segunda-feira, 30 de março de 2026

DO PATRIOTISMO ECONÓMICO

Não vai há muito tempo que em Portugal se discutia fervorosamente a necessidade e importância de um “patriotismo económico”, onde a salvaguarda de centros de decisão nacionais era tida como condição não negligenciável de afirmação e sustentação da nossa economia. Hoje, de acordo com um quadro publicado no último “Expresso”, 70% dos dividendos das empresas cotadas – que em 2025 bateram um recorde, atingindo 3015 mil milhões de euros – já não ficam por cá e países de duvidosa credibilidade estratégica (como a China, através da EDP, da REN e da Mota-Engil, e Angola, através do BCP e da GALP) recebem de volta, respetivamente, mais de dois terços e um terço do que cabe aos acionistas portugueses, enquanto um valor próximo deste acaba taxado num paraíso fiscal permissivo como são os Países Baixos (onde, designadamente, a Jerónimo Martins e a Amorim Energia fazem o seu planeamento fiscal). “O capital não tem pátria”, é bem verdade que são essas as regras do sistema, embora também o seja que alguns capitalistas talvez devessem ser menos gananciosos!

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