Nos últimos tempos tenho tido perceções fortes no sentido de que algo de muito grave pode estar no nosso horizonte de curto/médio prazo. Trago aqui o assunto hoje na sequência da capa do “El Mundo” (EM) acima reproduzida, mas a verdade é que as ameaças russas vêm ganhando uma expressão preocupante e que, até no meu bem delimitado canto, já se fizeram sentir de viva-voz. Sem pretender ser alarmista nem especulativo em demasia, recordo o Relatório do Serviço de Investigação do Congresso dos Estados Unidos (CRS) lançado em 11 de agosto (“Russian Hybrid Warfare Activities in Europe”), os recentes avisos de Macron sobre a intensificação dos riscos de ataques híbridos da Rússia contra a Europa e a França (“reais e documentados”, na palavra do seu ministro do Interior) e as suas imediatas e excecionais decisões em torno da preparação de um plano de proteção das infraestruturas críticas nacionais, a misteriosa viagem do diretor da CIA (John Ratcliffe) a Moscovo e o incidente do aeroporto de Leipzig, as recorrentes notícias de agressões variadas que nos chegam da Polónia, da Lituânia ou da Dinamarca (entre outros países da União) e uma conversa assustadora que tive com um agente de ligação entre a Comunicação e a Defesa à escala europeia em que surgiu como central a probabilidade de que as escaramuças e provocações possam desembocar numa guerra de largo alcance.
Neste quadro, adquire um maior grau de credibilidade a informação do EM, proveniente o serviço de inteligência americano, de que a Rússia prepara uma escalada de novos ataques na Europa com drones lançados do mar, desta vez dirigidos a países mediterrânicos (França, Itália e Espanha), seja para testar pontos vulneráveis ou para dar sinais de força e capacidade para contrariar a imprevisibilidade. Em todo o caso, e isto releva largamente para o interesse português, resulta também claro que, ao contrário do que alguns procuram veicular, “a distância relativamente à fronteira russa não garante a segurança”. Ou seja: a loucura que tomou conta do mundo (wherever) não dá tréguas, a Europa está numa situação de enorme fragilidade (defensiva e ofensiva, para além da descoordenação nacionalista que impera) e Portugal não se encontra imunizado, por razões alegadamente associadas à sua pequenez e localização e por muito que se distraia com distribuições de “migalhas” ou lamentáveis chicanas parlamentares, em relação aos perigos generalizados que crescem no horizonte – o que nos deveria conduzir, pelo menos, a mínimos de preparação das respostas necessárias ou possíveis (que não provirão do Papa, caro Presidente Seguro, dos sinos de Wall Street, prezado Luís ou de voltas temáticas ao País, estimado José Luís Carneiro, muito menos da correria obsessiva com que Ventura não cessa de minar as instituições que por cá ainda conseguem funcionar) a cenários potencialmente dramáticos...









