quinta-feira, 31 de março de 2022

BABI(YN) YAR

 

(A proximidade afetiva que muitos de nós ganharam em relação à Ucrânia como país independente agredido pelo sonho imperial de um autocrata tem feito que se procure informação histórica e não só para tentar compreender aquela resistência heroica, estranha para os ocidentais que se habituaram a pensar a guerra como algo de distante e anacrónico. Não fui exceção a essa tendência. Só que nessa procura de informação e de revisitação histórica, dei com elementos que apontam para uma complexidade e volatilidade de referências, difíceis de compreender neste retângulo, que já foi império, mas que tem as suas fronteiras e gentes bem definidas há muitos, muitos anos. Mas talvez o acontecimento mais tenebroso da história Ucraniana digamos do último século e meio é regra geral conhecido por Babi Yar, ou por Babyn Yar, a história trágica de um massacre perpetrado pelos nazis de cerca de 33.000 judeus ucranianos nos arredores de Kiev. Um livro fundamental só editado em pleno e sem censura depois da queda da União Soviética e um documentário de um cineasta ucraniano prestes a estrear em Nova Iorque documentam-nos o que muitos e por razões diferentes quiseram ocultar …)

 

A Babi Yar ou Babyn Yar é o nome dado a uma ravina arenosa nos arredores de Kiev na qual ao longo de dois fatídicos de setembro de 1941 os nazis de Hitler que tinham invadido a Ucrânia massacraram, estima-se, mais de 33.000 judeus. A história conta que a mesma ravina foi também o local de outras execuções em massa, tais como prisioneiros de guerra, resistentes, população Roma e outros grupos de judeus. Na antecâmara dessa tragédia, convém recordar que a ocupação soviética de 1939 retirou algumas cidades ucranianas de então da sua integração em território polaco (Lviv, então Lvov e antes Lemberg) e que uns anos antes, em 1932-1933, zonas do território ucraniano a oriente viram na sequência das fomes geradas pela coletivização forçada soviética ver dizimadas cerca de quatro milhões de pessoas.

O massacre da Babi Yar foi ocultado compreensivelmente dos registos nazis, mas também pelos soviéticos na sequência da perseguição à população judia aí também registada. O documental escrito sobre o massacre, escrito sob a forma de um romance, foi censurado pelas autoridades soviéticas e o autor, Anatoly Kuznetsov, foi obrigado a publicar em 1961 uma versão truncada e censurada. Só em 1969, depois de ter fugido da União Soviética com os filmes em que transcrevera o manuscrito não censurado, a obra foi publicada pela primeira vez em Nova Iorque pela Farrar, Straus and Giroux. É esta versão que tenho andado a ler, sendo possível compreender que o relato foi construído ao longo de vários anos, dada a complexidade da recolha de informação sobre um acontecimento que teria ficado oculto para sempre: Na parte censurada da introdução, Kuznetsov escreve: “Estou a escrever este livro sem grandes preocupações com regras literárias (ou quaisquer sistemas políticos, fronteiras, censores ou preconceitos nacionais. Estou a escrevê-lo como se tivesse de apresentar evidência em qualquer juramento de um tribunal superior e estivesse preparado para responder a qualquer palavra. Este livro regista apenas a verdade – como efetivamente aconteceu”.

O livro começa com a entrada dos nazis e a debandada do Exército Vermelho, para depois em sucessivos capítulos registar o processo que conduziu ao massacre e terminar com as sucessivas tentativas de intervenção urbanística no local da tragédia, como se fosse necessário criar uma nova forma urbana e assim apagar a memória de um sórdido massacre. Nos anos 50, a ravina chegou a estar ocupada por detritos e resíduos industriais, uma estranha maneira de honrar a morte de quem foi ali massacrado. A ocupação nazi de Kiev concretiza-se a 19 de setembro e cinco dias depois a aviação russa bombardeou a cidade. Foi na sequência e como represália desse ataque que o massacre foi perpetrado. Entre os materiais consultados, destaca-se o testemunho da miraculosa sobrevivência de Dina Pronicheva.

Por coincidência meramente circunstancial, enquanto mergulhava no livro chegou-me ao conhecimento um artigo da New York Review of Books, no qual se faz referência a um documentário do mais importante cineasta ucraniano Sergei Loznitsa, a estrear por estes dias em Nova Iorque e designado de Babi Yar. Context. Loznitsa é conhecido pelo seu trabalho sobre arquivos documentais, sendo por vezes criticado pelo que os seus documentários não dizem. Num material que editou sobre os funerais de Estaline, foi-lhe dirigida a acusação de num filme sem narração só na parte final se ouvir uma voz-off a denunciar a vastidão de crimes de sangue atribuída à sua ação e influência direta.

Neste caso, segundo reza o artigo de J. Hoberman, o documentário incide naturalmente sobre arquivos ucranianos, russos e alemães do antes e do depois do massacre, já que não existe material fotográfico ou fílmico sobre a tragédia sanguinária.

Por ironia sangrenta, o sítio do memorial de Babi Yar foi bombardeado pelos Russos no seu ataque a Kiev, perto da torre da televisão pública ucraniana. Desconhece-se se foi um dano colateral do ataque dirigido à torre das telecomunicações ou se, por ironia revanchista, o ódio soviético de hoje reiterou a ocultação realizada no passado da natureza étnica daquele massacre.

De complexidade histórica estamos entendidos.

MARCELO AMARRA COSTA...


Uma curiosidade nascida a partir das capas dos seis grandes jornais nacionais de hoje: cinco deles titulam “Marcelo amarra Costa” numa leitura invulgarmente única do ocorrido ontem na Ajuda e já aqui comentado em post anterior sob a fórmula adequadamente descritiva de “traquinice”. Já o “i” (agora “iNEVITÁVEL”) optou por falar em “ultimato” (explicando em acréscimo que “se o primeiro-ministro quiser sair a meio do mandato, leva consigo todo o Governo”), mas também selecionou a estranha e mal-esclarecida saída de Siza Vieira (numa despedida em que este não terá mencionado o nome do amigo (?) António Costa) e a estranha e mal-esclarecida relação entre Marcelo e João Gomes Cravinho (numa cerimónia em que aquele não terá olhado de frente para o novo ministro dos Negócios Estrangeiros). Meros fait-divers ou, apesar de tudo, sinais de algumas coisas mais?

UMA TRAQUINICE DISPENSÁVEL!

(Luís Afonso, “Bartoon”, https://www.publico.pt)

Uma “traquinice” de Marcelo, assim qualificou Paulo Baldaia a inusitada referência do Presidente, no discurso de posse do Governo, à obrigatória manutenção do primeiro-ministro no poder durante os quatro anos e meio da legislatura que ora se inicia. Criado assim um novo e maléfico “facto político”, como tanto gosta e ademais recorrendo àquela metodologia espertalhaça em que é useiro e vezeiro, Marcelo já voltou hoje ao assunto para procurar manter o tema vivo sob a capa de uma clarificação, afirmando que Costa não é refém dele mas sim “refém do povo português”.

(Henrique Monteiro, http://henricartoon.blogs.sapo.pt

É manifestamente pouco dizer-se que “não havia nexessidade” de uma coisa tão mal engendrada como esta, especialmente no quadro de crise e de alguma instabilidade em que vivemos e no exato momento em que uma legislatura arranca; porque tudo tem o seu tempo e este não era seguramente o tempo próprio para introdução no nosso espaço público de um elemento de perturbação sem jeito nem preceito a qualquer título que se eleja considerar; tanto mais quanto muito pode vir a acontecer nos próximos anos de molde a inviabilizar as hipóteses de Costa na Europa ou a que a situação política e partidária se altere de modo significativo e venha a tornar improcedente aquilo que o Presidente e a maioria dos analistas hoje julgam percecionar como altamente provável. Além de uma nova exibição de um traço de malandrice que a sua carreira política já deixou evidenciar inúmeras vezes, Marcelo veio também mostrar o seu desagrado com a existência de uma maioria absoluta e a sua crescente preocupação com um pós-mandato que, embora ainda estando longe, o aflige a ponto de não se eximir de primarismos (viram os seus recentes discursos em Moçambique?) para sempre ir surgindo numa ribalta que sente estar em gradual rota de perda para o seu lado.

 

Um incidente pouco gratificante, o de ontem, e um tipo de incidente para que a maioria do dito povo já não tem ponta de pachorra. Daí que nada disto tenha a importância que a “espuma do dia” que são as notícias e os comentários lhe vai inapelavelmente conceder; porque só vai mesmo dar para ironias como a de Luís Afonso... O que não significa que Costa não esteja já a preparar a sua resposta ao afrontamento de Marcelo, seja esvaziando o tema por manifesta irrelevância conjuntural e garantindo que ficará até ao fim seja encontrando uma forma mais ou menos inteligente e subtil de retomar a iniciativa a seu favor.

O ISLÃO

 

(A concentração mediática absoluta que a invasão da Ucrânia pela Rússia e os riscos de um conflito mundializado têm determinado que outros desafios que se perfilam perante o horizonte das nações ocidentais e democráticas se tenham apagado da nossa atenção. Isso não significa que os desafios não permaneçam e até pode dizer-se que este desvio de atenção não é saudável. Mas os media já nos habituaram que não conseguem acompanhar muitos desafios em simultâneo. A nossa relação com o Islão, o islamismo mais radical e as suas próprias contradições estão entre esses desafios por agora relegados para o segundo ou terceiro plano da atenção mediática. Por isso e contra a corrente, como é regra meu timbre, resolvi informar-me e frequentar um conjunto de onze sessões animadas pelo Professor Vítor Teixeira sobre o Islão no programa cultural do El Corte Inglês, às quartas feiras, 18.30, aqui em Vila Nova de Gaia, mais propriamente no espaço do restaurante no 6º andar. E não me tenho arrependido. Tenho aprendido bastante…)

Começo por confessar que desconhecia o programa de animação cultural do El Corte Inglês, algo de enigmático para quem visita regularmente as suas instalações. A consulta do último folheto de divulgação permite dar conta que, sobretudo em Lisboa, o programa é interessante e que pelas bandas de Vila Nova de Gaia está a dar os primeiros passos.

As onze sessões dinamizadas pelo Professor Vítor Teixeira (Universidade Fernando Pessoa, Centro de Investigação em Ciências e Tecnologias das Artes – CITAR da UCP e colaborador do Centro de Estudos Interculturais CEI-ISCAP-IPP, Centro de Estudos Franciscanos e Centro Cultural Copta Ortodoxo do Porto) estão subordinadas ao tema “O Islão como modo de vida”. Tinha as melhores informações possíveis, através da minha mulher e da sua frequência de cursos no Instituto Ferreira Gomes, sobre a capacidade de animação e robustez cultural do coordenador do curso. É de facto um comunicador nato, por vezes um pouco caótico, um especialista em religiões, um viajante ímpar e é sobretudo alguém capaz de apresentar o Islão e as suas divisões numa perspetiva global e interdisciplinar, onde a história, a literatura, o cinema, televisão, o ensaio se combinam para um fim de tarde aliciante, prolongado depois por um jantar ligeiro a dois no restaurante. Uma outra maneira de acabar o dia.

As cinco sessões já realizadas confirmam a justeza da aposta na inscrição, gratuita diga-se, e abrem um conjunto de referências que vão da literatura à Netflix que nos permitirão compreender o elevado risco das generalizações sem sentido que frequentemente se constroem sobre o Islão e o Islamismo. O modo como o crescimento da religião islâmica é apresentado no contexto dos diferentes territórios em que mais se tem afirmado (com a Indonésia e a Índia a emergirem como países em que o crescimento pode ser mais rápido) é notável e muito apelativo, sempre com frequente recurso a informação do PEW Research Center.


O curso está muito bem sistematizado começando pelas origens do Profeta Maomé, a ligação entre a Revelação e a elaboração do Alcorão. Sempre com uma especial cautela para não ferir suscetibilidades eventuais, são apresentadas algumas referências bibliográficas, algumas das quais não especialmente apreciadas (banidas, pura e simplesmente) pelo islão mais radical. É o caso de “23 Years” de Ali Dashti, um estudo da carreira profética de Maomé, uma obra editada, a seu pedido, só depois da morte do seu autor, apresentada por Vítor Teixeira como essencial para se compreender a origem do Islão e o modo como é constituído do ponto de vista dos seus princípios. Em termos muito simples, mas profusamente documentado com mapas, experiências de viagens e literatura, foram apresentadas até agora as principais divisões no interior do Islão, essencialmente a velha luta entre xiitas (a descendência face ao profeta) e sunitas (a tradição e entourage do profeta), com a sua inscrição geográfica atual, o choque Irão versus Arábia Saudita e a tragédia humanitária do Iémen.

Um outro aspeto particularmente interessante é a discussão da capacidade adaptativa revelada pelo islamismo a diferentes sociedades, que explica em parte o seu crescimento. Alguns exemplos históricos apresentados, como por exemplo, a disseminação da população muçulmana na Indonésia, em que o islamismo se confronta com o hinduísmo e se tem afirmado a ponto da Indonésia poder ser a médio prazo um dos mais importantes países muçulmanos do mundo.

Creio que com as 11 sessões previstas e as incursões pela literatura nelas recomendadas ficarei com uma compreensão mais robusta do que imperfeitamente terá sido apresentado como uma das manifestações mais violentas do Choque de Civilizações de Samuel Huntington de que falava num dos últimos posts.

quarta-feira, 30 de março de 2022

O VIGÉSIMO TERCEIRO

Está a acabar de tomar posse o XXIII Governo Constitucional, o terceiro liderado por António Costa. Um Governo que começou por deixar dúvidas quando foi conhecida a lista de ministros e que passou a mais preocupante quando foi divulgada a lista dos secretários de Estado, onde a mediocridade do “mais do mesmo” e a dos cartões partidários prevalece sobre algumas boas surpresas e eventuais manifestações de abertura. Em qualquer caso, são estes e não outros os que o primeiro-ministro escolheu entre relações de proximidade e compromissos que entendeu incontornáveis; e como os governos são como os melões, só nos resta desejar que este resulte maduro e saboroso.

 

Tem-se falado, sobretudo a partir do Porto e do Norte, de um Governo centralista e baseado na “corte”, assim se confundindo uma questão com sentido e até essencial, a da falta de representatividade do País no Governo (designadamente, no que toca ao limitado mindset que o primeiro-ministro vai revelando, num desesperante fechamento em relação a pensamentos mais diversos do que afunilados em torno de si próprio), com uma questão menor e quase corporativa, a da distribuição geográfica da proveniência dos governantes (designadamente, e por exemplo, no que toca ao criticismo aparelhista em relação ao número de governantes desta ou daquela origem). Por um lado, porque esta tem fronteiras fluidas (vale o local de nascimento da personagem, a universidade onde concluíu o ensino superior ou a cidade em que durante mais tempo trabalhou? ― Eduardo Pinheiro é do Norte por ter sido autarca em Matosinhos ou do Centro por origem e pelas funções que desempenhou na Região? José Luís Carneiro é de Baião e conta ou não para contabilização em favor do Porto? Fernando Medina avalia-se como alguém nascido no Porto e ali tendo estudado na FEP ou como alguém que se fez na política lisboeta e na Câmara de Lisboa?). Por outro lado, o que mais existem são contraprovas no sentido de que alguém proveniente de uma dada Região (maxime do Porto e do Norte) a represente no poder central ou nele atenda preferencialmente aos seus interesses (por boas e más razões que agora ao caso). Ou seja: esta não é a questão, aquela sim.

 

Voltando aos conceitos e lógicas de António Costa, vemos hoje que não constituiu um governo “enxuto”, que não fez qualquer task-force dominada por coordenações temáticas nem abdicou dos seus próximos diretos e indiretos (leia-se nestes aqueles que satisfazem a voragem dos militantes socialistas com poucas saídas em termos de empregabilidade). Costa confirmou assim o que se vai sabendo e consensualizando: que é um prático, um navegador ao sabor do vento, um renitente reformador e um inveterado autoconfiante (como disse Quinito um dia sobre a equipa do FC Porto que treinava, a qual seria Gomes mais dez, o primeiro-ministro achará que a mera presença dele é quase bastante e o resto vem por acréscimo). Ao que acrescem as perceções de alguns analistas, segundo as quais a chamada ao Governo de todos os seus potenciais sucessores no PS poderá transformar o executivo num palco de luta, fraternal talvez mas mais tendencialmente desintegrador do que fomentador de coesão.

 

De entre os sinais de descuido, desarranjo e desatenção na formação do Governo salientaria como mais relevantes os seguintes: (i) António Costa Silva é chamado aos 70 anos a funções governativas (ele que não é manifestamente um político, antes um intelectual mais ou menos especulativo) numa área que não corresponde àquela que lhe seria tradicionalmente reconhecida como mais natural (a Energia), ficando ainda de fora do PRR de que se diz com verdadeiro exagero ter sido autor; (ii) a área da Modernização Administrativa e Administração Pública, antes tutelada por Alexandra Leitão, foi dividida de forma completamente discutível entre uma Digitalização e Modernização Administrativa na dependência direta do chefe do Governo, uma Administração Pública na dependência direta de Mariana Vieira da Silva (Manuela Ferreira Leite salientou com alguma razão os riscos de uma não ligação mais estreita às Finanças) e uma Administração Local na dependência direta de Ana Abrunhosa e do seu polivalente secretário de Estado; (iii) a Educação torna-se uma paixão cada vez menos real e visível, com uma passagem de três secretários de Estado para apenas um e alguém com experiência reconhecida mais ao lado (formação profissional); (iv) a gestão dos dinheiros comunitários prosseguirá marcada pelas incongruências e insistências em erros acumulados, o que surge visível na coexistência de responsabilidades sobrepostas ou desarticuladas entre o Ministério da Coesão Territorial, o Ministério da Economia e a Secretaria de Estado do Planeamento.

 

Outros sinais, ainda: (i) a ordenação dos ministérios evidencia escolhas pouco compreensíveis ou mal assumidas (caso manifesto é o das Finanças, que ficam em sexto na hierarquia governativa e parecem tender a tornar-se preferencialmente um departamento mais vocacionado para o serviço direto das ordens emanadas do primeiro-ministro, sendo que a qualidade pessoal e a competência de Fernando Medina não estão em causa mas são indiscutivelmente incomparáveis na função face às que revelavam os currículos de Centeno e Leão, até também em termos de credibilidade internacional e europeia); (ii) o Mar passa de uma “aposta estratégica” a uma secretaria de Estado gerida no seio do Ministério da Economia por um ex-presidente de Câmara; (iii) a Indústria não surge referenciada nestes tempos de necessária “reindustrialização (Europa dixit), o que indiciaria também uma especial atenção aos problemas específicos do Noroeste Industrial; (iv) o Turismo perde expressão ao ser considerado conjuntamente com o Comércio e os Serviços, o que parece altamente contestável; (v) a Descentralização desaparece do léxico governativo (estava numa secretaria de Estado da Descentralização e Administração Local) e bastante diminuída em termos de peso político se vier a ser gerida no seio do Ministério da Coesão Territorial e do charme que lhe cabe; (vi) o Ordenamento do Território sai da área do Ambiente (o que parecia estar certo) e vai engrossar um mix estranho entregue ao dito polivalente secretário de Estado de Abrunhosa.

 

Sinais positivos, em contrapartida, vêm da Ciência e Ensino Superior (Elvira Fortunato é uma figura, ainda que politicamente desconhecida, e Pedro Teixeira é uma garantia de qualidade), da Cultura (duas excelentes opções), da escolha de Mário Campolargo para a Modernização e Modernização Administrativa, da colocação dos Assuntos Europeus fora do MNE (ainda que tal possa ocorrer por menos boas razões do que as de substância), da passagem de João Costa a ministro da Educação e das manutenções de João Nuno Mendes (no quadro das Finanças) e de Jorge Delgado (transitando para a Mobilidade Urbana).

 

E é tudo, salvo qualquer erro ou omissão, o que é muito provável possa estar a acontecer-me. Pedindo, por isso, desculpa aos atingidos seja em termos explícitos ou mesmo em termos implícitos. Agora é tempo de pé na tábua e vigilância, pela minha parte sem grandes ilusões e com expectativas muitíssimo reduzidas.