sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A ESPANHA POLÍTICA EM EQUAÇÃO INDETERMINADA

(cartoon de Ricardo Martínez, http://www.elmundo.es) 

Pedro Sánchez é um osso muito duro de roer, disso estamos hoje bem certos. E possui ainda duas qualidades importantes na política: a coragem e o voluntarismo, este frequentemente voltado para ímpetos transformadores socialmente relevantes (como a já aqui aflorada regularização extraordinária de imigrantes ou o projeto de proibição de acesso a redes sociais a adolescentes). Mas é cada vez evidente o seu desgaste, após uma longa e muito negociada permanência no poder e vários erros graves (alguns talvez evitáveis) entretanto cometidos.

 

As eleições do próximo ano antecipam, portanto, uma quase natural viragem à direita, pese embora o facto de Feijóo estar sujeito a marcações cerradas por parte de companheiros internos e vir revelando insuficiências prejudiciais a um aspirante à chefia governativa, tanto mais quanto diversas eleições regionais recentes vão indiciando que a extrema-direita de Abascal não abdicará de condicionar o PP ou mesmo de o forçar a entendimentos pós-eleitorais de incidência executiva. Daí que importe surfar a onda, rechaçando linhas vermelhas eventualmente impeditivas deste tipo de acordos (ainda que com a proclamação, mais piedosa do que real, de que sempre existirá o limite da lei e da Constituição) – ou seja, a Espanha prepara-se para ser mais um país europeu a aceitar ideários extremistas no governo, confirmando assim a comprovada moleza da democracia perante os seus inimigos de que já se aproveitava Goebbels. Por outro lado, e no terreno socialista, Felipe González (FG) sinaliza o seu desagrado com o “sanchismo” e vai mesmo ao ponto de adiantar que votará em branco e não num PSOE liderado por alguém que o está a destruir – sendo óbvio que FG está envelhecido e largamente desligado do partido, não deixa de ser sintomático que ele eleve a sua voz para defender a necessidade de caminhos alternativos para o socialismo democrático.

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