terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

ELOGIO A SÁNCHEZ

(Agustin Sciammarella, http://elpais.com) 

Muito mal se tem dito, inclusivamente neste espaço, do exercício de Pedro Sánchez à frente da governação de Espanha. Já vai para oito anos que o cargo é ocupado pelo dito e a verdade é que foram anos cheios de vicissitudes e muita confusão, várias vezes tendo parecido que o homem estava por um fio no lugar. E a verdade é igualmente que ele sempre se saiu dos apuros que se lhe apresentavam, embora nem sempre com total lisura e transparência democrática. A sua popularidade está em manifesta queda e as sondagens revelam que o PSOE perderá as próximas eleições para o PP (com ou sem o Vox), enquanto os anteriores feudos socialistas vão perdendo expressão a nível regional e local.

 

O meu post de hoje vai na contracorrente de toda esta argumentação e factualidade, pretendo essencialmente louvar uma medida anunciada pelo governo de Sánchez que, contrariando a tendência internacional e abrindo as portas à malfadada imigração, aponta para um processo extraordinário de regularização (destinado a estrangeiros que a 31 de dezembro de 2025 viviam em Espanha há pelo menos cinco meses ou que tenham pedido proteção internacional às autoridades espanholas e que não tenham, nos dois casos, antecedentes penais, processo que decorrerá até 30 de junho) da situação legal de estrangeiros que vivem e trabalham no país, na sequência de um acordo entre o Governo e um dos seus aliados à esquerda, o Podemos. Sabe-se que ficam suspensas durante o período em causa as ordens de deportação e que, uma vez aprovados os pedidos, as pessoas abrangidas terão direto a um certificado provisório de residência que lhes permitirá trabalhar de forma de legal e ter acesso a serviços públicos, incluindo assistência médica – uma integração baseada em direitos, portanto.

 

Uma medida progressista e humanitária, que se estima poder vir a beneficiar 500 mil pessoas de um total de 840 mil em situação ilegal, numa época de contrastes tão dissonantes como a que vivemos. Uma pedrada no charco relativamente ao inquestionável contributo dos imigrantes para o crescimento dos países europeus, aqui com Sánchez a brilhar a boa altura e a posicionar a Espanha num rumo que certamente lhe trará frutos num futuro próximo.

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