Por várias ordens de razões, que agora não vêm ao caso, nutro grande simpatia por Pedro Duarte (PD), o ex-ministro dos Assuntos Parlamentares que abandonou o Governo para se candidatar à sua “cadeira de sonho” na Câmara Municipal do Porto. E até pode acontecer que lá chegue se ocorrerem as melhores conjugações dos astros político-partidários, mas também não é esse o meu ponto hoje. O que pretendo sublinhar neste post tem a ver com a presença de PD no programa de debate político “O Princípio da Incerteza” da CNN, o que sucede desde que faleceu o então titular Miguel Macedo – o pretendido aumento de visibilidade pública parecia uma oportunidade a não desperdiçar por parte de PD, um ator político apenas medianamente conhecido e portanto carente de um bom acréscimo de notoriedade; o problema que se tem vindo a revelar de crescente complexidade e embaraço para PD – quase uma “quadratura do círculo” – decorre do mix explosivo com que se deparou de companhias (Pacheco Pereira e Alexandra Leitão são extraordinariamente consistentes) e conjunturas (a estratégia montenegrista de colagem ao Chega e de teimosa insistência em dossiês dificilmente defensáveis por parte de portuenses moderados e sem partido, das limitações ao reagrupamento familiar de imigrantes à eliminação da Educação Sexual nas escolas e ao não reconhecimento do Estado Palestiniano) que coloca sistematicamente a sua boa-fé (e convicções?), colocando-o em flagrante incapacidade de se manifestar livre e adequadamente e sem que emirjam as contradições associadas às suas lealdades partidárias. Daí que se saúde o facto positivo, para o lado dos interesses de PD, de o programa ir ser suspenso até meados de outubro – ainda assim, PD está a braços com o significativo desafio de mostrar aos portuenses a sua verdadeira face, da essência das suas causas à natureza intrínseca das suas propostas.

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