terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

QUATRO ANOS E A HIPÓTESE DE UMA BOA NOTÍCIA!


(Stephen Lillie, https://www.theguardian.com) 

Passam hoje quatro anos sobre o início da “operação militar especial” da Rússia de Putin na Ucrânia. Como sempre acontece quando olhamos a vida para trás, quatro anos que tanto correram desenfreadamente como, em simultâneo, tanto foram marcados por uma desesperante lentidão numa perspetiva de enfrentamento do abuso e da injustiça (que não cessaram de recrudescer e de ultrapassar sucessivos níveis máximos de suportabilidade). A entrada em cena, a meio do processo, de Donald Trump mais não serviu do que para lançar a confusão nas hostes capitaneadas por um Zelensky indómito e corajoso – e que persiste na sua crença numa causa que parecia impossível –, com a União Europeia a manter o seu apoio incondicional à resistência da Ucrânia a despeito de algumas hesitações e das tentativas de obstrução por parte dos divisionistas internos ao serviço de Putin.

 

Neste quadro a boa notícia possível será, como já aqui foi assinalado, o facto do “regresso de umas férias da História” que a Europa não para de sinalizar através dos seus principais líderes em funções (por muitos encarados como fracos mas bem mais firmes e consistentes do que os que tanta distração e autocentramento evidenciaram nas duas ou três últimas décadas (ou seja, após Delors, Kohl, Mitterrand e Thatcher) – os defeitos de Ursula são demasiados mas disputam bem, pela positiva, a complacência subserviente de Santer, Prodi, Barroso e Juncker; a decência de Merz tem pouco a ver com o oportunismo de Schröder, o falso sentido estratégico de Merkel ou a inexistência de Scholz; a voluntariosa vaidade de Macron contrasta marcadamente com a incapacidade fundamental de Chirac, Sarkozy e Hollande; a atitude bem-intencionada de Starmer surge como uma bênção concedida aos britânicos depois da terrível sucessão de oito incapazes, incompetentes ou doidos (Major, Blair, Brown, Cameron, May, Boris, Truss e Sunak). O chanceler Merz deixou-o muito claro no seu discurso inaugural da Conferência de Segurança de Munique – e se assim for realmente, Deus lhe(s) dê vida e saúde...



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