quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

OUTROS FUTEBÓIS

 

Hoje venho aqui falar de outros futebóis. No caso, de um modesto clube norueguês, nascido numa pequena cidade a norte do país (Bodø), detentor de um estádio (Aspmyra) com pouco mais de 8000 espetadores de lotação, treinado pelo mesmo treinador de origem nacional (Kjetil Knutsen) há mais de oito anos, cuja principal estrela é um jovem local de 26 anos (Jens Petter Hauge) avaliado pelos especialistas em 4 milhões de euros e que alinha com nove noruegueses no “onze” inicial.

 

Pois foram estes rapazes que ontem afastaram o milionário Inter de Milão da Champions, vencendo gloriosamente por 2-1 em São Siro depois de já terem vendido por 3-1 em casa. Assisti aos dois jogos pela televisão porque assim a sintonizei para observar o que suspeitava e desejava que pudesse vir a ser mais uma boa surpresa do desporto-rei no seu melhor, embora deva também confessar que fiquei com um fraquinho pelo Glimt desde que acompanhei o meu FC Porto à simpática cidade de Bodø em setembro de 2024 (derrota não muito convincente por 3-2) e então compreendi o “segredo” do coletivo e da boa gestão ali discretamente instalada (incluindo uma cirúrgica negociação do retorno de atletas saídos para clubes europeus – como o AC MIlan, o Eintracht, o Lens, o Feyenoord ou o Brondby – e regressados a custo zero ou próximo disso).

 

A imprensa italiana de hoje refere o desastre, a desilusão e 20 milhões a voarem mas acaba por admitir que não houve razões de desculpa por parte dos milaneses – e a realidade foi a de um autêntico baile de tática e classe! –, salientando também o alarme instalado no calcio por via das prestações italianas (a Juve vai hoje a Istambul à procura de uma remontada de três golos contra o Galatasaray e a Atalanta tenta hoje em Bergamo recuperar uma vantagem de dois golos ao Dortmund), enquanto a análise dos noruegueses é simplesmente mais objetiva e apenas considera que algo de bizarro ocorreu fora do quadro mais previsível. Não creio que o Fotballklubben Bodø/Glimt seja capaz de ir muito mais longe nesta sua caminhada europeia mas não deixa de ser um facto que, no início, também poucos valorizaram a novidade que veio a ser o Ajax de Rinus Michels.


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