(A indeterminação dinâmica que paira sobre nós torna difícil qualquer antecipação do que o ano de 2026 nos irá trazer, a nós portugueses e ao mundo em geral. Mas sabemos já o que é que o ano de 2025 nos trouxe em termos de densificação da geopolítica e da economia mundiais. O valioso conhecimento estratégico das equipas da McKinsey permite-nos elaborar um olhar rápido, mas rigoroso sobre o comportamento da economia mundial. Através da citação do que pode ser considerado o sumo das grandes tendências que o ano de 2025 evidenciou, podemos concluir com segurança que o observado no ano passado está nos antípodas do que a fanfarrona política trumpista considera como os seus grandes objetivos. Esta discrepância pode ter várias interpretações, seja que as políticas mais anunciadas do que praticadas são erradas ou inconsequentes, seja porque os EUA em algumas dimensões já não constam como o player mais representativo. Ou seja, que a economia mundial está a mudar e, aparentemente, não nos termos em que Trump o tem anunciado aos seus apoiantes, embora a sua influência da geopolítica seja real e impactante. Mas, em qualquer das interpretações, a Europa sai penalizada.)
Citando, apenas[i]:
“De relance
§ O comércio em 2025 não regrediu, apesar das piores previsões. Tanto as importações dos EUA como as exportações chinesas atingiram novos níveis. A Ásia de Sudeste reforçou o seu papel na produção industrial transformadora global, a Índia ganhou espaço em alguns setores e o Brasil expandiu a exportação de “commodities” para a China. Numa palavra, o comércio cresceu mais depressa do que a economia global, enquanto as economias avançadas e a China reorientaram a sua relação para longe em termos geopolíticos dos seus parceiros comerciais.
§ A inteligência artificial (IA) emergiu como sendo o motor de crescimento mais importante. As exportações de semicondutores e de equipamentos de data centres respondeu por um terço do crescimento do comércio global, à medida que os hubs asiáticos – Taiwan, Coreia do Sul e partes da Ásia de Sudeste – forneceram os mercados em todo o mundo, particularmente os EUA.
§ A China expandiu o seu papel como “fábrica das fábricas”. Através de fornecimentos crescentes às economias emergentes com maior ritmo de crescimento, alavancou as exportações de componentes industriais e de bens de capital, fornecendo a maquinaria essencial e componentes necessárias para empoderar os hubs mundiais mais avançados da indústria transformadora.
§ Os direitos aduaneiros provocaram o reajustamento do comércio, com o comércio entre os EUA e a China a diminuir 30%. Os EUA substituíram dois terços desse gap com importações provenientes de outros fornecedores, enquanto os exportadores chineses de bens de consumo desde os carros elétricos aos brinquedos diminuíram preços em cerca de 8% para encontrar novos compradores noutros mercados. A Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) prosperou, aumentando o comércio com ambas as economias, mas a União Europeia foi penalizada a dois níveis: mais importações chinesas e direitos aduaneiros mais altos aplicados pelos EUA.
§ As mudanças no comércio sugerem algumas tendências duradouras – e para a necessidade de resiliência face aos choques. O mercado emergente da IA e o foco no crescente peso da indústria transformadora da China não são acontecimentos pontuais, nem tão pouco o crescente papel da geopolítica na reconfiguração do comércio – uma mudança que foi aparente nos dados durante quase uma década. Os desenvolvimentos de curto prazo exigem também respostas. As mudanças nos direitos aduaneiros em 2025 foram abruptas – e 2026 já provou os seus próprios choques. As empresas exigem a combinação de pensamento de longo prazo e agilidade”.
[i] Mc Kinsey Global Institute (2026). Geopolitics and the geometry of global trade: 2026 update. Março







