quarta-feira, 4 de novembro de 2026

O QUE SE SEGUIRÁ À HUMILHAÇÃO DO IDIOTA DA ALDEIA?

 

Mais uma noitada em nome dos atrativos da política ou, talvez ainda melhor, em nome do prazer de assistir em direto ao que um pressentimento forte já sugeria. Aproximam-se as três da madrugada e reajo a quente e a minutos de desligar as notícias a caminho de um descanso já merecido, após verificar que os resultados das midterms americanas, estando ainda longe de definitivos, já parecem indicar de modo claro que o meu colega de blogue errou quanto às hipóteses mais provavelmente ajustadas para caraterizar o voto dos americanos: porque nem mesmo a de uma onda gigante parece suficiente para descrever o autêntico tsunami que está a ocorrer com vitórias sucessivas (e algumas bem surpreendentes, até mesmo fora do radar das previsões mais otimistas como o Kansas e a Carolina do Sul) dos candidatos do Partido Democrata.

 

Os nomes que indiciam o que parecia uma difícil possibilidade de renovação dos Democratas no ciclo temporalmente próximo que nos levará até às Presidenciais de 2028 surgem de repente vindos dos mais extraordinários lugares e com uma credibilidade de contornos quase naturais – como visivelmente acontece com Jon Ossoff, vencedor na Georgia e autor de um discurso de consagração muito duro em relação ao “trumpismo” e cheio de expressões de esperança e mobilização, ou com a extraordinária irrupção de James Talarico no Texas de Musk (financiador pornográfico do protegido de Trump) que não elegia um senador não republicano há quase quarenta anos. As duas câmaras que formam o Congresso dos EUA passarão, portanto e sem grande margem para dúvidas, para mãos democratas, sendo as perdas republicanas já comparadas ao refluxo eleitoral decorrente do escândalo de Watergate em 1974.

 

Iremos agora ver se ainda sobrará algum fôlego de resistência e dignidade no interior do partido que Trump capturou por via do seu movimento MAGA e dos bilionários seus “proprietários", o que seria indiscutivelmente muito relevante como forma de suster (ou minimizar) a loucura dos estragos que Trump necessariamente irá inventar e produzir até limites inquietantes de vingança primária. Mas esse é um problema para ser encarado e pensado a partir de amanhã, hoje só pretendo deixar aqui assinalada a enorme satisfação que me invade, a ponto de ter mesmo escolhido uma imagem de tipo não habitual para ilustrar este breve post em festa.

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