(Uma curta nota para registar, para memória futura, a sequência delirante de decisões e afirmações produzidas no dia 21 de março de 2026 pelo presidente americano Donald Trump. Interpretem como o queiram entender. Mas é um registo de factos anunciados na imprensa ou nas redes sociais, com um calendário preciso para dar bem conta da vertigem em que a administração americana está mergulhada. A fonte tem origem fiável no substack de Bradford DeLong.)
“Março 19-21: Deus é um comediante: ‘De acordo com a insistência da imprensa na sexta-feira. Pouco exagerado: às 12.03 da tarde, o Presidente Trump comunica aos repórteres que queria um cessar-fogo com o Irão. Às 12.05 declarou vitória. Às 12.07 anunciou que tinha enviado marines para o terreno. Às 12.08 referiu que não haveria tropas no terreno. Às 12.11 disse que não queria um cessar-fogo. Às 12.16 declarou de novo vitória. Às 12.17 pediu de novo um cessar-fogo. Às 12.33 disse que os membros da NATO eram uns cobardes. Às 12.29 disse que o Irão estava a pedir um cessar-fogo. Às 12.31 disse que estava tudo perfeito. Às 12.36 disse que o petróleo a 500 dólares era uma coisa boa. ÀS 12.37 exigiu ao Irão que abrisse o estreito de Hormuz. Às 12.39 disse que o estreito nunca esteve fechado. Às 12.41 disse que os EUA não estavam em Guerra com o Irão. Às 12.42 declarou vitória em relação ao Irão. Pelas 3.43 da tarde, disse à CBS que não queria um cessar-fogo. Às 5.13 da tarde, treze minutos depois dos mercados de futuros terem fechado para o fim de semana, numa coincidência que deveria ser estudada em qualquer manual sobre fraudes no mercado de “securities” – colocou um post no Truth Social, afirmando que os “EUA estavam muito perto de atingir os seus objetivos, podendo assim desacelerar os esforços militares”. O índice do S&P inverteu o andamento em mais de 1% em segundos. O índice QQQ já tinha aumentado 1,1% 80 minutos antes do anúncio, com as operações a fluir a um ritmo tal, que sugerem que alguém, algures, tinha previamente um roteiro para aplicar”.
Ufa, estou cansado com tanta vertigem delirante.
Impõe-se uma pausa para café e recuperar o fôlego.

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