segunda-feira, 29 de outubro de 2012

CELEBRAÇÃO DO ROMANCE

“O fim de Outubro trouxe de volta o rito anual de atrasar os relógios, adensando a escuridão que caía sobre as nossas tardes e deprimindo ainda mais a nação. Novembro começou com outra vaga de frio e com chuva quase diária. O tema de todas as conversas era a ‘crise’. (…) A sensação geral é que estávamos a encaminhar-nos para qualquer coisa grave, mas difícil de prever e impossível de evitar. Havia a suspeita de que o ‘tecido social’ estava a desfazer-se, embora ninguém soubesse muito bem o que isso ia implicar.”
 
Não dá uma estranha sensação de proximidade? A verdade é que apenas se trata de um excerto do último livro de Ian McEwan (abaixo caricaturado por James Ferguson para o “Financial Times”) e de uma passagem que se reporta à realidade de Londres no início dos anos 70.
 
 
O romance intitula-se “Sweet Tooth” no original e teve o seu lançamento mundial na Festa Literária Internacional de Paraty – talvez em homenagem à paixão pelo Rio de Janeiro que assaltou o filho do autor – sob o título “Serena” (o nome da protagonista), tendo sido entretanto objeto de uma terceira redenominação na edição portuguesa (“Mel”). McEwan descreveu-o como “uma celebração do ato de ler” e como “uma autobiografia deslocada”. E explicitou a seguinte junção de três elementos para o caraterizar mais cabalmente: “escrever uma celebração da imaginação, escrever uma investigação de espiões e escrever uma história de amor que acabasse de uma maneira feliz”.


Na sua crítica do livro na “Ípsilon”, Helena Vasconcelos sublinha acertadamente que “poucos romancistas serão tão ardilosos na construção de tramas quanto Ian McEwan”. E explica-se: “É com aparente simplicidade que arrasta o leitor de logro em logro, de artimanha em artimanha, de ilusão em ilusão, de armadilha em armadilha, num jogo só comparável à cena na sala de espelhos no filme ‘A Dama de Xangai’ de, e com, Orson Welles”.
 
Uma obra em que o criador, assumindo novamente uma personagem feminina, tece assim uma tão notável dialética/fusão entre a realidade e a ficção que faz jus integral ao seu declarado prazer maior de manipulação do leitor…

domingo, 28 de outubro de 2012

POR UMA POLÍTICA EUROPEIA


Conheci a Maria João nos idos de 80 em Paris. Após uma embaraçosa primeira impressão à porta de um anfiteatro da Sorbonne – mantenho a “petite histoire” sob reserva… –, por lá nos fomos cruzando vezes sem conta sem nunca ter sido fácil “sentá-la” na sua agitada correria pela informação e busca pelo conhecimento (devidamente premiadas com três diplomas obtidos em três anos, fora as frequências e atendimentos facultativos). Depois, sempre assim foi acontecendo ano atrás de ano, nos mais variados locais e contextos (universitário, cívico, político ou pessoal). Até ao presente.

Dito isto, e mais em concreto, devo ainda confessar que nunca assimilei integralmente o conteúdo da vocação europeia da Maria João. Defeito meu, certamente, tanto mais quanto lhe reconheço uma enorme capacidade de trabalho, uma inexcedível determinação e uma grande sinceridade de intenções. Mas – tenho pensado com os meus botões – alguma coisa parece falhar, obviamente que raciocinando em termos relativos, na desproporção que existe entre o indisfarçável esforço e o visível frenesim, por um lado, e os correspondentes resultados analíticos ou de propositura, por outro. 

É em face deste enquadramento que a recente entrevista de Maria João Rodrigues a Ana Lourenço (“Edição da Noite” da SIC Notícias do dia 26) se veio constituir num inesperado momento de agrado, ao fazer ressurgir o melhor da sua estruturação intelectual e emergir uma mais pertinente capacidade de exploração da experiência acumulada nos corredores bruxelenses. Aqui deixo, por isso, alguns dos contributos mais salientes dessa prestação.

·         “Eu acho que Portugal tem que estar muito atento à forma como o quadro europeu está a evoluir. Realmente, há um ano e meio, havia um enfoque quase exclusivo na questão da redução do défice e da dívida. Mas entretanto as coisas mudaram, porque há um balanço do que está a acontecer no terreno, porque há uma composição diferente do Conselho Europeu, e hoje o discurso oficial da União Europeia frisa bem que é necessário fazer as duas coisas [reduzir o défice e a dívida, por um lado, e crescer, investir e criar emprego, por outro] ao mesmo tempo.”

·          “No caso português, há uma perceção ao nível europeu de que o programa aplicado estava a dar o seu efeito porque se veem resultados nas exportações, porque há algum esforço de reforma nalgumas áreas, portanto há a perceção de alguns aspetos positivos. Mas não há, a meu ver, a informação suficiente sobre os aspetos negativos, que estão neste momento evidentes para quem vive em Portugal de redução de capacidade empresarial, de destruição de emprego, de redução de horizontes para o grupo mais jovem da população (…). A certa altura, há o risco de a vertente negativa se tornar mais importante do que a vertente de resultados positivos que estão a ser obtidos. (…) Eu acho que não há nenhum problema em nós dizermos que estamos a fazer um esforço real, estamos a obter alguns resultados positivos mas também há alguns resultados negativos em relação aos quais o Conselho Europeu tem que estar atento e tem que ponderar qual é o equilíbrio devido entre a parte negativa e a parte positiva.”

·          “Antes de discutir tempo, nós temos de discutir à cabeça custos e condições de financiamento: taxa de juro, os chamados colaterais, portanto as condições a que o País acede para financiar o Estado e as empresas. E é isso que, se conseguir condições melhores, vai poder pagar a sua dívida com encargos menores para o orçamento de Estado e vai também facilitar o acesso ao crédito por parte das empresas. (…) Com uma boa argumentação e tirando partido dos instrumentos que se estão a desenvolver. Porque nós temos neste momento uma transição do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira para um Mecanismo Permanente de Estabilidade Financeira que vai ter outros instrumentos, temos o horizonte de num certo momento poder recorrer aos novos instrumentos do Banco Central Europeu que foram anunciados durante o Verão e temos também no horizonte a construção do que se chama uma União Bancária que deveria normalizar a circulação do capital disponível na Europa. Portanto, Portugal tem de jogar com toda essa paleta de instrumentos.”

·          “O segundo aspeto seria apresentar em cima da mesa uma boa carteira de projetos de investimento porque, atenção, o Banco Europeu de Investimentos tem neste momento um reforço da sua capacidade de financiamento e está à procura de projetos. (…) E de certeza que há essa capacidade na sociedade portuguesa, há empresários com provas dadas.”

·          “O terceiro ponto é discutir metas credíveis de redução do défice e da dívida. A meu ver, não faz sentido definir o objetivo em termos de défice nominal. O que nós temos de ter é medidas credíveis de redução do peso da dívida mas com um horizonte que seja sustentável a prazo e que, acima de tudo, não liquide capacidade em Portugal. (…) Nós temos de reformar uma série de coisas em Portugal mas uma coisa é reformar, outra coisa é destruir capacidade de empresas que são viáveis, de empregos que são viáveis, de qualificação de pessoas que estão disponíveis para trabalhar.”

·          “Nós temos que saber apresentar o nosso caso bem (…), temos que apresentar uma estratégia clara – e a meu ver são estes três pontos: condições de financiamento, carteira de projetos e consolidação orçamental com metas mais credíveis. E, depois, a quem é que nós apresentamos isso? Bom, eu devo dizer que o nível Troika não é o nível relevante. A Troika é uma equipa operacional que obedece a instruções de um outro nível. E é com esse outro nível que o País tem que entrar em interlocução. É o nível da decisão política. Ainda agora vimos no caso da Grécia: a Troika que está a operar na Grécia teve instruções políticas para encontrar outro tipo de soluções que há um ano e meio eram impensáveis. (…) De quem é que eu estou a falar concretamente? Estou a falar dos presidentes das instituições europeias (Comissão Europeia, Conselho Europeu, Grupo Euro) mas estou também evidentemente a falar do governo alemão à cabeça, porque em termos informais o governo alemão – se bem que não esteja presente no cargo destes presidentes que eu acabei de referir – tem pessoas chave no sistema que condiciona a solução para Portugal; o diretor do atual Fundo Europeu de Estabilidade Financeira é alemão, há alemães nos pontos-chave de decisão de apoio ao Ecofin, dentro da Comissão Europeia… – dentro da Comissão Europeia há um canal quase estanque de instrução às equipas de Troika, canal esse que é altamente influenciado informalmente pelo governo alemão –, portanto a interlocução com o governo alemão é chave. E acho que a perceção do governo alemão também está a evoluir, claro que muito condicionada agora pela política interna alemã porque vamos ter eleições em setembro e se há objetivo central que a Sra. Merkel tem é evidentemente o de ser reeleita; mas apesar dessa condicionante, ela também já percebeu que tem que chegar lá não com desastres nestes países que estão a ser intervencionados mas com resultados positivos à vista porque senão isso vai jogar contra ela.”

Sendo Passos notoriamente um caso perdido, ficam assim estas notas à atenção do arrependido Paulo Portas. Com o voto de que, a concretizarem-se as suas promessas de emenda, elas possam ajudar a levar o Governo de Portugal ao cumprimento de mínimos em termos da política europeia de que tanto carece…

A REFUNDAÇÃO DO ACORDO SEGUNDO PASSOS



O casamento desavindo da maioria persiste. Mas as fissuras na maneira de o viver são cada vez mais evidentes, sobretudo se tivermos em conta não apenas os protagonistas diretos, mas também os seus porta-vozes informais e de circunstância, representados em personalidades que estão fora da governação. E nada melhor do que as jornadas parlamentares para o evidenciarem, apesar de todos os apelos à conjugação de esforços na esfera parlamentar.
Portas, sempre o mais arguto e com maior intuição política, é claro no seu fino apelo a uma diplomacia mais inteligente na supervisão e negociação do acordo de resgate financeiro. Percebeu (ao fim de tanto tempo, como é possível …) que o teatro das negociações se alterou, que há mais nuances, que o FMI tem hoje uma visão dos efeitos da abordagem seguida na economia mundial mais matizada, por mais estrangulamentos que existam na instituição entre o seu pensamento no topo e a sua transmissão aos múltiplos processos em que a instituição está envolvida. É tempo demais para compreender essa inevitabilidade. Aliás, ao contrário do que muito boa gente hoje rendida à crítica do mito da austeridade expansionista então admitiu (incluindo aqui gente como Vasco Pulido Valente e José Pacheco Pereira), a eleição de Hollande representou uma significativa mudança no teatro das negociações. O desdém com que essas personalidades então receberam essa eleição deve-lhes hoje causar algum amargo de boca. Não perceberam que na eleição de Hollande havia duas dimensões: a francesa “tout court” sobre a qual podemos alimentar reservas e a europeia, na qual a emergência de novas nuances era imediata e cristalina.
Nos outros dois protagonistas da peça (tudo o resto são papéis menores sem qualquer influência no desenvolvimento da trama que nos tem tramado), Passos e Gaspar, há comportamentos diferenciados. Gaspar, fiel ao guião inicial, permanece agarrado ao seu papel de bom funcionário chegado de Frankfurt, até que alguém lhe diga chega e o devolvam à origem. Passos dá sinais de querer (?) mudar de guião, sobretudo porque começa a perceber (?) que a incompressibilidade da despesa é algo que as suas convicções pré-eleitorais e sem experiência de governação estariam longe de antecipar. E lança nesse sentido a ideia da refundação do acordo, que não é mais do que um projeto de refundação do Estado, procurando para isso sensibilizar o PS.
Há aqui que distinguir com clareza duas coisas. Uma consiste na discussão do tema em abstrato, ou seja, independentemente da experiência e prática de quem o propõe. Outra, completamente distinta, consiste em discuti-la e projetá-la no tempo e situações concretas da sociedade portuguesa.
No primeiro plano, penso que mais tarde ou mais cedo não escaparemos a esse debate. Para isso propus em posts anteriores o referencial do peso e do papel do Estado. A formulação não é minha. Estou bem acompanhado. Penso que foi Stiglitz o primeiro a formulá-lo nestes termos a propósito das crises asiáticas dos fins dos anos 90.
No segundo plano, porém, Passos Coelho não tem moral para o propor agora, pois a sua abordagem ao memorando da Troika é de quem quer utilizá-lo como veículo oculto de passagem de um projeto de desmantelamento do Estado e do serviço público sem escrutínio político democrático. Como tenho dito, esta gente não é de confiança, o que não significa que parte dos que os antecederam o fossem. Quem propõe nos termos que o fez a subida da TSU, quem propõe experimentalismo social e recua no dia seguinte sabe-se lá por que razão, quem usa e despreza instrumentalmente a concertação social não tem condições para propor à oposição no arco da governação a refundação do Estado e do acordo. Não é que o tema não seja vital. Há domínios em que o papel do Estado terá de significar peso desse mesmo Estado. Mas há outros em que um papel mais consistente e determinado a prazo pode significar até um menor peso. O problema está na credibilidade de quem o propõe. Mas já agora tal refundação é indissociável de um pacto em torno de políticas de crescimento.
O PS, certamente reforçado por um coro tão alargado de opiniões em torno da necessidade de conjugar a abordagem com a questão europeia, dará por certo o devido troco a este golpe de rins de última circunstância, a este apelo de quem se vê forçado a contradizer toda a rábula do aluno disciplinado. Nas condições em que estamos, é no plano do escrutínio político democrático que o debate tem de ser necessariamente feito. Só nesse plano Passos Coelho (se subsistir) terá moral para apresentar então, preto no branco, o seu projeto (?) de minimização do peso e do papel do Estado e pugnar, assim o entenda, por que seja sufragado eleitoralmente.

sábado, 27 de outubro de 2012

PORTAS EM CÂMARA LENTA


21 junho 2011 – 26 outubro 2012, quase 500 dias e 5 avaliações da Troika depois, o nosso MNE veio declarar: "Portugal tem de ser mais proactivo perante a Troika". Patriotismo, clarividência, sabedoria, visão ou o quê?

APLAUSO A SEGURO


Só por razões circunstanciais a “Quadratura do Círculo” tem estado um pouco menos presente neste espaço. Porque Pacheco Pereira, António Costa e Lobo Xavier continuam semanalmente a insistir em assinalar toda uma diferença qualitativa no debate político nacional.
 
Aqui deixo um registo do modo como o último dos acima referidos comentadores terminou o programa de anteontem, aliás com o devido assentimento dos seus colegas de painel: “Foi mais útil para a política externa o que fez Seguro na última semana do que um ano de política externa europeia portuguesa”. Elementar mas justíssimo!

A NEW YORKER E AS ELEIÇÕES AMERICANAS



Como já provavelmente se aperceberam sou um fanático da New Yorker. Esse apego pode valer-me algum risco de identificação com o snobismo jornalístico, tipicamente nova-iorquino, mas a qualidade da revista vale bem esse risco e o montante da assinatura digital e em papel. E ainda mais se me aguçou esse apetite quando, já há aqui alguns anos, não sei se ainda se recordam, a nossa protegida do já desaparecido Stephen Jay Gould, Clara Pinto Correia, foi apanhada num plágio evidente da New Yorker numa das suas crónicas para um jornal qualquer que já se me varreu da memória. A partir daí, comecei a ler ainda com mais atenção a revista, esperançado em apanhar mais alguém em flagrante.
Volto ao tema porque, no seu número de 29 de Outubro de 2012, a revista publica um editorial designado de “A Escolha” em que assume frontalmente o seu apoio à reeleição de Obama, com base numa análise crítica frontal, honesta e não laudatória das realizações associadas ao primeiro mandato do agora candidato. Gosto que os jornais se identifiquem e que não nos queiram vender gato por lebre. A New Yorker, o Economist ou o Wall Street Journal são jornais que se assumem, que explicitam bem os seus padrões de valores e convicções. Gosto disso e não de jornalismo que se esconde por detrás de uma pretensa neutralidade.
O editorial é uma peça que considero notável e recomendo vivamente a sua leitura.
Destaco apenas alguns elementos, esperando com isso aguçar a curiosidade de quem queira ter a pachorra de o ler.
A herança económica e política de Bush é impiedosamente documentada, bem como a sistemática tentativa de no Congresso os Republicanos assumiram de torpedear tudo o que se afigurasse inovação e promessa eleitoral do Presidente.
A relevância económica e política do American Recovery and Reinvestment Act de 2009, o já aqui referido pacote de estímulo fiscal, abaixo do que se exigia e do que Christina Romer tinha recomendado em sede de Council of Advisors, é apresentado como um dos mais difíceis atos presidenciais suscetíveis de capitalização política. As razões dessa dificuldade interessam-me vivamente sobretudo como avaliador de políticas. Obama terá confessado a um jornalista que “é sempre difícil demonstrar a efetividade de um contrafactual”. O que é que Obama quer dizer com isto. Quer dizer que o pacote de estímulo fiscal colocou a economia americana numa situação bem melhor do que teria se não tivesse havido o estímulo fiscal, embora num contexto geral em que o desemprego e o crescimento anémico persistem. Os defensores de um estímulo fiscal mais forte dirão que a economia americana teria recuperado bem mais depressa com um estímulo na ordem de grandeza que economistas como Christina Romer desejariam.
Outros aspetos são percorridos, como a proteção dos direitos cívicos de minorias, o Patient Protection and Affordable Care Act (ainda longe do Medicare for All), a frente externa, algumas das suas fragilidades (primeiro debate com Romney).
Quanto às razões para o não apoio a Romney, destaco apenas três ideias: uma, que é uma citação de Roosevelt: “Devemos ser testados não porque aumentámos a abundância dos que já têm muito, mas antes pelo que pudemos fazer em relação aos que têm pouco”; a segunda é uma delícia: “Ter contas bancárias no estrangeiro não é um sucedâneo da experiência em política externa”; o argumento final: “A escolha é clara. O bilhete Romney-Ryan representa uma visão constrangedora e retrógrada da América: a privatização do bem público”.
Jornalismo do falar claro, goste-se ou não se goste.

JORGE SAMPAIO


Acordei com ressaca. Mas uma ressaca diferente, boa, muito saborosa. Que privilégio ter podido estar ontem ao final da tarde no auditório da Fundação Eng. António de Almeida com Jorge Sampaio e a sua “contabilidade cívica”! E uma vez que transmitir o que por lá se ouviu, passou e sentiu vai muito para além das minhas capacidades literárias, fico-me por dois especiais cumprimentos às notáveis intervenções de Manuela de Melo e José Pedro Castanheira e pela prosaica ideia de uma confirmação: Jorge Sampaio é um homem inteiro e único…