segunda-feira, 2 de novembro de 2026

O ADEUS ANTECIPADO POR LAGARDE

(Nicolas Vadot, http://www.levif.be)

Christine Lagarde (CL) anunciou a sua saída da presidência do BCE para fevereiro de 2027 e logo diversas más-línguas procuraram encontrar uma correlação entre esse abandono e a respetiva proximidade em relação à data das presidenciais francesas, que parecem já ter uma vencedora anunciada na populista e insistente Marine Le Pen – veremos certamente em breve se há algum fogo por detrás desta fumaça. Entretanto, logo surgiram balanços depreciativos do mandato de CL, como foi o caso do economista Jon Aldekoa no portal do dito ECB – os gráficos são razoavelmente elucidativos nessa perspetiva, mas não devemos nunca esquecer que as comparações temporais nuas e cruas (isto é, sem o devido enquadramento conjuntural e histórico) padecem frequentemente de aceitabilidade objetiva; de todo o modo, reproduzo-os na medida em que são bastante bem esgalhados para contextualizarmos as lideranças de Duisenberg, Trichet, Draghi e Lagarde no tocante ao comportamento da inflação e ao poder de compra da moeda única, com clara vantagem revelada em favor do italiano que é considerado o “salvador do Euro” e desvantagem para a francesa que agora poderá estar a ponderar a hipótese de aspirar a outros voos, quiçá políticos. Fica também no ar a velha querela entre os defensores de técnicos e especialistas versus políticos nomeados de forma negociada nos postos decisionais das entidades de regulação, um tema cada vez mais candente e que voltará em breve a estar na ordem do dia em Frankfurt.


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