quarta-feira, 9 de setembro de 2026

BURNOUT NA EUROPA: PORTUGAL À CABEÇA

Passou-me pelas mãos e entendi ser útil a partilha deste trabalho respeitante às condições de vida e atividade dos trabalhadores na Europa (26 países considerados), conduzido por uma organização privada britânica que visa o apoio às pequenas empresas a partir de bases de dados disponíveis (designadamente da OCDE). O que obviamente me começou por chamar a atenção foi o facto de Portugal surgir em primeiro lugar do ranking de risco de burnout construído pelos autores. A informação essencialmente fundadora consta do quadro abaixo, onde se podem verificar os posicionamentos nacionais relativos nos cinco indicadores retidos e que, no cômputo global, nos colocam na pior das situações: somos 21º no balanceamento entre vida pessoal e de trabalho, 25º no índice de felicidade mundial, 24º em termos de salário médio, 23º em número de horas de trabalho semanais e 20º em reporte de fatores podendo afetar o bem-estar mental no trabalho. Independentemente dos lados subjetivos e metodológicos que subjazem a este tipo de construções, nada me leva a contrariar o resultado encontrado e, portanto, a aqui pretender chamar a atenção para um problema da maior pertinência com que se depara a comunidade nacional – porque também é disto que se trata quando nos cruzamos nas ruas e nos transportes públicos com gente de cara macambúzia e preocupada ou quando constatamos que crescem os concidadãos irritados e insultuosos nas redes sociais, ao volante ou nas filas diversas a que são sujeitos, já para não falar dos que contribuem para as audiências dos reality shows, novelas e concursos televisivos, para a alimentação do voto populista e para o lixo do comentário desportivo que grassa inapelavelmente em todos os canais à procura de que “o ópio do povo” funcione como outrora e converta glórias passadas de tonalidade “encarnada” em realidades efetivas cada vez mais impossíveis de sucederem. Duas notas finais e meramente circunstanciais: a Dinamarca, os Países Baixos e a Noruega encabeçam a lista dos países de menor risco de burnout, em linha com o que se conhece sobre tais realidades económico-sociais; a França é, de entre os países mais ricos do Continente, aquele que se apresenta mais frágil à luz dos indicadores considerados e com destaque para as questões de saúde mental. 

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