Começou o futebol europeu a doer (centro-me essencialmente nas “Big 5 Leagues”) no último fim de semana – início da “Premier League” inglesa, da “Serie A” italiana e da “Ligue 1” francesa, além de uma verdadeira abertura da “La Liga” espanhola (devido a Real Madrid e Barcelona também só terem arrancado neste Sábado), sendo que apenas a “Bundesliga” arranca na semana próxima –, com jogos já disputados em alto ritmo e superior nível de qualidade (destaco o Manchester City-Bournemouth e o Newcastle-Liverpool, o Atlético de Madrid-Villarreal e o Stade Rennais-PSG).
Dado que há muito me interrogo sobre o historial destas ligas, assumo ser hoje o momento adequado para algumas incursões de estrita curiosidade nessa matéria. Deixo aos leitores cinco infografias atualizadas sobre os grandes números de cada um desses campeonatos, deixando-lhes o espaço que entenderem para os tratarem de acordo com os seus próprios critérios e limitando-me a alguns sublinhados genéricos que me pareceram mais pertinentes.
Abro com a “Premier League” (“First Division” até 1991/92), em disputa desde 1888/89 (com interrupções mas Grandes Guerras Mundiais), onde a supremacia é irmãmente dividida entre o Liverpool e o Manchester United (com o Arsenal no terceiro lugar do pódio) e nada menos de 24 formações já foram campeãs (incluindo, entre os pequenos, o Leicester City em 2015/16 e o Preston North End, atualmente no “Championship”, nos dois primeiros anos de torneio em finais do Seculo XIX).
Prossigo com “La Liga” (desde 1929), onde a hegemonia é merengue (Real Madrid com 36 títulos) e os catalães do Barça são o grande challenger (29 conquistas) e um total de 6 equipas já venceram o troféu (Bétis, Sevilha e Corunha somente uma vez e Real Sociedade por duas vezes, com Atlético de Madrid, Atlético de Bilbau e Valência a serem os segundos melhores por esta ordem).
Em seguida, veja-se a “Bundesliga” (lançada em 1963/64) e a sua antecessora, com os registos iniciais a datarem de 1903 e a serem fortemente influenciados pelas vicissitudes político-militares do Século XX (note-se, por exemplo, que o Rapid de Viena foi campeão alemão em 1941 e que o primeiro vencedor foi o Lokomotiv de Leipzig), onde o destaque absoluto é do Bayern de Munique (35 vitórias contra 9 do segundo mais titulado e atualmente muito afastado das grandes lides, o FC Nurenberga, e 13 dos últimos 14 títulos disputados, quebra apenas ocorrida devido à conquista do Bayer Leverkusen de Xavi Alonso em 2014) – outras equipas a registar são o Borussia de Dortmund em terceiro lugar histórico (8 vitórias) e o Schalke 04, o Hamburgo, o Estugarda, o Borussia de Mönchengladbach, o Werder Bremen e o FC Kaiserslautern com mais de três e por ordem decrescente de sucesso.
A “Serie A” é toda uma outra e rica história que vem de 1898, onde pontua a “Vecchia Signora” (Juventus de Turim) com os seus 35 títulos, muito à frente dos rivais milaneses (Inter e AC Milan, por esta ordem) e, obviamente, dos restantes treze que já levantaram o troféu e nos quais se contam equipas hoje relativamente modestas no contexto (Génova, Bolonha e Torino) e uma que anda pela “Serie C” (Pro Vercelli), todas em posição mais saliente do que o Nápoles, a Roma, a Fiorentina e a Lázio).
Termino com a “Ligue 1”, onde já se registaram 19 vencedores (se considerarmos o período pré-histórico iniciado em 1894 seriam 28) com o recente domínio avassalador do PSG (doze dos últimos catorze títulos disputados, já sob o controlo de um grupo do Catar) a já ter ido a ponto de o tornar o clube historicamente mais vezes ganhador (apesar de apenas ter sido criado em 1970); o “velho” Saint-Étienne (por onde andou Michel Platini e que está agora na divisão secundária) e o Olympique de Marselha estão taco-a-taco no lugar de segundos (dez ligas, embora os marselheses dele tenham sido despojados em 1992/93 por corrupção), o Monaco e o Nantes são terceiros (oito ligas), seguindo-se-lhes o Olympique Lyonnais (curiosamente com a sequência recorde de sete vitórias entre 2002 e 2008, aliás as únicas conseguidas pelo clube) e o Girondins de Bordéus e o Reims à frente do Lille (que ostenta também o prestígio de um dos seus fundadores, o Olympique Lillois, ter sido o primeiro campeão) e do Nice.
Não haverá propriamente conclusões a retirar de todo este panorama, mais pleno de informações curiosas do que de qualquer tipo de lições que não sejam as enormes diferenças existentes entre as várias realidades sob cotejo. Talvez que a mais óbvia moral a retirar de todos os elementos apresentados seja a de ali residir um dos fundamentos da força do futebol inglês de clubes – muito mais concorrencial do que os restantes quatro considerados – e, em alguma medida, do interesse competitivo (embora com perdas qualitativas associadas a uma menor capacidade financeira) da “Serie A” italiana. A liga espanhola situa-se numa posição intermédia, por força da expressão incomparável da realidade Real-Barça (com o Atlético a cheirar um espaço de entrada), enquanto os campeonatos alemão e francês começam a ser mais marcados pela disputa dos lugares seguintes ao vencedor e às qualificações para a Champions. Realidades estas, todas elas, que os sinais existentes tendem a apontar como em vias de prolongamento na época que se inicia – as perguntas de mais difícil resposta vêm de Inglaterra e Itália, onde a hierarquia de maio de 2027 surge como altamente imprevisível.






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