia Mário Silva, Peixoto Alves e João Roque (um de cada clube grande), mas também Sousa Cardoso, Joaquim Leão, José Pacheco ou Jorge Corvo (Joaquim Agostinho foi um cometa surgido um pouco mais tarde no Tour de France). Na crítica desportiva, tudo era reconduzido a “A Bola” e àqueles seus nomes míticos (Vítor Santos, Carlos Pinhão, Alfredo Farinha e Aurélio Márcio, entre outros), assim como ao inesquecível expoente televisivo que era Alves dos Santos. Nos ecrãs, primavam os apresentadores Henrique Mendes, Isabel Wolmar e Fialho Gouveia, ao lado de um famoso e menos presente casal (Pedro Moutinho-Maria Leonor) e do impagável Fernando Pessa. Do teatro, e fora dos grandes clássicos e dos protagonistas daquelas ótimas peças televisivas semanais (Paulo Renato, Rogério Paulo e Varela Silva ou Eunice Muñoz, Ivone Silva e a jovem Guida Maria), cito já de uma certa fase de transição João Lourenço e Irene Cruz ou Rui Mendes e Henriqueta Maya. Algumas figuras também pontuavam pela sua presença televisiva mais ou menos recorrente (do Eng. Sousa Veloso ao inspetor Artur Varatojo, de António Lopes Ribeiro a Raul Solnado, do poeta Manuel Homem de Mello aos momentos de absoluta diferença que, a dado momento de distração, foram tolerados a João Villaret). E chego à canção, onde dominavam António Calvário, Artur Garcia e João Maria Tudela (por esta ordem, com Francisco José e Max como outsiders) e Simone de Oliveira e Madalena Iglésias disputavam as preferências maiores no feminino (onde também recordo Maria Clara, Maria de Lurdes Resende, Paula Ribas ou Maria José Valério); a música era outra no fado (de Amália Rodrigues a Hermínia Silva ou de Alfredo Marceneiro a Tony de Matos ou Fernando Farinha), mas a linguagem era mais codificada e o público aficionado mais circunscrito; evoluções de final de década, acompanhando a procura de outras leituras, trouxeram o Duo Ouro Negro e o Quarteto 1111 ou o Conjunto Académico João Paulo e os Sheiks, com a intervenção cada vez mais à espreita (de Adriano Correia de Oliveira a José Afonso, de José Mário Branco a Manuel Freire, de Francisco Fanhais a Fausto).

 

E por aqui me fico, consciente do espontaneísmo extremo deste post. Apeteceu-me, pronto, peço desculpa pelo facto e pelo mau jeito (ou falta dele). Sendo que, às vezes, há pretextos inexplicáveis para que as marcas que nos ficam indelevelmente registadas como produto da nossa circunstância forcem ímpetos inimagináveis, mesmo que seja para discorrermos sem grande sentido e, assim, acrescentarmos poucochinho.

quarta-feira, 14 de abril de 2021

DICIONÁRIO

 


(Uma notícia no El País, link aqui, centrada na décima atualização do Dicionário Histórico da Língua Espanhola sugere-me algumas analogias com a evolução do nosso próprio universo linguístico em tempos de pandemia. Há palavras das quais dificilmente nos livraremos, e que voluntariamente não esqueceremos, ditadas por este estranho e novo habitat em que estamos mergulhados.

Os registos proclamam que os senhores desta casa estão inseridos na chamada e também atribulada fase 2. Afinal passaram apenas 14 dias de abril, espera-se um contacto do centro de vacinação. Chegam-nos notícias contraditórias de gente amiga que foi vacinada na fase 1 quando pertencia à fase 2, algumas das quais decorrentes da intervenção humana do médico de família ou assistente regular, sabe-se lá com que critérios, por isso sempre achei que quanto menos intervenção humana não oficial melhor, pois sabemos o que a casa, não a minha mas a portuguesa, gasta. Entretanto, o que nasce torto a nível europeu dificilmente se endireitará, todo o bicho careta presta declarações e começa-se a desenhar a hipótese da Comissão e a União Europeia desligarem de vez da AstraZeneca, que continua a ser entendida e reconhecida como a vacina inglesa. A situação complicou-se com a decisão dos amigos Americanos quanto à vacina da Jansen (Johnson&Johnson), aquela da única dose para preencher o seu efeito, e continuo à espera de uma explicação plausível para os casos trombóticos dos tais malditos coágulos. Todo o planeamento é contingencial e a suspensão da vacina da Janssen obrigará obviamente a novos planos. A Europa no seu melhor dispara para todo o lado com medidas unilaterais (até tu Ó Calma Dinamarca!) e os amantes do cabalístico encontrarão matéria suficiente para glosar o tema “a vacinar também se faz a guerra, comercial claro está”. De todo este ruído retiro uma importante conclusão. A vacina metodológica e cientificamente mais inovadora e por isso potencialmente mais arriscada, a da Pfizer e também da Moderna, com a informação disponível hoje, parecem portar-se bem, o que evidencia a proeza científica que a caracteriza. Cientificamente otimista como sou, acho que a ideia central a partir da qual as vacinas da Pfizer/Biontech e da Moderna foram concebidas não vai ficar por aqui em matéria de nos surpreender. Outras aplicações irão surgir.

Pelo andar da carruagem o melhor será renovar o stock de máscaras, para as adaptar ao vestuário de verão, é preciso manter a autoestima. O festim das papilas gustativas que viria associado à revisita da Sicília lá terá de ficar para outro ano que não em 2021.

E como os linguistas espanhóis o compreenderam, o nosso léxico verbal e escrito vai impregnar-se de tudo o que vem associado à pandemia, começando com a palavra coronavírus que veio para ficar. Mas a notícia do El País sobre a décima atualização do Dicionário Histórico da Língua Espanhola traz-nos outras preciosidades, como coronaplauso, covidiota (esta é a de que eu gosto mais), bebécorona (separado? bebé corona?) e outras mais que a nossa imaginação nos poderá ajudar a construir. E isto para não falar de outras palavras que andavam pelos domínios da experimentação ou da utopia e que, de repente, se juntaram às nossas vivências diárias, como o teletrabalho.

Assim sendo e cultivando a paciência como se trata uma flor ou planta que queremos preservar, apetece dizer …

Coronaplausos para quem os merecer e combate sistemático e feroz aos covidiotas deste país!