As atoardas e atrocidades de toda a ordem que marcam este segundo mandato de Donald Trump continuam a fazer com que qualquer cidadão do mundo caraterizado por mínimos de normalidade se espante com a relativa continuidade do apoio dos americanos ao seu presidente. Sim, eu sei que a sua popularidade está em queda, mas ainda assim há demasiados a não desgrudarem frontalmente dele e dos seus malefícios. O que já nos tem levado a procurar, neste espaço, algumas causas para tal – ora, a “The Economist” trouxe-nos esta semana uma síntese muito clara sobre o respetivo ponto da situação e são da prestigiada revista britânica os dados apresentados neste post.
Acima, um gráfico que nos dá a taxa de aprovação líquida atual de Trump (-24), mostrando-a bem abaixo dos níveis equivalentes do seu primeiro mandato e dos de Biden (há mesmo sondagens a posicioná-lo em níveis recordes de desagrado). Abaixo, três formas convergentes de explicar o apoio a Trump, inequivocamente demonstrativas do materialismo que domina aquela sociedade e, como alguém disse, de que os americanos votam com o bolso: os temas considerados mais importantes numa avaliação temporal, com a economia a tornar-se cada vez mais essencial (após um período em que a saúde e a imigração ainda lhe fizeram frente); a desagregação temática da taxa líquida de aprovação de Trump, com a inflação e o emprego a mostrarem uma prevalência incontestável; a escolha dos temas mais prementes para os EUA, subdividida entre Democratas e Republicanos mas praticamente não os distinguindo em termos de opções no domínio da inflação e preços (ao invés de matérias de dimensão preferencialmente ideológica ou valorativa).
Assim encaráveis como novamente básicos nos seus posicionamentos, e a despeito de alguma variabilidade pouco significativa face ao que se imporia, os americanos somam e seguem na sua condescendência para com um presidente que os desonra e só merecerão uma outra respeitabilidade se derrotarem os Republicanos nas eleições mid-term para o Congresso daqui a meio ano. Até lá, tudo péssimo com Trump e seus servis e amedrontados seguidores.












