sexta-feira, 23 de junho de 2017

É SEMPRE TEMPO...

(José Manuel Álvarez Crespo, “Napi”, http://www.eleconomista.es)

A minha última tarde foi uma tarde abençoada na perspetiva da expiação dos meus inúmeros pecados. Cumprindo escrupulosamente regulamentos e acordos estabelecidos, lá estive no belíssimo salão nobre do medieval Castelo de Santa Maria da Feira ajudando a prestar contas sobre como tem vindo a ser gerido um programa regional comunitário. E se o que tem de ser tem muita força – faça-se, portanto, e o melhor que se souber e puder, já agora... –, confesso-me cada vez mais desconfiado em relação ao sentido útil destes exercícios e respetiva enormidade formal. Porque, alguma resultante em termos de transparência à parte, o resto é altamente cifrado, pouco estimulante, quase nada regenerativo e até por vezes absurdo. Haverá um dia capacidade e acumulação de lucidez bastantes para se dar a devida volta a este sistema infernal e tendencialmente autofágico?

quinta-feira, 22 de junho de 2017

COMPREENDER A HISTÓRIA …




(Para hoje, simplesmente uma reflexão com a profundidade que John Maynard Keynes imprimia a estas coisas, dissertando sobre o rescaldo da 1ª Guerra Mundial, que eu próprio interpreto como uma visão prospetiva algo trágica do mundo que poderemos ter a curto-médio prazo…)

A citação é curta e sugestiva:

Na atual confusão de objetivos será que existe um espírito público suficientemente claro capaz de preservar a organização equilibrada e complicada em que vivemos? O comunismo está desacreditado pelos acontecimentos; o socialismo, na sua interpretação fora de moda, já não interessa o mundo; o capitalismo perdeu a confiança em si próprio. A menos que os homens estejam unidos em torno de uma aspiração comum ou sejam movidos por princípios objetivos, a ação de cada um estará em conflito com o resto e a prossecução não regulada da vantagem individual pode destruir rapidamente o todo. Ultimamente não tem havido objetivos comuns entre as nações e entre classes, a não ser para a guerra …”

Há dias assim. A força da palavra dos outros intimida quanto baste. E estas ajudam-nos a compreender que uma visão permanente da história é necessária para compreender o devir em que nos situamos.

Ponto.

GANAS DE QUEDARSE...

(Ricardo Martínez, http://www.elmundo.es)

(Gallego & Rey, http://www.elmundo.es)

Não querendo insistir em demasia na deprimente tónica da desgraça que se abateu sobre Portugal, nem muito menos ajudar a fazer coro em ruidoso acrescento à miserável cobertura analítico-mediática dos acontecimentos (o País merecia muito melhor!), reúno neste post alguns dos registos que sobre a matéria me chegaram de autores espanhóis (acima) e não só (abaixo). Sublinhando que Ricardo Martinez até vai ao ponto de sugerir que, quando se vem por cá (mesmo que a pretexto de ajudar a apagar incêndios, no caso), se ganha vontade de por cá ficar – fruto e expressão da nossa atual boa e otimista onda ou mera simpatia para estrito uso e consolo nacional? Um pouco de cada uma das alternativas, decerto...