O meu parceiro de blogue já aqui abordou ontem a questão das eleições regionais disputadas no passado Domingo em dois estados alemães e cujos grandes resultados acima reproduzo – na Pomerânia Ocidental, a AfD venceu a incumbente do SPD mas a CDU de Merz ficou ineditamente de fora do Parlamento (tal como a BSW de Sahra Wagenknech) e torna-se bastante previsível que Manuela Schwesig (que cresce em popularidade nacional) consiga manter-se no poder em coligação com o “Die Linke” e/ou os Verdes (a despeito das deslocadas exigências dos populistas no sentido de formarem governo); em Berlim, a coisa fiou mais fino e a vitória foi para a extrema-esquerda, com a extrema-direita a ficar-se pelo terceiro posto do ranking eleitoral partidário, o que determina um governo provavelmente liderado por uma política de origem turca (embora já nascida em Munique), Elif Eralp, que tanto poderá tentar coligar-se à esquerda (SPD e Verdes) como mais ao centro (juntando, em várias possíveis geografias negociais, a CDU) porque uma coligação exclusiva com os cristãos-democratas não parece aceitável por parte de uns e de outros.
Duas mulheres progressistas no poder, sustendo a ascenção radical e extremista, uma numa lógica de continuidade e outra num exercício que será certamente complexo e terá ainda a relevância de poder permitir demonstrar (ou não) que posições de esquerda mais heterodoxas e menos tradicionais conseguem caber no espetro democrático e contribuir para soluções nacionais e europeias de estabilidade e bem-estar – um desafio que, ao que parece, foi assimilado pela juventude berlinense que votou maciçamente nessa perspetiva (veja-se os interessantes dados da infografia mais abaixo). Digam o que disserem os sempre pessimistas e os arautos da desgraça – que eu por vezes também sou, reconheço! –, a verdade é que algo de esperançoso tem de existir no horizonte quando temos cerca de metade dos eleitores jovens a votarem numa força política contrária aos mais perversos sinais dos tempos, ademais se a tal adicionarmos os votos de pendor alternativo que provêm dos Verdes. A questão – determinante, diria – é a de observarmos em que medida tal esperança pouco mais contém do que uma expressão de protesto ou, ao invés, alarga oportunidades de exploração de novos caminhos (quais?) liderados por quem é portador do porta-estandarte e do desenho que marcarão as configurações do futuro.
Dito isto, não deixa de ser obviamente preocupante a quebra brutal dos partidos tradicionais (social-democratas, cristãos-democratas e liberais) e a desorientação cidadã e ausência de rumo político que tal manifestamente evidencia – porque assim se tem de registar que se trata de uma sociedade em que tais partidos apenas têm voz predominante junto das pessoas acima dos 70 anos! –, tudo contribuindo para que seja suscetível de ser estimada uma débâcle de contornos imprevisíveis nas eleições nacionais que se vão aproximando, a qual se irá acrescentar às direções em vias de concretização na França de Marine Le Pen e em vários outros estados europeus. Haverá esboços de soluções criativas e factíveis que possam surgir para ajudar a inverter de algum modo este deprimente destino?










