Nunca iria aceitar que alguém vaticinasse que um dia ainda acabaria por reconhecer a justeza de Jorge Jesus ser o selecionador nacional de futebol nem que João Félix conseguiria ser com mérito o motor do meio-campo nacional. Mas aí está esse improvável dois em um a verificar-se, largamente motivado pela mediocridade de um Roberto Martínez que esteve ao comando da equipa portuguesa durante intermináveis seis anos e beneficiando do adicional contributo da mornice e escassa exigência do futebol da Arábia Saudita, assim transformando Jesus num “génio” que nunca verdadeiramente foi (apesar de ele, usando a sua proverbial rudeza de palavra, se ter nessa conta em virtude da autoconfiança ilimitada que soube construir e alimentar, disfarçando em simultâneo os seus insucessos mais gritantes, como a segunda passagem pelo Benfica e o brutal ajoelhamento a que se sujeitou no Dragão) e Félix num jogador capaz de finalmente correr em campo e nele exibir as qualidades técnicas que possui (depois de anos a penar na sequência da saída do Benfica para o Atlético de Madrid de Simeone e episódios subsequentes).
O jogo de ontem, na Noruega, foi de outro nível face ao que estávamos habituados com o espanhol, ainda que não tenha sido explorado todo o potencial dos nossos atletas (os convocados e outros) e do coletivo que podem formar. Além de Félix, salvaram-se com nota alta Diogo Costa e Ruben Dias e, ainda, Gonçalo Ramos (o avançado-centro que há muito devia estar a ocupar tal lugar), Pedro Neto e Vitinha, tendo estado longe dos mínimos João Cancelo e João Palhinha e, menos, Renato Veiga; Cristiano Ronaldo, por manifesta falta de ética desportiva no modo como se comportou no banco e abandonou o terreno imediatamente após o apito do árbitro, foi inqualificável e tornou-se o pior jogador português por indecente e má figura.
A expectativa razoável relativamente ao que se seguirá no próximo momento das seleções vai no sentido de que Jesus, após algum natural conservadorismo inicial, venha a chamar à seleção alguns novos valores (como Alberto Costa, Tiago Gabriel, Carlos Forbs, Geovany Quenda, Rodrigo Mora, João Simões, Mateus Mide, Daniel Banjaqui e outros), afastando “velhos” já em quebra e prolongando assim a nossa presença nos primeiros lugares do ranking futebolístico mundial. Inch’Allah...

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