(Ben Jennings, https://www.theguardian.com)
(Nicolas Vadot, http://www.levif.be)
Julgo que já poucos tinham quaisquer ilusões sobre a seriedade de Gianni Infantino, o presidente da FIFA. Mas a verdade é que o Mundial de 2026 afastou todas as dúvidas que pudessem ainda subsistir (entre as limitações à entrada dos EUA de vários jogadores e agentes nacionais, o cartão vermelho retirado a pedido de Trump, algumas arbitragens incompreensíveis, os breaks para publicidade disfarçados de hidratação, etc.). Pior do que tudo, o personagem acabou a fazer um balanço muito positivo do evento (que só o foi em termos desportivos estritamente considerados) e, vai daí, aproveitou para anunciar o seu projeto – devidamente articulado com Donald Trump – de privatizar a competição, tornando o futebol um mero pretexto para fazer dinheiro (como já é, diga-se com frontalidade, embora conseguindo esforçadamente exibir alguns elementos de compensação e/ou disfarce. A coisa foi a um ponto tal que até a UEFA veio a terreiro para denunciar a marosca e pedir a cabeça de tal figurão!
(Nicolas Vadot, http://www.levif.be)
Mudando de assunto dentro da mesma área, sublinhe-se quanto é grotesco, penoso e injusto este longuíssimo “período de mercado” (com pequenas variações inter-países) em que estamos até ao início de setembro, favorecendo os beneficiários das negociatas de jogadores e os donos dos clubes ricos e prejudicando qualquer planeamento de época por parte dos clubes remediados ou pobres e/ou oriundos de países onde a ganância ainda não encontrou significativa razão de ser. Faria bem a UEFA em procurar formas de minimizar esta crescente deriva antidesportiva, uma deriva que naturalmente afeta, e muito, os clubes portugueses. Uma sugestão que continuará a cair em saco roto, até que os amantes da essência do desporto em causa o comecem a boicotar através de menores assistências nos estádios, de menores receitas obtidas nas televisões ou de menores audiências mediáticas de todo o tipo.
Entretanto, a época em Portugal teve ontem início com uma pouca interessante final da Supertaça vencida em Coimbra (num relvado perigoso e inconcebível!) pelo FC Porto ante o Torreense (1-0), fazendo com que o clube da Invicta assumisse a liderança de troféus oficiais historicamente conquistados (88 contra 87 dos autoproclamados “encarnados” e 57 dos pretensiosos “lagartos”) – que seja o prenúncio de uns meses de alegrias, mesmo sem sabermos ao que o “mercado” nos vai obrigar a todos e cada um...




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