Creiam-me: este desabafo não clubisticamente inclinado, antes se pretende largamente objetivo e ilustrador, à sua maneira, de uma das razões pelas quais o País não sai da cepa torta (põe as fichas todas no mesmo adorado cavalo e fica cego, surdo e mudo perante o resto do que se lhe oferece).
É por demais doentia a fixação do comentariado nacional com tudo quanto respeita ao SLB. Sem celebrarem uma vitória em campeonato desde 2023, os ditos estão tão sedentos e famintos quanto obcecados com o facto e desculpam-se com a necessidade imperiosa de manterem grandes audiências e captações de publicidade para discutirem durante horas a fio tudo o que conseguem encontrar como motivo de interesse (?) e que tenha proveniência do Seixal e da Luz. A coisa alcançou níveis paranoicos neste Verão, sobretudo em torno da aquisição de um João Palhinha que a cada hora ia sendo apresentado como “a última Coca-Cola do deserto” e, portanto, como a garantia última de um título que não fugiria/fugirá em maio de 2027 (somado a uma vitória anunciada como quase certa na Liga Europa), tal como alegadamente deveria ter ocorrido com a tão festejada compra de Richard Ríos ao Palmeiras por 27 milhões de euros no defeso do ano passado (e agora recambiado para a Arábia Saudita, à falta de outro encaixe satisfatório) – um Palhinha ainda sem ritmo competitivo que imprevistamente foi levado a estrear-se na Segunda-Feira passada contra o Estoril por lesão de Barrenechea e um Palhinha que fez uma exibição razoável (até porque o jogador é bom e não sabe jogar mal) embora longe de excecional, mas um Palhinha que logo logrou a atribuição do troféu de MVP do encontro numa mui eficaz joint-venture entre a Benfica TV e a Sport TV (!).
Veja-se agora o caso deste início de campeonato com as duas vitórias fora por parte do Benfica (uma com um inabitual 7-0 ao Casa Pia e outra, ontem, com um 3-0 ao Marítimo). Pois nada melhor do que sublinhar tão estranho recorde com um “Benfica escreve história” (primeira vez que faz dez golos nos dois primeiros jogos fora) ou com um “Benfica arrasador” que só convence os convertidos irrecuperáveis porque destituídos de critério e, portanto, sem emenda no seu horizonte vital! No que me toca, aguardo por maio de 2027 para endereçar os parabéns àquele que vier a ser o campeão nacional...




Sem comentários:
Enviar um comentário