sábado, 9 de maio de 2026

A MAIORIA DOS INGLESES NÃO ESTÁ À ALTURA DO SEU REI!

(cartoon de Ellie Foreman Peck, https://www.economist.com)

As sondagens não deixavam grande margem para dúvidas, com a poll of polls do “Politico” a deixar bem claro o caráter prematuro dos obituários do populismo na Europa que se foram anunciando e publicando após a derrota de Orbán. Porque o facto é que as eleições locais britânicas de há dois dias trouxeram de regresso à tona o irritante demagogo Nigel Farage e o seu “Reform UK”, partido que manifestamente arrasou nos resultados favoráveis obtidos um pouco por toda a ilha (obtendo, ainda com algumas contagens por fechar, um ganho líquido de 1244 eleitos e 12 local councils, contra mais de 1000 lugares e 31 concelhos locais perdidos pelo Partido Trabalhista). O gráfico abaixo traduz a projeção para a escala nacional feita pela BBC da votação havida, evidenciando bem as evoluções verificadas que alguns analistas já qualificam como reveladoras da morte do tradicional bipartidarismo britânico (welcome to the era of five-party politics, escreveu Camilla Cavendish no “Financial Times”).

 

Nesta conformidade, importa ainda sublinhar a significativa emergência dos Verdes e a subida registada pelos Liberais em contraponto às quebras de Trabalhistas e Conservadores (para uma ideia mais cabal da expressão dos grandes movimentos registados pelos maiores partidos, veja-se o quadro mais abaixo; e para uma ideia do que foi a débacle de Keir Starmer, veja-se, com reporte a 1973, a dimensão da recente quebra do número de eleitos pelo Labour nos gráficos subsequentes). Por fim, e dado o facto de também terem ocorrido eleições para os parlamentos escocês e galês, uma nota é devida no sentido de sublinhar a vitória dos partidos nacionalistas (SNP, “Scotland National Party” e “Plaid Cymru”, respetivamente), embora sem que qualquer deles tenha logrado chegar a uma maioria absoluta.

A moral da história é infelizmente cristalina: o primeiro-ministro Keir Starmer, que já estava na berlinda devido a vários incidentes (incluindo o triste caso de Peter Mandelson), tem em risco o poder que conquistou há dois anos com maioria absoluta e já se defronta com pedidos internos de demissão, o que também não favorece a continuidade do seu contributo para a desejável sequência dos grandes dossiês internacionais e europeus. Vida mais difícil, pois, para ele e para todos nós por tabela.

(Rebecca Hendin, https://www.theguardian.com)

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