quarta-feira, 6 de maio de 2026

DO ABOMINÁVEL AO DEPLORÁVEL!

Escabrosa a notícia por estes dias divulgada de evidências de tortura – com adicionais e variados requintes de malvadez! – nas esquadras do Rato e do Bairro Alto em Lisboa, pela mão de agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP), incluindo dois chefes. Uma notícia que se segue a outras, menos mediatizadas, com especial destaque para a “Operação Safra Justa” (tráfico de imigrantes) ou para o bárbaro assassinato de um cidadão ucraniano nas instalações do SEF do Aeroporto Humberto Delgado (situação de ofensa grave e qualificada à integridade física que vários testemunhos declararam como alegadamente recorrente). Algo vai muito mal nas forças de Segurança, seja nos critérios de recrutamento, na formação prestada, na atenção e no exercício da hierarquia ou um pouco em cada uma das hipóteses aventadas. Como reagir a isto senão perguntando com firmeza e revolta: como é possível sabermos que coisas desta selvagem e desumana natureza acontecem em plena Capital no Portugal de 2026?

 

Pois a verdade é que o líder da extrema-direita nacional, André Ventura, veio de imediato aproveitar-se dos factos denunciados para demagogicamente se atirar ao ministro da Administração Interna, acusando-o de “fazer gala destas ações contra a polícia em vez de ser o representante da defesa das forças do Estado e de segurança”, por um lado, de “dar a entender que todo o comportamento da polícia é desviante, que os agentes, homens e mulheres na sua maioria, são criminosos ou tendencialmente criminosos, e tiramos-lhes a autoridade”, por outro, e de “desvalorizar a polícia” e de contribuir “para o aumento do sentimento anti polícia que existe em Portugal”, por fim. Acrescentando ainda que tal atitude de Luís Neves corresponde a, “em vez de valorizar a insegurança que se vive todos os dias nas nossas ruas, nas nossas cidades e nas nossas vilas”, “escolher a narrativa dos polícias mal comportados, contra os polícias que devem ter a autoridade de agir, capacidade de agir e ferramentas legais para agir”. Que vergonha eu tenho de pertencer a um povo que se deixa conduzir por discursos oportunistas que exploram argumentos desculpabilizantes dos factos relatados em nome de sórdidas ambições de poder. 

(Henrique Monteiro, http://henricartoon.blogs.sapo.pt)

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