domingo, 30 de agosto de 2026

E PORQUE HAVERIA A ISLÂNDIA DE QUERER ADERIR À UE?

Parecem suficientemente claras as indicações existentes sobre os resultados do referendo de ontem na Islândia sobre a vontade ou não dos cidadãos locais de que se reabrisse o processo de negociações com vista a uma adesão do país à União Europeia (o pedido para tal aconteceu em 2009 na sequência da crise financeira global e do colapso do sistema bancário islandês, mas foi suspenso em 2013 por parte de um governo eurocético): Não! E porque haveria de ser “Sim” a resposta maioritária que não por supostas razões de melhoria das condições de combate à insegurança geopolítica associada às “incursões discursivas” de Trump acerca da Gronelândia? Com efeito, e em sentido inverso, os defensores do “Não” agitavam um temor que se terá mostrado bem mais palpável: o dos riscos que impenderiam sobre os seus importantes e lucrativos setores pesqueiro e marinho (representando cerca de 40% das exportações do país) se viessem a ficar sujeitos aos controlos (quotas e outros) provenientes da Política Comum de Pescas.



A primeira-ministra de centro-esquerda (Kristrún Frostadóttir) foi hábil na sua tentativa de aproveitar as ameaças americanas contra a Gronelândia e as tensões internacionais vigentes para encontrar um momentum aparentemente propício à sua “dama europeia”, incrementando assim as suas já fortes ligações ao bloco (como parte integrante do Mercado Único e da Zona Schengen, além da presença na NATO). Posicionamento que Bruxelas acolheu com a maior simpatia por permitir um contraponto ao excessivo deslocamento para Leste (e para sociedades bem mais pobres do que a média europeia) do atual processo de alargamento e, neste quadro, de reforço da imagem da União e de compensação das suas visíveis fragilidades geoestratégicas. Assim não ocorreu, embora por escassa margem (os últimos números apontam para um diferencial de 12600 votos).

 

A Islândia vai assim prosseguir o seu caminho de estrita independência nacional, o qual lhe parece garantir mais vantagens (mesmo com as elevadas taxas de juro instaladas e ainda justificadas pela amplitude da crise financeira do passado recente) do que o que decorreria de um alinhamento feito de negociações incómodas e de incertezas seguramente maiores. 

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