Já quase nada é suportável no nosso espaço público. E não é apenas o mais importante – a sucessão de incontáveis tropelias, algumas assaz preocupantes e perigosas, que o mundo vai vivendo em termos exponenciais – mas é também o que nos vai sendo desvendado a nível doméstico. Ontem, desabafei aqui quanto ao descocado encontro Marcelo-Montenegro que marcou a saída de cena do Presidente. Hoje, trago-vos o tema da semana, desde que Passos esteve na AEP – eu estive lá (não quererão entrevistar-me?) mas apenas para ouvir Miguel Cadilhe sobre uma reforma do Estado contra o centralismo, o que Passos rejeitou ser o seu caminho de eleição, e Carlos Alves sobre uma necessária reforma fiscal – e ali instou o seu ex-líder de bancada parlamentar a fazer reformas (não disse quais nem explicou como, apenas importa que percebamos que isto assim não pode continuar); pois Passos não mais cessou de abrir e encerrar conferências, fazendo os encantos dos nossos comentaristas de turno e permitindo-lhes especular sem pontas de qualquer evidência sobre o que estará a passar pela cabeça de Passos; Montenegro, precipitado e sempre receoso de que alguma sombra lhe possa retirar os efeitos do Sol, logo mordeu o isco ao vir desafiar o seu ex-líder para um duelo em congresso antecipado para maio. Enfim, tudo isto é certamente fado que se abateu sobre nós, mas sugiro ao leitor, por meras razões medicinais que seja, a compra do “Público” e a consulta da crónica de José Pacheco Pereira (“A sombra de Passos”) que ali é resumida em cento e cinquenta e seis caracteres que dizem tudo quanto pode importar: “Seria bom que Passos desse passos para entrar a todo o vapor na política partidária de uma forma mais transparente do que o alimento cínico do sebastianismo”. O que não vai acontecer porque Passos, agora, quer que dele se fale e que a sua alegada aura possa ser assim alimentada para efeitos do que der e vier. Repito-me: triste fado que se abateu sobre nós!

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