Depois de muitas peripécias e resistências, as Nações Unidas levaram à votação da sua Assembleia Geral (AG) uma correção do mapa-mundo habitualmente em uso, desenhado em 1569 pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator com vista a facilitar a navegação de europeus pelo mundo. Tal correção resulta do facto de ser impossível representar com precisão a superfície de um globo numa carta a duas dimensões – o mapa Mercator acomodara a curvatura da Terra fazendo com que os países próximos do Equador aparecessem menores do que a sua realidade e os países próximos dos Polos surgissem maiores. Em 2018, um grupo de cartógrafos, posteriormente apoiado pela União Africana, juntou-se para tentar encontrar uma solução mais pertinente para o dito problema e criar, nesse quadro, o que designou por “Equal Earth projection”. Foi este novo mapa que a AG adotou na sua reunião do passado dia 4, ainda que sujeito a uma lógica non-binding, através de uma votação maciça (164 a favor, Estados Unidos da América contra e 6 abstenções, a saber: Estónia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia). O ministro dos Negócios Estrangeiros do Togo, país que protagonizou a resolução em causa, afirmou claramente: “Um mapa nunca é neutro. Molda perceções, influencia o modo como é compreendido o lugar dos povos e continentes do mundo.”; e sublinhou ainda: “um mundo mais justo começa com um mapa justo”. Outros foram mais longe ao sublinharem estarmos perante “a mais longa falta de informação e desinformação à escala mundial” ou ao insinuarem culpas históricas (p.e., sob a formulação de uma “loucura dos colonialistas”).
Os elementos apresentados são indesmentíveis (e este post está recheado de ilustrações de diverso cariz), sobretudo no que toca à representação do continente africano, que assim se mostra que tem de ser reconhecido doravante como o maior do planeta (primeira infografia abaixo). Os argumentos são múltiplos e vão da comparação entre a África e a Gronelândia (segunda infografia abaixo) à evidência de que “caberiam em África os EUA, a China, a Índia, o Japão o México e grande parte da Europa e ainda sobraria território” (terceira e quarta infografias abaixo). Remeto, por fim, para a infografia que encerra este post e corresponde ao detalhado mapa oficial que as Nações Unidas publicaram no seu site.










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