Com a devida vénia, venho hoje aqui reproduzir os sugestivos gráficos com que Paul Krugman ilustra how miserable we are, reportando-se ao povo americano e às evidências da sua má situação comparada em áreas de forte impacto social – porque, como escreve o economista em subtítulo de uma sua recente crónica do “Substack” (“What happens when americans realize how miserable we are?”), life is about more than GDP.
São quatro os ditos gráficos:
(i) a esperança média de vida, a crescer mas de modo claramente desproporcionado em relação a outros países desenvolvidos (no caso, a França);
(ii) a mortalidade infantil, necessariamente baixa em termos absolutos mas com a China a apresentar já um valor mais baixo;
(iii) a mortalidade em acidentes de viação, em quebra lenta por contraste com a situação observada em França e – pasme-se! – em Portugal;
(iv) o número de homicídios, tradutor daquele que é o maior “cancro” da sociedade norte-americana (a facilidade, ímpar no mundo, de disponibilização generalizada de armas) e, portanto, de dimensão incomparável face à dos países europeus mais ricos.
É realmente espantoso consciencializarmos o estado de relativa “selvajaria” que carateriza o “modelo americano” por referência ao nosso tão criticado “modelo social europeu”, e isso muito para além da ostensividade do mercado e suas leis. Direi apenas que nos deveríamos impor a obrigação periódica de olharmos para as realidades que se apresentam como dominantes mas que visivelmente falham (ou, pelo menos, desempenham pior) em matérias essenciais à vida dos cidadãos.





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