quinta-feira, 5 de março de 2026

ANTÓNIO LOBO ANTUNES

A primeira notícia que hoje me chegou foi a da morte de António Lobo Antunes (ALA), um monstro da literatura portuguesa e mundial. As referências à sua vida e à sua obra já são abundantes nas redes, o que irá justamente prosseguir na comunicação social e nos mais variados espaços públicos. Uma boa razão para que aqui me limite à homenagem pessoal do cidadão anónimo e me refira apenas a alguns aspetos individualmente marcantes da minha relação com ALA: (i) a memória que retenho vivíssima da leitura do seu primeiro romance (“Memória de Elefante”, 1979), especialmente pela marca forte e inapagável que me deixou para sempre quanto à consciencialização quase interiorizada como própria de quanto terá sido traumática (embora também uma fonte de autoconhecimento e de conhecimento do outro) a passagem por África dos jovens que para lá foram por ocasião da guerra colonial; (ii) o subsequente acompanhamento do trabalho do romancista, desde logo com “Cus de Judas” no mesmo ano e depois a maioria dos seus restantes 32 livros de ficção (confessando que não os li todos, fraqueza que devo reconhecer); (iii) a impressão que me deixaram as suas “Cartas de guerra” (também pela coragem da sua divulgação); (iv) as suas maravilhosas crónicas publicadas durante anos a fio na “Visão” e depois organizadas em cinco imperdíveis “Livro de Crónicas”, onde constam textos que passaram a fazer parte obrigatória da minha rotina de recorrentes revisões da matéria dada para fins múltiplos. Bem haja, António!

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