segunda-feira, 18 de maio de 2026

AS REGIÕES NAS TRÊS GRANDES POTÊNCIAS MUNDIAIS

(Construção própria a partir de https://data.worldbank.org) 

(Construção própria a partir de https://data.worldbank.org)

 

Por ocasião da visita de Trump a Xi, e tendo ouvido Henrique Raposo a explicar-nos na “SIC Notícias” a relação entre o nível de desenvolvimento e o descontentamento eleitoral no Reino Unido com base num gráfico (apresentado como uma descoberta deslumbrante!) contendo os diferenciais de PIB per capita regional no país, decidi-me a ir à procura dos equivalentes gráficos nos EUA e na China (ver acima). Assumindo sem questionar todas as restrições que se colocam à relevância do PIB por habitante na medida do desenvolvimento dos países e regiões (ademais quando se trata de sistemas económicos que não cabem na categoria de economias de mercado convencionais), o que se observa pode ser sintetizado em três notas sumárias: (i) a China situa-se a menos um terço do nível médio americano; (ii) os estados que integram os EUA, e abstraindo do outlier que constitui o Distrito de Columbia, espalham-se entre um máximo de 135,7% para Nova Iorque e um mínimo de 62,4% para o Mississippi; (iii) as regiões da China, por sua vez, apresentam um diferencial de registos que se estende entre um máximo de 75% para Beijing e um mínimo de 17,4% para Gansu, sendo dois os casos de valores máximos em torno de três quartos do nível médio americano – Beijing e Xangai, um único (Jiangsu) a ultrapassar os 50% desse nível médio e surgindo quatro regiões colocadas abaixo de 20% desse mesmo nível.

 

Para se ter uma ideia mais cabal do que os valores acima representam em termos relativos – tomando a nossa realidade europeia por referência –, vejam-se os dois gráficos abaixo, os quais procuram posicionar os estados americanos mais ricos e menos ricos por comparação a regiões europeias com níveis de PIB por habitante equivalentes e, subsequentemente, fazer o mesmo quanto às regiões chinesas mais e menos ricas. Algumas considerações a propósito, começando pela comparação com os EUA e pelas regiões mais ricas: Nova Iorque apresenta valores muito próximos dos da Região-Capital de Bruxelas e sucessivamente tal se verifica entre Massachusetts e a Holanda do Norte, Washington e a Grande Londres, Delaware e Budapeste, Califórnia e Utrecht, Dakota do Norte e Île-de-France ou Connecticut e a Região-Capital de Varsóvia; por seu lado, as regiões mais pobres dos EUA apresentam as seguintes situações europeias similares: Mississippi com Castela-Leão, West Virginia com Provence-Alpes-Côte-d’Azur, Arkansas com a Suécia Central Oriental, Alabama com as Ilhas Baleares, Kentucky com a Toscânia, Oklahoma com Flevoland, Idaho com a Inglaterra do Sudeste e a Carolina do Sul com a Catalunha. 

(Construção própria a partir de https://data.worldbank.org) 

Seguindo a mesma lógica, e no tocante às regiões chinesas, temos a mais rica (Beijing) ao nível da Catalunha, a segunda mais rica (Xangai) ao nível da Dinamarca do Norte e a terceira ao nível da Eslovénia Oriental, estando as mais pobres a níveis apenas comparáveis às igualmente mais pobres da Bulgária. De notar ainda que o valor médio da China se situa entre os das regiões gregas de Aegean do Norte e de Epirus, sendo tal valor significativamente inferior ao da NUT2 portuguesa mais desfavorecida (Península de Setúbal).


(Construção própria a partir de https://data.worldbank.org)

 

Em suma: tudo isto vale o que vale, que é simultaneamente muito em termos indicativos e que pode acabar por ser pouco em termos substantivos. Ficam os dados para informação e melhor análise dos nossos dedicados leitores.

Sem comentários:

Enviar um comentário