domingo, 8 de março de 2026

DIA DA MULHER FOI DIA DA MÃE

Este Dia Internacional da Mulher, de celebração sempre indiscutível por muitas e boas razões (incluindo o facto de estarem a vir ao de cima riscos relevantes de regressão de direitos), foi especial para o meu lado. Com efeito, e por iniciativa da Direção do Clube Fenianos Portuenses, a minha mãe há pouco falecida foi homenageada com a atribuição do seu nome à Biblioteca do Clube, onde ela trabalhou pro bono durante anos.

 

Sendo obviamente suspeito, não deixo de entender que foi justa a decisão do Vítor Tito e seus pares –à qual eu e os meus irmãos correspondemos com a oferta do diversificado espólio de livros da Mãe –, ademais concretizada no quadro do criativo programa aberto e de dia inteiro de que abaixo dou conta. Andei por lá durante parte do dia e ouvi várias intervenções interessantes e elucidativas, quer sobre o que vai sendo o quotidiano feminino em algumas das zonas de conflito bélico em curso (Ucrânia e Irão, em especial), quer protagonizadas por mulheres nacionais com conhecimento e provas dadas na matéria (Fernanda Rodrigues, Ana Catarina Mendes e Fátima Vieira, designadamente). Muito curiosa também a belíssima exposição de “Marias – PaperDolls” que Cláudia Oliveira inaugurou na ocasião.

 

Ainda há alguma sociedade civil que mexe num Porto em que, como em grande parte do País, as elites estão adormecidas, para não dizer paralisadas e doentiamente autocentradas. Os “Fenianos” são disso uma ilustração cabal – e não é apenas pela celebração de hoje, antes principalmente pelo modo como por lá se apoiaram grupos culturais existentes, se estimulou o empreendedorismo cultural, se acolheram mulheres imigrantes, se fomentou o diálogo intercultural (monitoras russas de pintura para crianças ucranianas ou vice-versa em termos de aulas de dança), entre várias outras atividades fervilhantes que ocorrem diariamente no local.

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