Durou oito meses e cinco dias o calvário de Maria Lúcia Amaral (MLA) e, obviamente também, o de nós todos por tabela e vergonha alheia. Depois de Margarida Blasco, um manifesto mas talvez mais compreensível erro de casting, Montenegro escolheu MLA para a Administração Interna repetindo o seu erro de modo ainda mais inexplicável, considerados os elementos curriculares mais recomendáveis da Professora e a completa inexperiência da mesma em funções executivas com exposição mediática relevante cumulativamente com um modo de ser e estar simpático, discreto e até tímido.
A culpa das prestações quase constrangedoras a que assistimos por parte da Ministra é, portanto e primariamente, do primeiro-ministro. Não obstante, MLA não deixa de ter a sua quota-parte de responsabilidade, especialmente porque está acima de qualquer lógica e racionalidade que tenha aceitado desempenhar um cargo sabendo não dispor das condições mínimas para tal – tivesse sido ela convidada para a Justiça, ou até para a Defesa, e certamente que outro galo cantaria ou poderia ter cantado.
Excesso de ambição, curiosidade pelos alçapões e esconderijos do poder, vontade de protagonismo e notoriedade, ingenuidade política abissal, priorização puerilmente patriótica do serviço público, inépcia em termos de autoavaliação, eis algumas das possíveis motivações que levaram MLA a corresponder ao convite impensado (ou oportunista?) de Montenegro e, em continuidade, ao penoso calvário a que acima me refiro. O certo é que a senhora volta para casa maltratada e com o rabo entre as pernas, ao que se diz ainda sem compreender porque não a deixavam absorver cuidada e invisivelmente os dossiês para assim devidamente os dominar, decidindo com toda a propriedade num quadro de fomento da aprendizagem coletiva. Só que não é assim que funciona, Senhora Professora, muito menos num mundo tão mediaticamente enformado quanto o que nos envolve e onde o ávido veneno das redes sociais dita inapelavelmente as regras de qualquer jogo, política mais do que incluída.
Deixo a terminar os meus votos sinceros de muita saúde e feliz gozo de merecida aposentação para a ex-ministra – Catedrática de Direito Constitucional na UNL e também ex-juíza e vice-presidente do Tribunal Constitucional, ex-Conselheira de Estado e ex-Provedora de Justiça – que a soberba de Montenegro manchou, alguém cujas qualidades o País assim ingloriamente terá acabado por desaproveitar...

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