Hoje não é dia para temas muito profundos nem para denúncias de grande alcance. Fico-me por um regresso ao Álvaro que hoje comanda o Banco de Portugal, depois dos recentes mandatos de Carlos Costa e Mário Centeno e de hipóteses de escolhas como a de Ricardo Reis ou Vítor Gaspar. Em outras das vidas do senhor em causa já tivera a oportunidade de aqui explorar algumas das suas idiossincrasias, às quais não voltarei. Até porque o meu convencimento é o de que se trata de um homem de bem que mais não pretende do que tentar dar-se a notar e aproveitar os caminhos que a mediocridade dos decisores assim lhe proporcionam. O caso, que os nossos tolerantes comentadores imediatamente relevaram – porque “tudo está bem quando acaba bem” e o dito até ofereceu a instituições de bem-fazer as mais-valias que obtivera com os seus investimentos bolsistas incompatíveis com o código de conduta do BCE –, é bem demonstrativo do misto de ingenuidade e incompetência funcional que carateriza Álvaro: coitado, ele não sabia que o amável convite que Montenegro e Sarmento lhe fizeram o impedia de realizar transações privadas nos mercados, embora soubesse que o não podia fazer em relação a entidades do setor financeiro; e como somar dois e dois é coisa que tem os seus quês, Álvaro comprou Galp e Jerónimo Martins, mas também Nestlé e Navigator, evidenciando um sentido de avaliação e oportunidade na manipulação do jogo bolsista que não só acrescidamente o qualifica como qualifica também os agentes políticos que com tanta propriedade o selecionaram para um desempenho enquanto governador. Sendo ainda de referir que o que dele mais sobressaiu nestes meses de exercício, para além dos momentos habituais de apresentação de previsões macroeconómicas elaboradas pelos serviços competentes do Banco, foi a polémica que abriu junto do setor da restauração contrapondo às queixas quanto à respetiva situação por parte dos representantes dos empresários a ideia de não se tratar senão de uma “propalada crise”. Em suma: tudo a alinhar-se, comme il faut, na imensa pequenez da mais vulgar banalidade...

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