Não me referindo ao que de mais essencial carateriza o “trumpismo” no plano do respeito por valores mínimos e de uma desejável convivência humanitária e pacífica à escala global, diria que uma das outras coisas mais perturbadoras da presidência de Donald Trump é a sua presença absoluta e permanente no palco mediático whatever the reason. Mesmo por cá, e não indo aos canais televisivos de notícias (que têm de “encher pneus” numa sucessão descontrolada e por demais fastidiosa de imagens e comentários, veja-se acima um reporte por defeito dos temas que, na última semana e excluindo a novela em torno do Irão (limitadamente ilustrada mais abaixo), o “Público” trouxe ao conhecimento geral em “gordas” relativas ao presidente dos EUA (que, além de atentados aos direitos humanos e de cidadania, também anuncia recompensas a criminosos ou critica os lucros das petrolíferas).
(Luís Afonso, “Bartoon”, https://www.publico.pt)
Mas a atualidade trumpista não atravessa os seus dias mais favoráveis na medida em que está a braços com a bomba-relógio das midterms do Outono enquanto não consegue libertar-se do bicudo transtorno em que se meteu ao entrar intempestivamente, pela mão de Netanyahu, numa guerra contra o Irão. A ponto de já haver notícia de alguma tensão entre Trump e o seu Secretário da Guerra (o inenarrável Pete Hegseth, habitualmente uma figura ridícula na sua dimensão mais saliente de mero bajulador e cumpridor de ordens) por razões associadas a uma alegada “escassez extrema de munições” no país (pudera, digo eu!) e de já se terem tornado motivo de chacota as incursões declarativas do presidente a propósito da situação no Irão, dos líderes dizimados às negociações ditas em curso a rogo dos adversários, das sempre criativas ameaças de extermínio aos acordos a serem conseguidos rapidamente, da reabertura próxima do estreito de Ormuz – que estava em funcionamento antes de Trump lá ir meter o nariz e assim permitir aos iranianos uma perceção clara do seu imenso poder efetivo na matéria em causa – aos bloqueios e portagens que vão sendo proclamados, tudo num delirante fluxo de contradições que apenas serve de evidência comprovativa do grau de embaraço que se apoderou das autoridades políticas e militares dos EUA.



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