Agradeço vivamente ao Ricardo Araújo Pereira (RAP) o facto de ter trazido ao meu conhecimento e ao da comunidade nacional as repercussões provenientes da recente presença do primeiro-ministro em Berlim, o que foi justo objeto de críticas furiosas de Paulo Rangel aos critérios da comunicação social existente (“com outros ex-primeiros-ministros, isso abriria telejornais”, afirmou o MNE com RAP a retorquir como consta da infografia abaixo).
Mas a coisa não se ficou por aqui, por este estrito lamento. Com efeito, RAP foi mais longe ao revelar parte do que no dia seguinte Luís Montenegro declarou a uma plateia de militantes do PSD, declarações arrebatadoras e a que importa conceder o devido destaque. Cito: “Nós temos um país que tem um primeiro-ministro – que no caso é este que vos está a falar mas que podia ser outro – que falou para quase 2000 empresários alemães, respondendo eles por uma grande parte do produto interno bruto da Alemanha – que é só a maior economia da Europa –, e foi agraciado com o respeito espontâneo dessa plateia sempre que se falou da situação económica, da situação financeira, do ímpeto transformador, de ser exemplo concreto com reformas concretas daquilo que está a ser feito na Europa, daquilo que se quer fazer a 27 mas que a velocidade a 27 não consegue acompanhar aquela que é suscetível e possível quando somos apenas nós a depender de nós próprios. Isso aconteceu ontem, eu sei que em Portugal não se deu conta disso.”
Encandeado, o espinhense que nos governa não se coibiu de acrescentar ainda algo sobre o führer (futuro) da Europa e, sem despropositadas falsas modéstias, sobre o impacto da sua maravilhosa prestação, que confessou não saber medir mas assegurou ir ser brutal pela certa (fazendo até lembrar aquela frase de Futre sobre os charterscarregados de chineses que por cá iriam aterrar): “Eu não sei dos cerca de 2000 empresários alemães que estavam ontem no encontro em que tive a honra de participar com o chanceler, não tive – não tenho ainda – forma de avaliar o efeito concreto, mas não me admiraria que jovens portugueses pudessem vir a ter oportunidades de emprego fruto da expressão daquela confiança. Não me admiraria que, para além da possível localização de grandes investimentos das empresas que ali estavam representadas e muitas em consórcio que podem vir para cá, eu não sei quantas pequenas e médias empresas, quantas microempresas, quantos trabalhadores individuais vão usufruir dos investimentos que possam ter sido potenciados pela interação que nós estamos a fazer com aqueles que nos veem de fora para dentro com muita confiança, com muita esperança, com respeitabilidade e com credibilidade. Eu não sei medir mas sei dizer-vos: vai haver, está a haver efeitos muito positivos da imagem que nós tempos de Portugal espalhada pela Europa e espalhada pelo mundo. Vai haver mais do que nunca.”
Agora mais a sério: não sei o que passa pela cabeça desta gente, mas é de pura vergonha alheia que se trata do meu ponto de vista e, decerto, do dos portugueses que cumprem os mínimos de respeito por si próprios e pelo país que lhes calhou em sorte. Como é possível que uma conversa desta natureza (acumulando uma tremenda dose de pequenez, autocomiseração e reverência disfarçada por uma presunção apenas pacóvia e faroleira). Tirem-nos deste filme!




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