domingo, 3 de maio de 2026

CAMPEÕES IMPLACÁVEIS!

Agora é definitivo: o FC Porto alcançou o seu 31º título nacional de futebol, nada menos do que o 26º em 52 anos de Democracia. O jogo de ontem no Dragão, contra um Alverca competente e decidido a não facilitar a festa, foi morno e gerido e apenas serviu para cumprir calendário e carimbar os 3 pontos. Quase 50 mil celebraram no estádio, com muitos mais à volta do mesmo assistindo num ecrã gigante ao desenrolar da partida – depois, todos estiveram numa homenagem individualizada ao grupo de trabalho (jogadores, técnicos, staff e dirigentes) que ocorreu no coreto contíguo ao Dragão até altas horas da madrugada.

 

Dito isto, que é o que fica para a posteridade, quero assinalar dois aspetos que entendo potencialmente sintomáticos de alguma mudança em curso: primeiro, o registo de que todos os canais televisivos de notícias e todos os diários (desportivos ou não) informaram devidamente, e com o devido detalhe e a devida chamada de atenção, a conquista do título portista, a maioria assinalando mesmo a justiça assim concretizada – como se impõe mas não foi regra durante anos a fio; segundo, a transformação de Frederico Varandas no “palhaço do circo”, um palhaço rico bem entendido e sobretudo senhor de uma arrogância ridícula, de uma má-criação provocadora e de uma aflitiva falta de consistência – eles têm medo, eles não jogam nada, nada se passa a Norte foram algumas das pérolas dos mindgames primários com que tentou lançar a confusão no seio da famiglia portista (conseguindo que estas bandas já façam dos “lagartos” o seu inimigo principal, a ponto de tolerarem de bom grado as prestações dos “lampiões”) e obter para o Sporting o tricampeonato que prometera aos seus associados, acabando com o rabo entre as pernas a elogiar a inteligência de Farioli (sem deixar de apontar o dedo ao modo de estar de André Villas-Boas) e a deixar a Rui Borges (por ele convocado para um prolongamento contratual) quanto foi imprudente na gestão do plantel, ao contrário do que ele próprio – o inteligente na matéria! – teria feito (citando: “O que lhe disse é que, felizmente, eu não sou treinador. O que é que eu faria? Teria feito [gestão]. Analisando o calendário que havia de Arsenal, Benfica, FC Porto, estamos a falar de três jogos de exigência única em sete dias. Mas vou condenar o meu treinador e os meus jogadores por terem acreditado que poderiam passar às meias-finais da Champions? Eu não o teria feito. Assumo isso. Mas vou condenar?”).


(Henrique Monteiro, http://henricartoon.blogs.sapo.pt)
 

Já sustentei neste espaço que a contratação de Francesco Farioli foi o principal elemento diferenciador do FC Porto 2025/26 – incluindo naturalmente a equipa de trabalho que formou e onde pontuaram nomes como os de Dave Vos, Felipe Sánchez, Lino Godinho, Lucho González, André Castro e Callum Walsh, entre outros – e que esse é um mérito que cabe inteiramente ao presidente André Villas-Boas. Quero hoje, ao jeito de balanço pessoal, acrescentar a este trunfo alguns outros também decisivos: (i) começo pelos constantes e, a meu ver, mais inquestionáveis – refiro-me à gigantesca qualidade de Diogo Costa, à autoridade defensiva de Jan Bednarek e ao sentido tático e energia inesgotável de Viktor Froholdt; (ii) seguem-se os que foram marcantes de modo mais pontual mas muito determinante – seleciono a rara versatilidade todo-o-terreno de Pablo Rosário, o crescimento de Alberto Costa como lateral moderno, as bolas paradas, com pinceladas de classe em campo, de Gabri Veiga e a fineza defensiva de um esteio como Jakub Kiwior; (iii) depois vêm os que já cá estavam e foram recuperados e aproveitados de modo brilhante – destaco o poder de drible e a entrega de William Gomes, a utilidade do ressuscitado Pepê, a segurança de Alan Varela e a sempre promissora presença de um Rodrigo Mora algo desfasado das exigências físicas do plano de jogo de Farioli; (iv) por fim, os que não estiveram sempre mas acabaram por ser fundamentais – sublinho os 13 golos de Samu e o golo de Luuk De Jong em Alvalade (um momento que pode ter sido o de arranque para uma primeira volta imaculada), com a lesão destes dois avançados a deixar a equipa quase sem poder de fogo à frente para a segunda parte da época, e as cirúrgicas contratações de Inverno que trouxeram o agitador da segunda volta (o jovem polaco Oskar Pietuszewski, que marcou um golo muito importante ao Benfica) e o “carregador de piano” que marcou golos cruciais (o costa-marfinense Seko Fofana com os três golos que concretizou contra o Sporting no Dragão, em Braga e nos descontos contra o Famalicão – a que se seguiria o instante mais traumático vivido no estádio nesta season). Termino, não sem escrever outros nomes que tiveram participações mais episódicas mas também contributos a registar: Zaidu, Borja Sainz, Martim Fernandes e Thiago Silva, em especial, mas ainda Deniz Gül, Francisco Moura e Terem Moffi, além do guarda-redes suplente Cláudio Ramos.



E tudo está bem quando acaba bem, sobretudo para as nossas cores. Agora, e antes do Mundial (que vaticino como um previsível flop), cabe aos da Segunda Circular mostrarem o que valem na sua disputa a dois pela presença na Champions do próximo ano.

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