Hoje abordo aqui uma matéria levezinha: assumido o inglês como a língua universal do mundo de hoje, fui à procura de avaliar o nosso posicionamento num ranking internacional sobre a proficiência dos cidadãos de 123 países (“English Proficiency Index, divulgado pela “Education First”) no uso do referido idioma e, partindo dum princípio de experiência feito que me levava a intuir quanto estamos melhor do que os macarrónicos espanhóis e franceses (por exemplo), de confirmar tal facto e de assim nos posicionar no contexto relativo das chamadas línguas latinas. Vejam-se os resultados sintetizados no mapa e no quadro abaixo.
A confirmação que procurava surge isenta de qualquer dúvida, quer porque Portugal ocupa o 6º lugar mundial em termos de domínio da língua inglesa, cabendo no grupo dos 15 países considerados como detentores de grau muito elevado de proficiência, quer porque, de entre os outros países cujas línguas-mãe são latinas, só a Roménia pertence a este mesmo grupo (embora sendo 11º classificado do ranking), ficando Espanha, França e Itália no grupo dos países de proficiência moderada (ocupando, respetivamente, as 36ª, 38ª e 59ª posições – afinal, parece que os italianos ainda são piores do que os hispânicos e os gauleses). O mapa da Europa abaixo reproduzido é igualmente muito claro sobre onde e com quem estamos (bem acompanhados) na matéria em apreço.
Detalhando a dita proficiência a quatro níveis (leitura, escrita, fala e escuta), o quadro seguinte revela-nos ainda que somos relativamente melhores a ler do que a ouvir, a ouvir do que a escrever e a escrever do que a falar. Por outro lado, os homens surgem como ligeiramente mais capazes do que as mulheres, os jovens de 21 a 25 anos como o grupo etário mais competente e a cidade de Coimbra e a região Centro como aquelas em que a aptidão em causa é maior (revelador que sejam a Galiza e Vigo as correspondentes em Espanha). Por fim, note-se ainda o facto de as nossas faculdades menos salientes (escrita e fala) fazerem com que os romenos nos superem nos sub-indicadores a tal correspondentes.
Deixo as possíveis explicações para os resultados encontrados para os especialistas. Ainda assim, considerei curioso, e de algum modo indiciador, o facto de um paper da NBER (“Movie Subtitles and English Language Acquisition”) concluir que “os países que usam legendas em vez de dobragem nos conteúdos televisivos estrangeiros demonstram proficiência maior em Inglês”. O quadro seguinte (que também integra o score em Matemática, que aqui não explicitarei) ilustra-o cabalmente, tanto mais quanto Portugal e a Roménia são precisamente os países de língua latina que legendam os filmes, ao invés de Espanha, França e Itália que os dobram. Não estamos, obviamente, perante uma elucidação completa e cabal de uma questão complexa e variada em elementos de elucidação, mas a verdade é que temos aqui um raro tópico em que as opções do Estado Novo, mesmo que por más razões de disponibilidade de recursos e de nacionalismos serôdios, parecem ter sido de efeito justo.





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