sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

JEFFREY EPSTEIN, UM MANANCIAL

O caso do financeiro e abusador sexual de menores Jeffrey Epstein mancha há anos a realidade político-social dos EUA, não sendo a ele alheios nomes tão relevantes como Bill Clinton ou o ex-Príncipe britânico André – nem muito menos o de um Donald Trump que tudo vai fazendo, por todos os meios legais e ilegais para escapar à condenação pública –, constituindo-se numa gigantesca e escandalosa história de desmando e corrupção com desdobramentos de múltiplos tipos.

 

Percebeu-se hoje que Macron está sob pressão em relação a salpicos que atingiram Jack Lang (presidente do Instituto do Mundo Árabe), mas a mais triste das recentemente reveladas passa pelas ligações perversas de Peter Mandelson (membro do Partido Trabalhista que foi membro do governo britânico e comissário europeu) a Epstein (incluindo uma documentada informação da noite de 9 de maio de 2010 relativa a um bailout salvador do Euro no valor de 500 mil milhões de euros que ocorreria, como ocorreu, na manhã seguinte – uma manifesta evidência de manipulação de mercado, de inside trading e de corrupção em alta escala), sendo que o rápido abandono de Mandelson do cargo em Washington não parece ter bastado a muitos deputados e militantes do Labour que agora se voltam contra o primeiro-ministro Keir Starmer responsabilizando-o por tal nomeação a despeito dos avisos e das suspeitas que já circulavam à época – a situação tornou-se deveras complexa e não será certamente ultrapassada sem a entrega de alguma cabeça, muito provavelmente a do chefe de gabinete Morgan McSweeney.

 

Denunciado este episódio, que não tem necessariamente a ver com a assumida homossexualidade de Mandelson mas que terá talvez alguma conexão com a sua postura e prestação enquanto comissário do Comércio de Barroso, o que continua a não surgir no horizonte é uma completa divulgação dos ficheiros escondidos por forma a impedir a cabal clarificação do envolvimento de Trump com Epstein e dos escabrosos contornos de vária natureza a que ele indubitavelmente se alargou.


(Nicola Jennings, https://www.theguardian.com)

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