sábado, 11 de abril de 2026

JOSÉ MANUEL MATOS FERNANDES

 

Um comovido registo do desaparecimento, aos 85 anos, de José Manuel Matos Fernandes, um dos melhores que tive o privilégio de conhecer na espécie humana. Uma carreira brilhante na magistratura, entremeada com exercícios letivos marcantes, com uma passagem indelével pela governação (ao lado e como braço direito de José Vera Jardim no governo de Guterres) e com a titularidade da Assembleia Geral do FC Porto e respetiva SAD, o juiz-conselheiro foi um “chefe de família” e um cidadão sem mácula, senhor de uma coerência e retidão inquebrantáveis a acompanharem uma presença forte e diferenciada e um sentido de humor fino e irresistível. Ao seu filho João Pedro e ao seu irmão Manecas, com óbvia extensão a toda a restante Família, deixo aqui as mais sinceras condolências, na certeza ainda de que esta singela homenagem encontrará em tantos e tantos outros amigos o devido e emocionado respaldo.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

OH MY GOD!

(Stephen Lillie, https://www.theguardian.com) 

Chegam ao Planeta, esta madrugada, os quatro astronautas que a NASA enviou à Lua, após quase cinco décadas de ausência. O objetivo da missão espacial é controverso e as opiniões dividem-se entre os que a consideram um passo importante no plano científico e tecnológico e os que a encaram preferencialmente como um elemento constitutivo do marketing da atual Administração americana. Como quer que seja, e para lá do relativo frisson associado à entrada da nave na atmosfera da Terra a mais de 40 mil quilómetros por hora com uma forçosa redução súbita de velocidade, o que parece de sublinhar é aquilo que se estima possa ser – eu também tenho direito a estas ênfases linguísticas! – a reação dececionada daqueles quatro protagonistas perante o regresso a uma realidade que já se lhes afigurava distante ou até fruto de alguma divagação delirante. Mas uma realidade que, e todos por demais o compreendemos, pouca margem deixa para interpretações minimamente benévolas sobre o que Trump, Netanyahu e Putin andam a fazer ao nosso mundo – um mundo que não mais será o mesmo depois deles e das suas terríveis façanhas.

ESPAÇO PÚBLICO

 

(Há espaços públicos na Cidade que só valoramos devidamente quando deles somos afastados fisicamente e recuperamos posteriormente o acesso. É o caso da praça dos Leões, todo aquele espaço em frente ao edifício da atual Reitoria da Universidade do Porto e das instalações da Casa Comum e loja aprazível da UP. As obras da estação da nova linha do Metro estão concluídas, falta apenas o acesso à futura estação do Metro, ainda entaipada por questões de segurança. Mas todo o espaço que rodeia o Piolho e se espraia até ao jardim da Cordoaria está finalmente liberto para nossa fruição. Devo confessar que tenho uma relação bastante afetiva com este espaço, não apenas porque a minha formação em Economia tenha sido concretizada num sótão deste valioso edifício, mas também e se calhar com maior importância pelo facto de ter passado largas horas da minha juventude liceal no  restaurante do meu Avô, na Travessa do Carmo, o popular Botas, que sinceramente não sei se mantém o nome ou se evoluiu para outra designação. Sempre que tenho necessidade de cortar um pouco a juba, que vai sendo farta, não sei até quando, na sempre Invicta barbearia, regresso matinalmente a este espaço, à hora em que a frequento apenas com os turistas mais madrugadores e não estou a falar na incrível fila que se forma desde muito cedo à porta da Livraria Lello, vá lá perceber-se estes hábitos da população que nos visita, encarreirada pelos principais guias que olham para o Porto como uma cidade de atmosferas aliciantes, para recuperar a prosa brilhante do Arquiteto Peter Zumthor. A maior parte dos serviços está ainda fechada, recuperando provavelmente do cansaço e azáfama da véspera até tarde na animada noite portuense, o lixo não está retirado ainda que bem embalado. Hoje na quietude do espaço recuperado, destacava-se o imponente LEXUS híbrido parado à porta da Reitoria, creio que para utilização do Excelentíssimo Reitor da UP, embora exista um parque público subterrâneo, mas estimo que o tempo dos senhores Reitores seja precioso e que seja importante poupar alguns cobres com uma avença de estacionamento. O Piolho mantém por agora um número de mesas muito reduzido no exterior, desconhecendo se está em negociação com a Câmara Municipal alguma hipótese da sua extensão e regresso à versão que existia antes das obras do Metro ou se vai predominar a ideia de espaço público para a população residente ou visitante. Devo confessar que gosto muito de esplanadas e que, com equilíbrio, não vejo grande problema em animar esse espaço com as ditas.)

O regresso ao espaço público do Carmo faz-se de rotinas em que me especializo, desde a passagem pela loja da UP (onde adquiri uma excelente publicação do Instituto de Filosofia da UP, o volume 1 Common Good, de uma obra coletiva sobre a filosofia da Cidade, editado por Paula Cristina Pereira) e a inevitável visita ao alfarrabista Modo de Ler, onde existe sempre a oportunidade de uma conversa, breve que seja, com o incontornável editor José da Cruz Santos. Como ia em busca de dois exemplares que constavam do catálogo camiliano que Cruz Santos colocou à venda, a conversa de hoje versou sobre a decisão difícil de abrir ao público o catálogo de alguém que o editor considera um verdadeiro génio, Camilo Castelo Branco. O génio de Camilo faz parte do que Cruz Santos considera ser o seu único fundamentalismo.

Mas existe sempre uma história para contar e desta vez ela incidiu numa das muitas controvérsias violentas em que que Camilo se envolveu, neste caso com o Padre Júlio da Rocha Soares de Carvalho no início de 1872. A segunda réplica de Camilo ao Padre Júlio esteve cerca de 100 anos ignorada, porque o pároco deu-se ao luxo temerário de passar por todas as bibliotecas que se lembrou para amputar as edições da resposta de Camilo. Contou-me José da Cruz Santos que conseguiu na Biblioteca do então 1º de Janeiro, que, pelos vistos, era uma boa biblioteca recuperar a segunda réplica de Camilo nessa polémica, disponibilizando-a a Alexandre Cabral para em edição de O Ouro do Dia/Porto. Esta foi a primeira compra. As outras duas foram um ensaio de Agustina Bessa Luís sobre Camilo e as Circunstâncias editado por Cruz Santos em 1981 e uma edição dos anos 50 da enigmática Narcóticos do próprio Camilo.

E assim se faz a rotina de fruição de um espaço público recuperado.

Bom fim de semana para todos.

 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

TUDO NA MESMA, COMO A LESMA!

Enquanto o mundo se mostra um barril de pólvora e uma fonte incessante de injustiça e indignação, com os seus vários senhores a aproveitarem a desordem que Trump veio favorecer para satisfação dos interesses mesquinhos e malévolos que os determinam, por cá prossegue a apagada e vil tristeza que uma contagiante mediocridade instalada (quase suscitando algum saudosismo face a passados talvez pouco condignos mas politicamente bem mais mexidos por via do brilhantismo, mesmo que pérfido, dos respetivos protagonistas, de Costa a Passos, de Guterres a Durão ou de Sócrates a Cavaco) apenas consegue muito infrutiferamente disfarçar. Na governação, domina o fingimento –exemplos há-os em todas as áreas, mas a autocontemplação da ministra da Saúde, o whatever reformador da ministra do Trabalho e a provedoria pró-americana do ministro dos Negócios Estrangeiros são casos que roçam a caricatura.

 

As declarações e os números que vão sendo divulgados também dão o seu inequívoco e lamentável contributo. Como acontece com a dupla formada pelo Primeiro-Ministro e pelo Presidente da República (que ainda agora faz o seu arranque em cena mas já aparenta ser uma charge de baixa qualidade dos Dupont&Dupond), a fobia da execução que tanto animou o segundo mandato de Marcelo ou as manifestações da crise que se aprofunda na habitação (onde já vamos em 180% de aumento dos preços das casas na última década).



A agravar uma situação que já se mostra feia por si só temos ainda as incompreensíveis simpatias táticas de Montenegro e seus muchachos pela força de extrema-direita que nos calhou em sorte, com o assumido patriota e nacionalista Leitão Amaro a não se fazer rogado em piscar o olho a Ventura, convencido de uma genialidade política que julga estar a exibir mas que mais não irá fazer do que levá-lo ao desempenho do papel de idiota útil que, a pretexto de uma revisão constitucional que ninguém contesta em termos de atualização e modernização, acabará por lhe caber enquanto elemento objetivo de apoio a que Ventura tente consagrar a “oportunidade histórica” de mudar o regime democrático vigente.


Para que não reste mesmo pedra sobre pedra, eis a Oposição socialista, fechada sobre si própria (o Congresso foi manifesto nesta perspetiva), apostando em ideias gastas e até preocupado com os pagamentos em atraso à Misericórdia do Porto. Carneiro é um bem-intencionado sem mundo e que, portanto, facilmente se entrega aos “emplastros” que se vão mostrando mais por perto, esquecendo que o essencial deveria estar numa autocrítica rigorosa do passado “costista”, numa renovação de quadros e caras e num debate sério de ideias que pudessem dar corpo a uma nova agenda do socialismo democrático em Portugal. O que não parece ser, de todo, a sua praia nem a sua principal escolha de navegação.

ALÍVIO, POR AGORA!

 

(Devo confessar que cedo por vezes ao vírus da indiferença generalizada que a indeterminação da cena internacional está a gerar em muita gente. Ontem, relativamente cedo, deitei-me sem verdadeiramente estar suspenso da infame ameaça de Trump de destruir toda uma civilização iraniana, criando o espectro da devastação generalizada da infraestrutura civil, abandonando assim o seu discurso pífio da mudança do regime teocrático. Hoje, pela manhã, a imprensa internacional comunica-me que Trump aceitou um cessar-fogo de duas semanas, com a contrapartida de supressão das restrições de circulação no estreito de Ormuz, para discutir, com mediação do Paquistão, quem diria, o plano de paz de 10 pontos apresentado pelo Irão e não o de 15 pontos inicialmente apresentado por Trump. É fácil perceber o absurdo de tudo isto. O presidente americano apresenta como grande vitória a reabertura de um estreito que tinha circulação livre garantida antes de ter sido perpetrado o ataque sobre o Irão, ou seja, clama vitória por algo que ele próprio provocou, em tom algo semelhante ao que tinha concretizado quando inviabilizou o tratado nuclear que Obama tinha garantido com o Irão, para depois clamar que destruíra o arsenal iraniano sem evidentes provas desse desaparecimento. É esta aleatoriedade do comportamento de Trump que está a provocar a tal indiferença generalizada sobre a devastação que pode acontecer na cena internacional e isso é que é verdadeiramente perigoso, a habituação à barbárie que pode acontecer a todo o momento, que já aconteceu em Gaza e que pode acontecer em Teerão. O problema é que a civilização mundial em nada seria penalizada com a saída de cena de Trump e do movimento MAGA em geral, ao passo que a devastação da civilização iraniana constituiria uma perda efetiva para a humanidade e não estou a falar obviamente de uma eventual queda do fanatismo teocrático, mas da cultura milenária subjacente aquele país, qualquer que seja a sua orientação religiosa.)

A participação de J.D. Vance nas manobras de adulteração do jogo democrático na Hungria de Orbán, como acontecerá seguramente em próximas iniciativas de aproximação da extrema-direita alemã da AfD, mostra que a administração americana atual não é de confiança. Não se convida para nossa casa quem pretende destruir o nosso modelo de vida e o valor democrático mais profundo das nossas instituições. Obviamente que há quem diga que a administração Trump não é os EUA. Assim é. Mas, enquanto a clique plutocrática de Trump estiver no poder, e essa situação pode malevolamente ser estendida no tempo, a verdade é que os EUA são por agora essa adulteração infame dos valores democráticos e é com isso que temos de lidar, por mais que as “florzinhas diplomáticas” que se pavoneiam no nosso governo queiram fazer-nos convencer do contrário, cultivando a sua sede de reiterada subserviência.

Diz-me o New York Times que os arsenais bélicos americanos estão a atingir níveis que muito dificilmente poderão ser completados nos próximos tempos, tamanho é o esforço orçamental que tal vai exigir. Assim, pelo menos o sugere o pedido colossal de autorização de despesa que chegou ao Congresso.

E abre-se aqui a interrogação de saber se todos os altos comandos militares americanos vão pactuar com o delírio bélico desta administração. Obviamente, quem está fascinado pelo poderio militar americano não olha a meios para garantir que os seus testes de poderio vão ser concretizados. Mas já tivemos mudanças de altas chefias militares em pleno período de ataque ao Irão, o que pode ter múltiplas interpretações sobretudo quando o secretário de Estado da Defesa é o “cowboy” e ex-apresentador de televisão Pete Hegseth, o tal que no domingo de Páscoa comparou a operação de resgate do soldado americano em território iraniano à ressurreição de Jesus Cristo. Sim, é com esta gente que o mundo de boa fé e de mente aberta tem de lidar.

 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

A INTELIGENTE SERENIDADE DE XI

Mais uma capa da “The Economist” que diz o essencial sem de mais necessitar. Aquele título – “Nunca interrompas o teu inimigo quando ele está a cometer um erro” –, acompanhado pela imagem passiva e algo trocista do presidente chinês e pela imagem de um Trump desfocado e tonitruante, é matéria do foro da perfeição comunicacional! Assim responde a prestigiada revista britânica a uma das grandes questões do momento internacional (quem sairá como principal vencedor da guerra em que os americanos se envolveram à boleia do poderoso lóbi judeu e do seu representante Netanyahu): a impávida e calculista China joga com o tempo a seu favor, assistindo à debilitação do seu adversário global, aproveitando as vantagens económicas e políticas da conjuntura, consolidando a sua estratégia de afirmação e preparando a sua própria cartada militar. Elementar, meus caros!

TACOS À MODA DE TRUMP

 

(Os mais sérios e pessimistas analistas americanos, e não só americanos, reafirmaram nas últimas horas o risco de confirmação das ameaças de Trump de um ataque em larga escala sobre o Irão, na sequência do ultimato para a reabertura do estreito de Ormuz, rejeitado pelo regime iraniano. O delírio bélico do presidente americano e dos seus colaboradores mais próximos coloca como real a possibilidade de serem cometidos crimes de guerra em larga escala, abandonando a narrativa de uma ajuda à rebelião popular no Irão substituindo-a pela completa identificação do regime teocrático com a sua população e submetendo esta a uma violência inaudita. Mas é difícil escrever sobre algo da qual nos escapa a informação, sendo à hora a que escrevo impossível perceber se iremos ter mais um adiamento do ultimato, se a confirmação do terror generalizado. Por isso, será mais sensato aguardar pelos desenvolvimentos do dia de hoje e procurar, entretanto, por outros elementos de evidência para tentar compreender o delírio trumpiano. Mais valeria seguramente Trump ter ficado pelo seu delírio tarifário do que estarmos hoje a lamentar o seu delírio bélico, fascinado pela potência da máquina de guerra americana, que transforma o mundo em algo de terrível pela banalização dos crimes de guerra cometidos, primeiro de Putin na Ucránia, depois de Israel em Gaza e na Cijordânia e agora dos EUA e de Isreal no Irão e no Líbano. A referência ao delírio aduaneiro de Trump justifica-se porque, finalmente, temos uma análise disponível de alguém que conhece melhor do que ninguém a estrutura atual do comércio mundial e que nos pode fornecer uma explicação sólida do comportamento errático de Trump nessa matéria, bem menos gravosa do que a do seu mais recente delírio bélico.)

 

Richard Baldwin (professor no IED em Lausanne) é o economista a que me refiro, aliás repetidas vezes invocado neste blogue (por exemplo, aqui, aqui e também aqui) para nos ajudar a compreender as disrupções da economia mundial. Baldwin é a VOZ nesta matéria, dispensando-nos, por isso, do ruído imenso em que sempre mergulhamos quando não nos munimos das pessoas e da investigação mais autorizadas para compreender os temas que procuramos entender.

Por outro lado, a expressão TACO’s (Trump Allways Chickens Out) (Trum recua sempre) à moda de Trump foi a expressão cunhada na imprensa internacional para descrever o comportamento errático que o presidente americano veio trazer à política comercial externa americana. O que podemos concluir é que o comportamento aduaneiro errático de Trump revelou-se incomparavelmente menos perturbador da economia mundial do que o seu delírio bélico.

Baldwin fornece-nos uma explicação muito convincente das razões que explicam que as perturbações da ordem aduaneira impostas por Trump não tenham provocado a desordem esperada.

A ideia central é a que anda à volta do racional para o bullying aduaneiro imposto por Trump. Baldwin mostra-nos que o que comanda a discricionariedade de Trump é o seu desejo de tentar responder ao ressentimento da classe média e operária americana na sequência das disrupções da economia mundial. É essa a razão que explica que os sucessivos recuos TACO do presidente americano não resultem de retaliações internacionais de vulto (a exceção é a da China que tinha força para tal), mas antes de exigências vindas do lado interno, devidas precisamente ao facto dos efeitos perversos provocados pelos direitos aduaneiros sobre o consumo e emprego de tais grupos sociais. O caso mais evidente é o recuo relativamente às importações do Canadá e do México (só o primeiro retaliou) que afetaram inapelavelmente a produção automóvel americana devido ao encarecimento de produtos intermédios (componentes por exemplo), colocando em perigo o emprego dos que Trump pretendia apoiar. O outro exemplo foi dado pelo esgotamento de stocks observado nas grandes cadeias de retalho americanas quando o transporte marítimo de mercadorias começou a ser finalmente impactado pelos direitos aduaneiros mais altos sobre as exportações chinesas para os EUA. Se juntarmos a estes dois exemplos, as inúmeras isenções feitas ao telefone pelo presidente americano, percebe-se como, mesmo antes de terem lugar as condenações judiciais em tribunal da política aduaneira de Trump, os direitos aduaneiros médios terem começado a baixar. Por outras palavras, por desconhecimento evidente da estrutura da economia mundial, o objetivo de beneficiar os grupos sociais do ressentimento que lhe deram a vitória eleitoral foi totalmente pervertido e obrigou o presidente americano a recuar no seu delírio aduaneiro.

Segundo Baldwin, os TACO à moda de Trump tiveram assim quatro origens: i) primeiro, a reação dos grupos do ressentimento bem explicada no caso do recuo perante o Canadá e o México; ii) segundo, a reação de mercado gerada pela perturbação do sistema financeiro; iii) o recuo imposto pela reação da China, com a perceção de que a China está melhor preparada para aguentar mais tempo uma guerra comercial do que os EUA, designadamente através de uma mais ágil diversificação das suas exportações; e iv) um problema de affordability, ou seja de condições de mais difícil acesso ao consumo.

Ou seja, em nenhuma destas situações, com a exceção da China, existe uma causa associada a retaliações internacionais. Foram essencialmente efeitos perversos internos, impostos pela estrutura do comércio internacional, que explicaram o comportamento errático de avanços e recuos. Deixou de ouvir falar-se em guerra aduaneira e, para mal da economia mundial, o delírio bélico substituiu o delírio aduaneiro. O que não é a mesma coisa, até porque provavelmente os efeitos perversos internos da guerra na sociedade americana terão um tempo mais longo de maturação.