quinta-feira, 7 de maio de 2026

JOSÉ PENEDOS

Sei bem que na hora da morte somos todos iguais, mas também não ignoro que na vida nem sempre o fomos ou quisemos ser nessa medida. Vem isto a propósito do falecimento de José Penedos (JP), um importante militante do PS de Coimbra (onde constituiu família, embora sendo natural de Vieira do Minho) que foi secretário de Estado da Indústria e Energia do primeiro governo de António Guterres – momento em que o conheci bem por ser, então, seu colega no ministério que Augusto Mateus comandava – e, depois, da Defesa Nacional e que chegou a ser presidente da REN (Rede Elétrica Nacional), terminando a sua vida de modo algo indigno ao ser condenado a pena de prisão no âmbito do processo “Face Oculta” por favorecimento de empresas do sucateiro Manuel Godinho (a par de Armando Vara e do filho Paulo Penedos). Guardo de JP duas perspetivas com larga dose de contraditório: a de uma pessoa rápida nas perceções, perspicaz no diagnóstico e eficiente na decisão, o que nem sempre se acolha em excesso devido à consabida máxima do “depressa e bem”, e a de uma daquelas pessoas presumidas que reage diferentemente consoante o poder ou o interesse que reconhece ao interlocutor. Ficou-me para sempre gravada a resposta que me deu no dia em que lhe pedi algo em razão da morte do meu avô, mas não será por isso que deixarei de aqui referenciar uma qualidade de JP que integrava os cânones do modo de estar dos homens e dos políticos nos tempos da sua idade ativa: a de um defensor incansável e intransigente dos seus e/ou daqueles que assim considerava (o que lhe poderá ter valido alguns amargos de boca partidários e até de ambição política – foi claramente preterido por Guterres na sua pretensão de ascender a ministro da Economia por queda de Daniel Bessa – e, mesmo, em termos das dinâmicas familiares que se construíram em seu redor). JP terá sido um bom exemplo de alguém que foi feliz à sua maneira enquanto tal foi viável e que fez o currículo possível em função das suas circunstâncias, mas também não deixou de ser um daqueles exemplos ilustrativos de que talvez tivesse valido mais a pena ter encarado a vida com a atitude de humildade a que ela necessariamente acaba por obrigar – que descanse em paz!

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