quarta-feira, 1 de julho de 2026

A CONFIRMAÇÃO DO POLICENTRISMO URBANO GALEGO

 


(Quando comecei a interessar-me cultural e profissionalmente pelos assuntos galegos tive a sorte de o fazer sempre numa perspetiva complementar de foco nas questões regionais, a tal Euroregião de que falavam essencialmente os amigos galegos, e urbanas, o seu sistema urbano. Isso deveu-se ao facto dos trabalhos profissionais com a CCDR Norte e a Xunta da Galiza incidirem preferencialmente sobre o nível regional e os diferentes estudos para o Eixo Atlântico, associação de Cidades/municípios, terem o foco no sistema urbano. Nesta última dimensão, a amizade e a proximidade que tive o privilégio de consolidar com dois grandes urbanistas galegos, o economista Anxel Viña e o arquiteto Juan Luís Dalda da Universidade da Corunha, este já infelizmente desaparecido, permitiu-me acompanhar de perto o estimulante debate então emergente na Galiza sobre a abordagem mais ajustada para pensar os diferentes modelos de desenvolvimento urbano que emergiam na Galiza. O debate tinha um alcance fortemente político, pois nessa altura, anos 90, o Partido Socialista galego dava mostras de uma frescura de análise que o PP galego não apresentava, pois a sua implantação na base urbana galega não estava ainda consolidada. Na altura, o pensamento do PP galego era essencialmente marcado pelo projeto de Andrés Precedo Ledo, professor catedrático de Geografia Humana da Universidade de Santiago de Compostela, Diretor Geral da Xunta da Galiza, que liderava um projeto, que viria a abortar, de constituição de comarcas, associações de pequenos ayuntamientos, forte dependência da Xunta e do serviço dirigido por Precedo Ledo. Esta abordagem contrapunha-se à ideia de sistema urbano e os meus Amigos galegos viam nesse tradicionalismo de abordagem um alvo a abater, pois era incapaz de dar conta das diferentes nuances que o sistema urbano galego então apresentava, com relevo para a singularidade do modelo urbano das Rias Baixas, que Viña e Dalda tão profundamente estudaram e planearam.)

Precisei deste longo introito para comentar, como o mundo é pequeno e comprimido no tempo, um artigo interessante que o atrás referido Andrés Precedo Ledo, hoje liberto da grilheta das comarcas e sem funções, creio eu, na Xunta da Galiza, publica hoje na VOZ DE GALICIA, precisamente sobre o sistema urbano galego.

Quem conhece os antecedentes deste tema, diria que Precedo Ledo teve uma espécie de revelação e que, liberto da infeliz ideia da comarcalização da Galiza, recorre finalmente às lentes adequadas para ler e compreender a transformação urbana acelerada que a Galiza presentemente vive e que os meus Amigos Viña e Dalda anteciparam com inteligência e finura de análise.

A tese que o referido artigo expõe consiste, finalmente direi eu, em reconhecer que a Galiza das duas cidades, baseada no contraponto entre o modelo urbano-industrial de Vigo e o urbano-financeiro da Corunha está a transformar-se aceleradamente num sistema urbano marcadamente policêntrico, estruturado por uma rede de cidades “mais especializada, melhor conectada e orientada para a economia do conhecimento”. Uma rede que abandona a tal bipolaridade para atribuir funções especializadas a cidades como Santiago de Compostela (investigação, biotecnologia e ciências da computação), Ferrol, Lugo, Ourense e Pontevedra, as quais buscam a sua diferenciação em áreas como “a energia eólica a energia marinha, a digitalização dos estaleiros navais, a indústria de drones, a bioeconomia, a saúde termal, a cibersegurança ou a indústria aeroespacial”.

Por outras palavras, Precedo Ledo reconhece finalmente a relevância da lógica de sistema urbano em profunda transformação.

Este reconhecimento, em meu entender, só faz jus à inovação analítica que os meus Amigos urbanistas galegos revelaram há mais de 30 anos e premeia também a intuição política que o Eixo Atlântico evidenciou desde muito cedo ao inscrever a lógica de sistema urbano na cooperação inter-regional e transfronteiriça e ao considerar o sistema urbano como o grande elemento de estruturação da Euro-região.

Quem diria!

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

BABELL, CIDADE-LIVRO

 



Foi indescritivelmente brutal o acontecimento que ocupou o centro do Porto durante seis dias. Um evento literário e cultural, organizado pela Fundação Livraria Lello e designado por “Babell”, trouxe ao Porto umas dezenas de escritores de reputação mundial e pô-los a conversar sobre a sua obra e o seu entendimento da vida com os leitores de todas as idades que responderam admiravelmente à chamada – foi realmente mágico ver mais de um milhar de pessoas sucessivamente sentadas na Praça dos Leões, a imensa fila para o Coliseu na noite em que Salman Rushdie lá iria estar ou a junção dos “três mosqueteiros” (Pedro Abrunhosa, Rui Veloso e Rui Reininho) que, em complemento musical, atuaram nos Aliados; entre tantas e tantas outras componentes de um programa exemplarmente construído pelo comissário Rui Couceiro. Parabéns, muito merecidos, devem também ser endereçados a Pedro Pinto e sua mulher Aurora, incansáveis criativos de uma utopia cuja concretização foi muito para além das melhores expectativas.



Pessoalmente, foi para mim especial poder assistir à sessão de Julian Barnes (entrevistado por Richard Zimler), até na sequência da recente publicação do seu “Partida” que anunciou ser o seu adeus à escrita (“Sinto que já disse tudo o que tinha a dizer”). O sentido de humor britânico de Barnes esteve bem presente naquele palco em que nos disse também ser portador de “um tipo de cancro de sangue raro que é curável e gerível, como a vida”. Uma nota final para sublinhar ainda que também tivemos autores portugueses da maior nomeada (Lídia Jorge, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe) e sessões culturais de vária ordem, como foram os ciclos “O Porto em 90 minutos”...

A REVOLTA DOS EMERGENTES

 


(Confesso que o Mundial dos irritantes períodos de hidratação começou por me interessar bastante menos do que outras edições no passado. Provavelmente pelo modelo utilizado e porque o senhor Infantino é uma daquelas peças que gostaríamos de ver banidas do futebol, facto agravado com a sua cumplicidade face a Trump. Mas também porque já não há pachorra para aguentar as trapaças comunicacionais de Roberto Martinez e sobretudo a sua bajulação doentia de Ronaldo, que estimo deva ter um valor económico apreciável, que aproveite, pois futebol também é negócio e chorudo. Mas, à medida que a prova foi evoluindo, a minha costela emotiva-intelectualizada com que gosto de ver e sofrer o futebol foi encontrando muita matéria de reflexão na sucessão de resultados. E é disso que venho dar conta provavelmente num dos raros escritos que o Mundial me vai suscitar. A revolta dos emergentes é talvez um título demasiado ousado para a fase da prova em que nos encontramos, mas a força, dinâmica e resultados com que os países da África e da América Latina se têm apresentado vêm ao encontro da metáfora dos emergentes, que é relevante para as minhas reflexões em torno do desenvolvimento. É verdade que tivemos a eliminação precoce do Uruguai, mas isso deveu-se em meu entender ao fenómeno Bielsa que já não é fenómeno nenhum e cuja inventiva futebolística já nem fogacho é e aos azares de um destemperado Muslera, guardião seguro de outros tempos, mas que, ao que parece, os ares da Turquia fizeram bastante mal.)

O futebol de Marrocos já nos tinha deliciado em provas anteriores e Portugal provou desse veneno. Com um novo selecionador, não tão arrojado como o anterior, Marrocos apresentou-se de novo em grande nível neste Mundial e depois da vitória sobre os Países Baixos de Koeman, que é hoje mais uma tangerina do que uma laranja mecânica, a interrogação está sem saber até onde pode este emergente chegar. Estimo que bastante longe.

Mas a eliminação que melhor se ajusta à minha metáfora dos emergentes é a desconcertante vitória nas grandes penalidades do Paraguai sobre a Alemanha, seleção que evidenciou no jogo de ontem uma baixa inteligência de jogo ao insistir naquela catadupa de cruzamentos dirigidos a uma defesa coriácea, onde Gustavo Goméz e Canale representam aquele tipo de defesas relativamente aos quais a segurança de Lenglet, recentemente contratado pelo SLB, constituirá sempre uma réplica imperfeita. As palavras do selecionador do Paraguai, o argentino Gustavo Alfaro, ajustam-se como uma luva ao que eu pretendo transmitir com a ideia da revolta dos emergentes: ““Eles formam-se em academias de primeiro nível na Europa. Nós viemos da terra colorada, jogando descalço nessa terra, com o sacrifício dos pais para levar a criança ao treino.”

O prodígio de superação que a equipa do Paraguai deu prova só é compreensível nesse contexto de emergência difícil. A equipa está praticamente limitada a uma defesa de grande consistência e a dois artistas que carregam a equipa às costas, Enciso e Almirón, vendo-se o selecionador obrigado a jogar com um avançado centro tipo torre, já com 35 anos, para substituir os espaços deixados por lendas como Roque de Santa Cruz e Óscar Cardoso. Mesmo depois de Enciso se ter lesionado, a equipa não quebrou e foi suficiente para superar a falta de inteligência alemã, sendo visível que o emproado Nagelmann, selecionador alemão, nunca entendeu a substância do futebol que tinha pela frente.

Estou ciente que os exemplos de Marrocos e do Paraguai são ainda insuficientes para dar consistência à minha metáfora. Fico assim na expectativa de que a República Democrática do Congo, a Costa do Marfim, o Gana de Carlos Queirós e Cabo Verde possam ainda dar um ar da sua graça para dar corpo e consistência à força dos emergentes. Estou convicto de que se o Irão não tivesse sido tão mal-tratado desportiva e socialmente neste Mundial, a equipa de Taremi poderia ter acrescentado força à minha metáfora.

Com a força dos emergentes já evidenciada e com a evolução significativa que se observa noutros mundos que não a Europa (a qualidade dos EUA, a impetuosidade da Austrália e a garra do Japão que poderia ter perfeitamente estragado a vida ao Brasil de Ancelotti), percebe-se que a sustentação do futebol europeu neste Mundial está agora limitada à França, a minha favorita, à Espanha e à Inglaterra. Não quero ser velho do Restelo, mas só um milagre de Fátima ou alguma onda sobrenatural poderá erguer a equipa das quinas a esse estatuto de salvaguarda dos incumbentes europeus.

O fenómeno dos emergentes prolonga a metáfora cada vez mais próxima da essência dos processos de desenvolvimento. Potencial de talento enorme combinado com processos eficazes de transferência de conhecimento (a experiência dos que jogam em ligas mais evoluídas e a influência de treinadores estrangeiros que trouxeram conhecimento prático e organizativo) explicam a revolução operada. O que contrasta com o nosso caso. Talento não escasseia, temos formação do melhor que há por esse mundo, mas uma incapacidade organizativo e de liderança impede que o talento individual se transforme em força coletiva.

Metáfora ousada e que corre o risco dos resultados sequenciais do Mundial atraiçoarem toda a sua consistência.

Mas quem não arrisca …

 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

BALANÇO, ATÉ VER...

(Agustin Sciammarella, http://elpais.com) 

A fase de grupos do Mundial de Futebol terminou sem grandes surpresas que não a de monta associada a Cabo Verde ter seguido em frente a expensas do Uruguai. Não sei se decorre de impressão minha ou se tal foi mesmo assim, mas a verdade é que os jogos me pareceram genericamente mais bem disputados do que o costume, nenhuma equipa fez figura de bombo da festa (nem mesmo Curaçau perante a goleada sofrida com a Alemanha) e a maioria destas apresentaram-se em condições físicas bastante razoáveis para o momento da época. Das 32 seleções que passaram à fase do “mata-mata”, 15 delas não perderam (além do Irão, muito mal tratado pelas autoridades americanas e desprotegido pelos responsáveis da FIFA – Infantino não disfarçou nunca o seu apego a Trump! –, que ficou de fora sem perder, i.e., obtendo três empates face à Bélgica, ao Egito e à Nova Zelândia) mas apenas 3 só ganharam (Argentina, França e México); ao invés, foram 6 as que não alcançaram qualquer ponto (Haiti, Iraque, Jordânia, Panamá – a única das 48 presentes que não fez qualquer golo –, Tunísia e Uzbequistão) e outras 6 as também afastadas com clareza (Catar, Chéquia, Curaçau e Nova Zelândia, todas com um empate, e Arábia Saudita e Uruguai, com dois empates), tendo 4 sido eliminadas na definição das piores terceiras (Coreia do Sul, Escócia, Irão e Turquia) e 8 sido repescadas como melhores terceiras (Congo, Suécia, Gana, Equador, Bósnia-Herzegovina, Argélia, Paraguai e Senegal, esta última com 3 pontos e as restantes com 4).
 
O melhor marcador desta primeira fase foi o argentino Lionel Messi com 6 golos (um veterano que tem vindo a ganhar prestígio adicional com a sua postura de participante autêntico de um coletivo), seguido com 4 pelos franceses Mbappé e Dembelé, pelo brasileiro Vinicius Junior e pelo norueguês Haaland. Em termos de assistências, destaque para as 3 do brasileiro Bruno Guimarães, do Francês Michael Olise e do sueco Alexander Isak; quanto a distribuição de jogo (medida em número de passes e precisão dos mesmos, respetivamente), saliência para os espanhóis Rodri e Pau Cubarsi; no tocante a pressões defensivas exercidas, a vantagem vai para o mexicano Quiñones, e nos guarda-redes (limitando o registo às equipas apuradas), o paraguaio Orlando Gill dominou em número de defesas, o cabo-verdiano Vozinha em número de ações dentro da área e o sul-africano Alowais em número de ações fora da área, mas seja-me permitido considerar a exibição de Diogo Costa contra a Colômbia como a mais extraordinária de todas quantas pude observar.
 
Por fim, e antes de fechar, uma palavra para a dupla-maravilha deste torneio: CR7 como o jogador mais capaz de condicionar todo o desempenho de um “onze” (a sua provecta idade já desaconselharia a sua inclusão em todos os jogos e todos os minutos da equipa de Portugal, mas a sua “idade atencional”, medida pelo cronista do “Público” em 130 anos, agrava ainda o grau de incompreensão da situação) e Roberto Martinez como o selecionador mais covarde e “vendedor de banha da cobra” de todos aqueles quase 50 que por lá anda(ra)m. Veremos como vai ser em Toronto contra os “idosos” da Croácia, quem sabe se às tantas o homem até engata e obriga Livakovic a ir até ao fundo das redes.

A VULNERABILIDADE URBANA FACE ÀS ONDAS DE CALOR

(Escrevo pela manhã, fresca e amena cá pelas bandas de Vila Nova de Gaia, e pode parecer um paradoxo escolher este tema para regressar ao contacto com os nossos leitores. Face a tantas insuficiências que continuam a caracterizar a organização da nossa vida coletiva, tendemos a não avaliar bem a benesse que representa poder dispor de uma proximidade marítima para nos garantir temperaturas mais amenas. Sem ignorar as implicações que a severidade climática está a produzir em territórios de forte ruralidade e baixas densidades demográficas, acentuando claramente as condições de pobreza que atingem esses países e territórios, a tendência quase inexorável para que as populações se concentrem em áreas urbanas transforma as Cidades, qualquer que seja a sua dimensão, em áreas fortemente vulneráveis à intensificação das canículas. Na nossa indiferença cada vez mais instalada relativamente à mortalidade gerada por eventos extremos, tais como guerras, terramotos, incêndios e perturbações atmosféricas de toda a natureza, passam despercebidas as mortes anómalas causadas pelas ondas de calor e que os registos estatísticos das condições de morbilidade começam a registar. A impreparação da organização das Cidades para responder com inteligência (natural) a este problema severo alimenta-se das febres imobiliária e turística e, embora o tratamento do espaço público ocupe hoje um lugar mais notório, a realidade é que as Cidades e as suas unidades de planeamento são desenhadas de modo a defender as condições de vida dos seus residentes desta nova ameaça.)

A revista Le Nouvel Observateur dedica ao tema uma capa e um título bem duro – “Canícula uma catástrofe muito política”, na sequência da onda de calor que varreu a França, com a bela Paris no centro das atenções e a proporcionar pela sua grandeza e notoriedade a relevância ao tema que cidades mais desconhecidas não conseguem aportar. Como a revista bem o assinala, sucessivos recordes de temperaturas máximas, maio e junho, estão a ser ultrapassadas, desafiando os mais incrédulos, que continuam a desdenhar da atenção que outros concedem à ideia de mudança climática. E no meio de tanta patranha de falso combate que anda por aí, a revista cita ainda a trapaça que foi anunciada de que o Campeonato Mundial de Futebol organizada pelo México, Canadá e Estados Unidos da América seria o campeonato mais verde e com menos emissões de todos os tempos. A realidade é que o evento irá gerar mais de 9 milhões de toneladas de emissões de CO2, não sendo difícil de imaginar que a pulverização do evento por 23 estádios constituirá o principal elemento gerador dessas emissões.

Trata-se de facto de uma catástrofe com dimensão muito política e isso compreende-se já que a impreparação coletiva para pelo menos mitigar esta ameaça climática resulta de adiamentos sucessivos em matéria de políticas públicas, seja de modelo económico e energético, seja de engenharia de construção e habitação, seja ainda de organização do espaço público, não impondo travões ao avanço do betão. A onda de calor que atingiu a França e que parece agora deslocar-se para leste veio tornar mais evidentes insuficiências que se conheciam e que foram sendo sucessivamente diferidas no tempo em termos de abordagem mais ambientalmente sustentável. Lentamente, tal como a revista o documenta, as cidades, Paris incluída, vão alargando as autorizações de zonas de banho natural de maneira a fazer do mergulho urbano uma via minimizadora do calor insuportável que por estes dias atingiu as grandes concentrações urbanas.

No seio desta longa controvérsia, os tecno-otimistas quanto às maravilhas do ar condicionado esfregam as mãos pela oportunidade de negócio, embora nos países mais abundantemente dotados de aparelhos de climatização, Japão e EUA, as reduções de mortalidade anómala em ondas de calor tenham descido apenas de 15 a 20%, o que nos deveria fazer pensar se a recuperação de formas mais passivas de combate à canícula não deveria suscitar mais atenção. A luta entre o avanço do betão e a resistência verde tem de fazer parte da equação, com a eficiência energética dos edifícios a assumir novos cambiantes de importância.

Nesta amanhã amena que se pressente a partir da varanda do meu escritório, que se perfila diante de dois pujantes liquidâmbares que não param de crescer, a amenidade da proximidade face ao mar é cada vez mais uma preciosidade.

O corpo que o diga.