Já foi ultrapassado o tempo em que o regressado José Mourinho ensaiava mind games de trazer por casa, talvez convencido de que “para quem é, bacalhau basta!” – chegou mesmo a fazer sair da sua boca uma vitória dos seus em jogos que os mesmos acabavam de perder ou empatar. Animado pela vinda de Rafa e pela disponibilidade de alguns lesionados, e para encanto da nossa comunicação social, refinou entretanto o discurso num sentido menos arruaceiro e mais articulado, ainda que sem conseguir abandonar a significativa dose de cinismo e arrogância com que mantém em respeito os embevecidos comentadores que nos calharam em sorte e permitindo-lhes capas magníficas nos pasquins diários que por aí se vendem – na semana passada, não precisavam de milagres para enfrentarem o Real Madrid na primeira mão que se avizinhava, mas perderam bem e com um incidente tristérrimo a pontuar a partida e a desgraçar a imagem do clube de Eusébio; agora, parece que o homem tem a receita para conquistar Madrid e com tal banha da cobra enche de esperança vã os fanáticos da catedral da Luz.
Mas e se, por obra e graça de um Mourinho apoderado pelo Diabo, os “encarnados” fossem ao Bernabéu e arranjassem maneira de vencer o Real, mesmo sem contarem com Prestianni no onze? A hipótese não é académica para essas luminárias que em permanência se nos apresentam a explicar, até com derivadas e integrais, tudo quanto acontece para aqueles lados da Segunda Circular e, assim sendo, há que não evitar que que ela ganhe tração e possa vingar por forma a que – será preciso assumi-lo com frontalidade! – o País finalmente celebre uma vitória internacional como já não alcança desde 1962 e o portista envergonhado que é Montenegro se veja obrigado a decretar um novo feriado nacional a 25 de fevereiro. E se o engenho de Mourinho alcançar um tal brilhantismo, como intimamente tanto espera, não seremos nós que abdicaremos de aplaudir patrioticamente o feito e de reconhecer que a final de Budapeste estará ao virar da esquina, apesar da infâmia da UEFA ao dar aso às mentiras de Vinicius Júnior e Mbappé e ao menorizar a pujança eterna conquistada pelo “glorioso” quando o presidente Čeferin ainda não tinha cinco anos de idade...


Sem comentários:
Enviar um comentário