A primeira intervenção conjunta no mercado cambial levada a cabo pelos EUA (com a FED a vender euros para comprar ienes em nome do Tesouro) e pelo Japão em quase trinta anos surpreendeu alguns analistas mas acaba por ter um racional bem percetível e interessado. Vejam-se as “gordas” na infografia apresentada acima.
Com efeito, a moeda japonesa vem sofrendo quebras significativas desde a pandemia, às quais uma compreensível reação defensiva das suas autoridades só poderia ocorrer por via de uma improvável alta marcante das taxas de juro (hoje bem abaixo dos seus pares) ou de uma venda maciça de dólares (ou seja, de obrigações americanas).
Ora, o Japão (com um valor bem acima de 1 bilião de dólares) é hoje o maior detentor mundial de dívida americana (a fase chinesa, que atingiu picos por alturas da crise de 2008/10, já foi ultrapassada há muito e a China ocupa atualmente o terceiro lugar em tal ranking), pelo que esta hipótese é assustadora, em termos estruturais e de evolução previsível dos yields, para um país a braços com uma dívida cada vez menos controlada e cada vez mais cara.
Assim sendo, e apesar das palavras oportunamente carinhosas de Donald Trump para com os amigos japoneses, a verdade é que a intervenção verificada – e bem sucedida no curto prazo, já que o iene valorizou cerca de 4%, passando 164 por dólar para 156 no final da semana – foi objetivamente menos fundada num apoio à moeda nipónica do que numa proteção do Tesouro americano, dela bem carecido devido aos inúmeros e multifacetados riscos que a política económica de Trump e Scott Bessent vem desmultiplicando na economia do país.

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