Tem sido uma animação entre os comentadores da praça! O regresso de Pedro Nuno Santos (PNS) ao Parlamento, acompanhado de uma insólita declaração política, tem sido uma verdadeira festa para os analistas políticos que enxameiam o nosso entorno. Como seria de esperar, quase todos orientados para a ideia de um novo ruído dentro do PS, agora que o seu desempenho nas sondagens começa a melhorar, e para uma eventual luta interna que já desenhavam entre Carneiro e Cordeiro mas que anteveem que possa ser perturbada por um PNS que ademais vem lançar a confusão ao mostrar-se crítico dos seus ex-amigos e seguidores (“os taticismos que se escondem atrás da porta”).
Vamos por partes. A meu ver, PNS volta a evidenciar que não tem noção de si próprio, por um lado, e que a soberba que não consegue deixar de exibir não agrada em definitivo à larga maioria dos portugueses, por outro. Do PNS, que em tempos tanto bramiu a “empatia” como marca essencial a procurar imprimir, esperar-se-ia mais recato e um regresso colaborante, agregador e focado em ajudar a sua área política “contra um Governo medíocre” – o que manifestamente parece um posicionamento que lhe requereria algo de superior às suas forças. Ao invés, o PNS que nos apareceu disse ao que vinha, ao confronto contra tudo e todos sem critério explicável nem sentido das conveniências ou do impacto político nefasto que necessariamente advém do antipático e radicalizado modo de estar que adota – a quarentena que fez não lhe moderou os instintos mais primários?
Assim sendo, julgo que PNS só terá um tentativo caminho de recuperação de uma real notoriedade e visibilidade política. Árduo e trabalhoso, o que seguramente não lhe garantirá os resultados rápidos (mesmo que precários) que sempre o motivam, tal caminho está mesmo muito longe de caber nos horizontes de uma situação política impregnada de “causas” de direita e extrema-direita e pela diabolização do “socialismo” que Costa tão bem soube trocar pela sua carreira europeia. Mas PNS ainda dará sinais de alguma coerência se se declarar pronto a ajudar a reativar uma esquerda em quase completa perda de reconhecimento, contando para isso com a previsibilidade de uma qualquer crise profunda que recrudesça no mundo e/ou na Europa e se repercuta por cá. Porque se se limitar a entreter-se com jogos florais de âmbito caseiro e televisivo, só será um protagonista marcante na destruição de qualquer hipótese de uma potencial alternativa progressista em Portugal, acabando assim dissolvido numa espécie de lixo da história da social-democracia.
Quanto a Carneiro e Cordeiro, remeto-os para outro dia em que me apeteça mais pronunciar-me objetivamente sobre a importância de se ter mundo, a incontornável atenção ao conhecimento disponível, a exigência de coragem e risco na política e os malefícios geminados da falta de bom senso ou de um excesso do dito.






