quinta-feira, 23 de julho de 2026
OS CANADIANOS JÁ PREFEREM OS CHINESES!
quarta-feira, 22 de julho de 2026
A DIVERSIDADE E MESTIÇAGEM COMO FORÇA COLETIVA
(A vitória da força coletiva da Espanha, acomodando todos os talentos individuais que se afirmam e despontam nesta seleção, demonstrou também o contraponto com a inferioridade de outras equipas em que os egos e talentos individuais se sobrepuseram ao coletivo, Portugal incluído. Mas o regresso a casa de La Roja, enchendo as avenidas e praças de Madrid, mostrou também como, neste caso, o futebol suplantou a polarização política que varre a sociedade espanhola. Mas não se trata de um futebol qualquer. A diversidade e a mestiçagem estruturam a sociedade espanhola e, como bem o sublinhou o jornalista Fernando Salgado da VOZ DE GALÍCIA, liderada por um homem exemplar cujas características de “Católico, amante dos touros e espanhol sem complexos” somaram à diversidade atrás referida, não a diminuindo, antes a reforçando. A seleção espanhola é, assim, um exemplo vivo de como a diversidade suplanta sempre a sensaborona monotonia da homogeneidade, neste caso colocando essa diversidade e mestiçagem ao serviço de uma força coletiva exemplar. As rastras de Nico Williams com a sua elástica cabeçada dirigida ao artístico pé esquerdo de Ferran Torres, o catalanismo de Cubarsi, a excentricidade de Cucurella, a contemplação muçulmana de Lamine Yamal, a bandeira galega de Borja Iglesias e a canária de Pedri tudo isso conviveu na insuperável força coletiva daquele conjunto. Que bela metáfora do valor da diversidade e da mestiçagem nos deu a seleção espanhola. E como o jornalista galego rematou como sentença final, durante todo este período nem um pio se ouviu do truculento Abascal. Pudera …)
terça-feira, 21 de julho de 2026
ANDY IN CHARGE
segunda-feira, 20 de julho de 2026
O FUTEBOL DE BAIRRO FOI ESMAGADO
(A americanada do Mundial 2026 lá terminou e a alocução de Tom Cruise no início da final ficará para a história como uma das mais refinadas manifestações de retórica da hipocrisia, sobretudo no contexto dos EUA de hoje, que apontam para tudo menos seguramente para a ideia de harmonia mundial inclusiva que Infantino e seus pares pretenderam transmitir. No plano mais futebolístico, não me recordo de uma final em que se tenha registado um amasso tão evidente como aquele que a equipa de Lafuente proporcionou, só pecando por tão fraca capacidade de concretização de um domínio tão avassalador. O futebol de bairro argentino tinha conseguido passar pelos pingos da chuva nas eliminatórias anteriores, num misto de raiva e do talento de Messi e durante o jogo de ontem fiquei com a convicção de que os jogadores argentinos se sentiam protegidos por alguma mensagem divina, esperando que algum milagre se produzisse nos últimos minutos do jogo e do prolongamento, admitindo até que essa esperança se estendesse às grandes penalidades. Mas terminar o tempo de jogo sem um remate à baliza da Espanha equivale a levar essa esperança divina aos limites do incomportável. E, como sempre acontece, a rebeldia e matreirice do futebol de bairro tendem a morrer com as suas próprias manhas, algo que cruelmente se revelou com a expulsão sem espinhas do Enzo Fernández, colocando nas cordas a vulnerável seleção argentina.)
A classe coletiva, que ofusca os inúmeros talentos individuais, da equipa da Espanha produziu um gigantesco amasso da rebeldia argentina e só espanta que os argentinos tenham conseguido conter no parco 1-0 as suas insuficiências, disfarçadas até à final. Do ponto de vista comportamental, a seleção espanhola foi exemplar, resistindo a todas as matreirices e provocações argentinas e no plano da estratégia de jogo, como alguém luminosamente dizia, impedir que Messi tivesse a bola e fosse obrigado a correr para alcançar essa possibilidade apagou qualquer oportunidade de êxito aos argentinos, que se dispuseram a defender e esperar pela tal inspiração divina.
Talvez se o golo espanhol tivesse aparecido mais cedo o futebol de bairro tivesse ousado uma outra resposta, como a que conseguiu oferecer nos últimos minutos, nos quais duas falhas defensivas espanholas colocaram no ar a possibilidade de uma vez mais a seleção argentina conseguir o impossível. E não esteve longe, diga-se.
Mas a força e organização coletivas da Espanha ficam para a história como a principal marca e dá para pensar como que é que uma desconjuntada seleção portuguesa conseguiu ser apenas eliminada também por um parco 1-0 por esta equipa. A seleção espanhola demonstra uma cultura organizacional e de jogo que se estende da seleção principal aos restantes escalões etários que é um verdadeiro caso de estudo e um guia relevante para qualquer projeto de ascensão futebolística que parta da formação e evolua para outros voos.
É sempre bonito o futebol de bairro, irreverente e rebelde, continuar a manifestar-se, mas o amasso de ontem traduz os limites dessa irreverência e rebeldia, sobretudo quando a estrutura etária já não ajuda e quando a transição geracional não está ainda assegurada, como o está na seleção espanhola.
Sua Majestade e o sempre em pé Pedro Sánchez bem podem agradecer à robustez coletiva da equipa e ao talento enorme de muitos dos seus protagonistas mais esta prova de orgulho nacional. Trump terá engolido em seco, não podendo felicitar o seu amigo Milei, mas afinal o homem contenta-se com a possibilidade aparecer na fotografia dos campeões quaisquer que eles sejam. Como ontem aconteceu.












