Não estava à espera de aqui regressar com uma insistência tão imediata no tema da Educação. Mas a verdade é que a maldição que se abateu sobre Fernando Alexandre prossegue a bom ritmo, embora tenhamos de sublinhar que muito por força do seu modo de intervir – autodesculpabilizante quando não autoelogioso, inquisitorial quando não acusatório – no espaço público.
Não me justifico pela repetição com base em excertos das primeiras páginas do Público e do CM de hoje (acima), uma relativamente objetiva e outra quiçá verdadeira mas visando o escândalo a partir de casos individuais. Refiro-me aos últimos ditos do ministro, primeiro adiantando que a “evidência científica diz que até aos 30 alunos a qualidade do ensino não sai prejudicada” – concedo que havia que encontrar uma solução expedita para Lisboa mas estranho que os múltiplos arautos do “eduquês” não tenham vindo a terreiro insurgir-se imediatamente contra a falsidade de tal afirmação (só o DN foi ouvir especialistas e chamou a título os célebres “invisíveis” das turmas) – e depois remetendo para os números da imigração (leia-se, para a culpa do governo do PS) e as “matrículas tardias” (assuma-se que se tratará de culpa das escolas) e salientando que os problemas das vagas são anualmente recorrentes.
Há, pois, um padrão que se vai tornando uma imagem de marca de Fernando Alexandre: o de que a verdade dos factos e da ciência está do lado do brilhantismo que se atribui, ele que está ungido por uma poção reformista única que não se compadece com os libelos difamatórios de que é alvo por parte dos agentes do setor e das famílias, bem como de partidos oposicionistas não patrióticos. Sobram cada vez mais as razões para que se sustente como incontestável a necessidade de uma reflexão muito participada sobre as reformas necessárias na Educação.



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