sexta-feira, 8 de maio de 2026

DO YOU SPEAK ENGLISH?

 

Hoje abordo aqui uma matéria levezinha: assumido o inglês como a língua universal do mundo de hoje, fui à procura de avaliar o nosso posicionamento num ranking internacional sobre a proficiência dos cidadãos de 123 países (“English Proficiency Index, divulgado pela “Education First”) no uso do referido idioma e, partindo dum princípio de experiência feito que me levava a intuir quanto estamos melhor do que os macarrónicos espanhóis e franceses (por exemplo), de confirmar tal facto e de assim nos posicionar no contexto relativo das chamadas línguas latinas. Vejam-se os resultados sintetizados no mapa e no quadro abaixo.



A confirmação que procurava surge isenta de qualquer dúvida, quer porque Portugal ocupa o 6º lugar mundial em termos de domínio da língua inglesa, cabendo no grupo dos 15 países considerados como detentores de grau muito elevado de proficiência, quer porque, de entre os outros países cujas línguas-mãe são latinas, só a Roménia pertence a este mesmo grupo (embora sendo 11º classificado do ranking), ficando Espanha, França e Itália no grupo dos países de proficiência moderada (ocupando, respetivamente, as 36ª, 38ª e 59ª posições – afinal, parece que os italianos ainda são piores do que os hispânicos e os gauleses). O mapa da Europa abaixo reproduzido é igualmente muito claro sobre onde e com quem estamos (bem acompanhados) na matéria em apreço.


Detalhando a dita proficiência a quatro níveis (leitura, escrita, fala e escuta), o quadro seguinte revela-nos ainda que somos relativamente melhores a ler do que a ouvir, a ouvir do que a escrever e a escrever do que a falar. Por outro lado, os homens surgem como ligeiramente mais capazes do que as mulheres, os jovens de 21 a 25 anos como o grupo etário mais competente e a cidade de Coimbra e a região Centro como aquelas em que a aptidão em causa é maior (revelador que sejam a Galiza e Vigo as correspondentes em Espanha). Por fim, note-se ainda o facto de as nossas faculdades menos salientes (escrita e fala) fazerem com que os romenos nos superem nos sub-indicadores a tal correspondentes.

 

Deixo as possíveis explicações para os resultados encontrados para os especialistas. Ainda assim, considerei curioso, e de algum modo indiciador, o facto de um paper da NBER (“Movie Subtitles and English Language Acquisition”) concluir que “os países que usam legendas em vez de dobragem nos conteúdos televisivos estrangeiros demonstram proficiência maior em Inglês”. O quadro seguinte (que também integra o score em Matemática, que aqui não explicitarei) ilustra-o cabalmente, tanto mais quanto Portugal e a Roménia são precisamente os países de língua latina que legendam os filmes, ao invés de Espanha, França e Itália que os dobram. Não estamos, obviamente, perante uma elucidação completa e cabal de uma questão complexa e variada em elementos de elucidação, mas a verdade é que temos aqui um raro tópico em que as opções do Estado Novo, mesmo que por más razões de disponibilidade de recursos e de nacionalismos serôdios, parecem ter sido de efeito justo.


quinta-feira, 7 de maio de 2026

JOSÉ PENEDOS

Sei bem que na hora da morte somos todos iguais, mas também não ignoro que na vida nem sempre o fomos ou quisemos ser nessa medida. Vem isto a propósito do falecimento de José Penedos (JP), um importante militante do PS de Coimbra (onde constituiu família, embora sendo natural de Vieira do Minho) que foi secretário de Estado da Indústria e Energia do primeiro governo de António Guterres – momento em que o conheci bem por ser, então, seu colega no ministério que Augusto Mateus comandava – e, depois, da Defesa Nacional e que chegou a ser presidente da REN (Rede Elétrica Nacional), terminando a sua vida de modo algo indigno ao ser condenado a pena de prisão no âmbito do processo “Face Oculta” por favorecimento de empresas do sucateiro Manuel Godinho (a par de Armando Vara e do filho Paulo Penedos). Guardo de JP duas perspetivas com larga dose de contraditório: a de uma pessoa rápida nas perceções, perspicaz no diagnóstico e eficiente na decisão, o que nem sempre se acolha em excesso devido à consabida máxima do “depressa e bem”, e a de uma daquelas pessoas presumidas que reage diferentemente consoante o poder ou o interesse que reconhece ao interlocutor. Ficou-me para sempre gravada a resposta que me deu no dia em que lhe pedi algo em razão da morte do meu avô, mas não será por isso que deixarei de aqui referenciar uma qualidade de JP que integrava os cânones do modo de estar dos homens e dos políticos nos tempos da sua idade ativa: a de um defensor incansável e intransigente dos seus e/ou daqueles que assim considerava (o que lhe poderá ter valido alguns amargos de boca partidários e até de ambição política – foi claramente preterido por Guterres na sua pretensão de ascender a ministro da Economia por queda de Daniel Bessa – e, mesmo, em termos das dinâmicas familiares que se construíram em seu redor). JP terá sido um bom exemplo de alguém que foi feliz à sua maneira enquanto tal foi viável e que fez o currículo possível em função das suas circunstâncias, mas também não deixou de ser um daqueles exemplos ilustrativos de que talvez tivesse valido mais a pena ter encarado a vida com a atitude de humildade a que ela necessariamente acaba por obrigar – que descanse em paz!

O QUE SE ANUNCIA NA ALEMANHA

 


(Faz-nos hoje falta o pensamento do historiador e escritor britânico Tony Judt para, se fosse vivo, nos ajudar a compreender o que vai sendo anunciado pela Alemanha e o que aí se anuncia em termos de posicionamento europeu e mundial. A história do século XX que Judt tão minuciosamente analisou mostra-nos com clareza como os acontecimentos em que a Alemanha esteve envolvida foram cruciais para compreender a dinâmica evolutiva da história. Do seu envolvimento derrotado na 1ª Guerra Mundial, seguindo-se depois a disparatada exigência com que as indemnizações de guerra foram impostas aos alemães, que Keynes premonitoriamente denunciou, até ao período entre as duas guerras, ascensão, apogeu e derrota do nazismo na 2ª Guerra Mundial, fica uma sequência de acontecimentos que paira sobre a cabeça dos líderes alemães, não propriamente como uma ameaça, mas como fonte de suspeições, desconfiança e má consciência. Neste momento do desenvolvimento europeu, já é questionável o estatuto de motor de crescimento que foi atribuído à Alemanha, algumas vezes oculto na referência ao eixo franco-alemão. Não é que o modelo económico alemão esteja totalmente desacreditado, não é isso. O que se passa é que esse modelo enfrenta constrangimentos e fragilidades dos quais a União Europeia tardou a dar conta, pelo que estaremos mais perante um motor que já não funciona com a perfeição que lhe era atribuída. Mas não é no plano económico que gostaria de me concentrar hoje. Pelo que se vai percebendo do que está a ser decidido pela coligação no poder e pela presença mediática das declarações do Chanceler Merz vislumbram-se alterações de peso na política alemã, sobretudo no que respeita à relação entre as opções a tomar no campo da segurança e defesa e o próprio modelo social alemão ou Estado de bem-estar conforme lhe queiramos chamar. Mais do que a superação dos constrangimentos do modelo económico alemão, são estas questões de segurança, defesa e modelo social que interessa discutir, pois a evolução alemã pode representar uma viragem expressiva no modo como essas questões são debatidas na Europa.)

Conforme é compreensível a partir de uma leitura atenta da história, o rearmamento alemão sempre foi encarado internamente com a maior das cautelas. É como se essa orientação suscitasse velhos fantasmas, dos quais os governos alemães do pós- segunda guerra mundial procuraram convictamente afastar-se, no sentido de reganhar a confiança dos restantes parceiros europeus. Entretanto, com a integração da Alemanha de Leste, soviética de origem e orientação, os governos alemães tiveram vasta matéria para gerir internamente. Mas o contexto atual, primeiro com a ameaça concreta russa que apanhou Merkel desprevenida e depois com a posição da administração Trump em relação à Europa, dificilmente poderiam ser entendidos com condescendência. Recordemos que a primeira vez em que os americanos abriram as hostilidades foi num evento, a conferência de Munique, por isso no coração da Alemanha rica, através da inenarrável posição de J.D. Vance que veio denunciar a alegada restrição da liberdade da extrema-direita da AfD poder fazer as tropelias desejadas. Merz veio recentemente relativizar a decisão de Trump retirar cerca de 4.000 militares americanos de território alemão, já que se trataria de destacamentos de implantação provisória, logo predestinados a um regresso às suas bases nos EUA. A retirada destas tropas não é assim o elemento essencial da equação. O fundamental é a manifesta má vontade americana para continuar de parceria com a Europa e isso parece indiscutível quando se apoiam forças políticas interessadas em minar por dentro a democracia alemã e europeia em geral.

Com este contexto, toda a má consciência existente sobre o rearmamento alemão teria de se esbater e o pragmatismo alemão orientar-se para investimentos disruptivos relativamente ao passado em matéria de segurança e defesa. Assim parece estar a acontecer e os alemães, embora na retórica política continuem a clamar ela necessidade de manter a aliança atlântica com os EUA e a preservação da NATO, estão a programar investimento como se essa aliança se transformasse em relíquia. Até aí tudo seria expectável, o mesmo podendo ser dito quanto à União Europeia em geral. Esperar por uma mudança política nos EUA pode representar uma ingenuidade perigosa.

Mas a questão é bem mais vasta e complexa do que este ganho de realismo, alemão e mais tarde ou mais cedo, europeu em geral. O mais importante disto tudo é que o governo alemão de Merz parece decidido em colocar na equação a própria transformação do modelo social alemão, estando disposto a “economizar” no estado de bem-estar para acomodar os investimentos em defesa e continuar a criar condições favoráveis ao crescimento económico. Estamos assim reconduzidos a uma velha questão que os manuais de introdução à economia de Paul Samuelson popularizaram – o trade-off entre canhões (defesa) e manteiga (estado de bem-estar e social). Há gente por aí mais ousada que já fala de” canhões versus pensões”, onde é fácil perceber o oportunismo dos que nunca desistiram de querer desmantelar os sistemas de pensões do estado social, privatizando-os à luz de muito discutíveis argumentos de insustentabilidade do sistema.

Vai ser fundamental acompanhar que tipo de réplicas esta transformação de modelo irá gerar em países como a França em que a rigidez desse Estado social é muito mais acentuada. Veremos também como o modelo social escandinavo reage também a esta pressão. É neste contexto que teremos de entender o combustível incendiário colocado neste debate quando Ventura e o Chega se propõem defender a descida da idade da reforma ou a supressão da esperança de vida à nascença como critério de regulação. O objetivo é claro – aumentar a confusão e gerar o caos, puro e simples.

À medida que o tempo se consolida mais se percebe a ameaça estrutural que paira sobre a Europa e o seu modelo social. Não é difícil antecipar que todos estes acontecimentos exógenos convergem no sentido de abalar esse edifício, a ponto de não ser imaginação excessiva falar de convergência orientada de acontecimentos exógenos. E como a história do sub (desenvolvimento) nos ensina este tipo de ameaças exógenas encontra sempre internamente os agentes acolhedores, que neste caso são os interessados na privatização alargada dos sistemas de proteção social.

Será que a esquerda democrática compreenderá finalmente onde está a verdadeira ameaça e deixará de contemplar as minudências do seu umbigo?

 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

DO ABOMINÁVEL AO DEPLORÁVEL!

Escabrosa a notícia por estes dias divulgada de evidências de tortura – com adicionais e variados requintes de malvadez! – nas esquadras do Rato e do Bairro Alto em Lisboa, pela mão de agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP), incluindo dois chefes. Uma notícia que se segue a outras, menos mediatizadas, com especial destaque para a “Operação Safra Justa” (tráfico de imigrantes) ou para o bárbaro assassinato de um cidadão ucraniano nas instalações do SEF do Aeroporto Humberto Delgado (situação de ofensa grave e qualificada à integridade física que vários testemunhos declararam como alegadamente recorrente). Algo vai muito mal nas forças de Segurança, seja nos critérios de recrutamento, na formação prestada, na atenção e no exercício da hierarquia ou um pouco em cada uma das hipóteses aventadas. Como reagir a isto senão perguntando com firmeza e revolta: como é possível sabermos que coisas desta selvagem e desumana natureza acontecem em plena Capital no Portugal de 2026?

 

Pois a verdade é que o líder da extrema-direita nacional, André Ventura, veio de imediato aproveitar-se dos factos denunciados para demagogicamente se atirar ao ministro da Administração Interna, acusando-o de “fazer gala destas ações contra a polícia em vez de ser o representante da defesa das forças do Estado e de segurança”, por um lado, de “dar a entender que todo o comportamento da polícia é desviante, que os agentes, homens e mulheres na sua maioria, são criminosos ou tendencialmente criminosos, e tiramos-lhes a autoridade”, por outro, e de “desvalorizar a polícia” e de contribuir “para o aumento do sentimento anti polícia que existe em Portugal”, por fim. Acrescentando ainda que tal atitude de Luís Neves corresponde a, “em vez de valorizar a insegurança que se vive todos os dias nas nossas ruas, nas nossas cidades e nas nossas vilas”, “escolher a narrativa dos polícias mal comportados, contra os polícias que devem ter a autoridade de agir, capacidade de agir e ferramentas legais para agir”. Que vergonha eu tenho de pertencer a um povo que se deixa conduzir por discursos oportunistas que exploram argumentos desculpabilizantes dos factos relatados em nome de sórdidas ambições de poder. 

(Henrique Monteiro, http://henricartoon.blogs.sapo.pt)

A IRREVERSIBILIDADE DA BELA E SUSTENTADA AVENTURA DO INESC TEC

 


(Chegou-me hoje à caixa do correio eletrónico o Relatório de Atividades de 2025 do INESC TEC e o seu valioso conteúdo é um belo e fundamentado pretexto para uma breve reflexão sobre o que a trajetória desta instituição representa como indicador do que pode ser a evolução da ciência e tecnologia em Portugal. Acompanhei de perto no âmbito da minha vida académica e profissional a génese da criação das instituições de interface Universidade-empresa, fortemente alimentada por gente ligada à tecnologia que regressava ao país com doutoramentos de grande qualidade realizados em instituições americanas e europeias muito prestigiadas. A visão que traziam da ciência e tecnologia que por lá se fazia contrastava obviamente com o estado de letargia das instituições universitárias, com algumas exceções de que seguramente a Faculdade de Engenharia do Porto era um bom exemplo. A dinâmica dessas instituições de interface cedo se revelou uma lufada de ar fresco no sistema científico e tecnológico, com progressão não necessariamente homogénea, mas abanando definitivamente a instituição universitária e a investigação e desafiando a própria Universidade a conviver com essa nova realidade institucional. O que me parece espantoso no INESC TEC, fórmula institucional que resultou ela própria de inovação institucional e de autonomização de um projeto que começou com dimensão nacional, o INESC, é o modo de êxito com que se processou a evolução geracional na instituição. Hoje, quando leio o relatório de 2025 e me fixo nas fotografias que o acompanham já obviamente não reconheço praticamente ninguém da geração que fez a “revolução na ciência e tecnologia” (com exceção do Professor José Manuel Mendonça), embora muitos deles estejam ainda ativos como Professores Eméritos. Mas a maneira como a sucessão aconteceu é seguramente um caso de estudo numa instituição que já ultrapassou os 40 anos de vida e que continua a notabilizar-se com uma trajetória de progressão, que honra o próprio conceito de inovação.)

Os números que o referido relatório projeta na nossa atenção são de facto um espanto, mostrando-nos com evidência suficiente o que é efetivamente uma massa crítica de investigação e translação de conhecimento, em oposição clara aos movimentos de atomização e não consolidação institucional que resultam frequentemente da multiplicação de iniciativas em busca de financiamento quje por vezes se instala neste domínio.

Os números publicados são, de facto, impressionantes. Chegar praticamente a em 2025 aos 40 milhões de euros de financiamento, dos quais a maior fatia (15,5 milhões de euros de programas de cooperação com a indústria, quase 40%), representa um feito, que é em si um farol de orientação para a investigação e transferência de tecnologia. O financiamento via FCT foi apenas de 1,6 milhões de euros, os serviços e consultoria de investigação nacional e internacional de 3,9 milhões de euros e o financiamento europeu (beneficiário destacado do programa HORIZON) 11,6 milhões de euros. A ideia de massa crítica agiganta-se quando percebemos que a massa de recursos humanos é de 1.199, dos quais 272 têm ligações a Faculdades, que 401 dos investigadores em exercício têm doutoramento e que acolhe ainda 125 técnicos de I&D com doutoramento, a que se juntam mais 166 técnicos de I&D.


Com base na AMP, a rede INESC TEC transcende hoje essa localização, como a figura anterior o evidencia.

É importante assinalar que o INESC TEC se afirma cada vez mais como uma instituição de ciência e de tecnologia. As suas áreas científicas com investigação relevante publicada estão bem definidas: inteligência artificial, bioengenharia, comunicações, ciência e engenharia de computadores, fotónica, energia, robótica, engenharia e gestão de sistemas. Mas a dimensão da inovação está bem definida, aliás comprovada pelos resultados alcançados em termos de registo de patentes (56 famílias de patentes ativas): agroalimentar, comunicações, energia, saúde, indústria, mar. Nesta última dimensão, o INESC TEC tem sido uma das raras instituições nacionais consequentes em matéria de investimento na nossa tão proclamada vocação marítima. O recente lançamento do INESCTEC.OCEAN, Centro de Excelência em Investigação e Engenharia Oceânica, assinala bem a coerência desse empenho, capitalizando conhecimento que a instituição tem desenvolvido em áreas que cruzam a economia azul, como a robótica marinha e a energia, por exemplo.

A trajetória traçada pelo INESC TEC nestes 41 anos de atividade mostra com clareza como é possível desenvolver no contexto de uma instituição de referência uma articulação inteligente entre investigação científica, inovação e transferência de conhecimento e tecnologia. O que não significa que essa mesma instituição não seja dinâmica na cooperação no interior do próprio sistema de inovação regional Norte e também no próprio sistema nacional de inovação.

Penso que a Faculdade de Engenharia do Porto tem gerido bem a interação com uma instituição que teve nela a sua origem, o que não significa inexistência de tensões e a própria Universidade do Porto pode capitalizar o facto de ter no seu ecossistema uma instituição com esta pujança.

Instituições como o INESC TEC, mas também como o INEGI e o I3S, por exemplo, são em meu entender o farol para seguir e orientar a evolução do sistema científico e tecnológico nacional. Obviamente que nem todas as instituições existentes conseguirão atingir a excelência e a massa crítica aqui bem evidenciadas. Mas esta parece ser a orientação certa. E a dinâmica de autonomia que estas instituições tenderão a consolidar significará que serão as Universidades a ter de adaptar-se a esta realidade e não o contrário. Por isso, considero que a leitura deste relatório de atividades é uma excelente oportunidade para compreender os rumos futuros do sistema de ciência e tecnologia em Portugal. Oxalá assim suceda e que a nova Agência, que funde a FCT e a ANI, mesmo que criticada, possa compreender que esta é a orientação mais promissora.