A minha evolução enquanto adepto do desporto-rei foi acompanhada de uma tomada de posição em favor do nosso CR7 relativamente ao seu grande rival à escala global (o argentino Lionel Messi), seja por razões patrióticas ou por razões de admiração pelo notável profissionalismo que o madeirense ia exibindo e lhe permitia performances e feitos excecionais.
Claro que aquele pé esquerdo de Messi e a naturalidade do talento que punha em campo também não me passavam despercebidos mas logo os desvalorizava perante contos e ditos pouco elogiosos ou algo estranhos relativos à personalidade e ao modo de estar do argentino. E assim vim até ao Mundial passado, momento em que a classe de Messi e a sua presença esforçada, liderante e desequilibradora à frente da seleção do seu país se me tornou por demais merecedora de uma revisão das ideias preconceituosas que construíra (sobretudo quando confrontado em paralelo com a vergonhosa passagem de CR7 pelos estádios da América do Norte).
Tal revisão adquiriu razões novas para que a consolidasse através do recentíssimo anúncio pelo próprio Messi da sua retirada da albiceleste em termos de enorme dignidade, sublinhando designadamente que “já não tenho mais para dar” e que “vêm aí miúdos muito bons que merecem estar aqui” numa declaração contrastante com o risível e obsessivo afogueamento do capitão do Al-Nassr na sua busca pelos 1000 golos na carreira (quem sabe se uma convocatória de Jorge Jesus ainda lhe venha a ser determinante para que o sucesso aconteça ao serviço de uma Seleção Nacional onde se arrasta, perturba o fio de jogo e evita a chegada de sucessores mas da qual insiste em não querer colocar a hipótese de abdicar).
Voltando a Messi, junto-me ao coro de pessoas de todas as espécies e lugares que lhe vão agradecendo estes vinte incomparáveis e inesquecíveis anos e aproveito a oportunidade para enviar um abraço a todos os Sonzini Astrudillo que de Buenos Aires nunca deixaram de me alertar com fervor e entusiasmo para as proezas do seu ídolo – ainda por lá deve estar (agora já em uso pelos netos) uma camisola do Messi por mim comprada em Barcelona quando ele dava os primeiros passos de uma carreira que inaugurou no jogo de inauguração do Estádio do Dragão. Curiosidades que não pretendem mais do que personalizar um post enaltecedor.



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