segunda-feira, 2 de março de 2026

MOURÃO RIPOSTA

Confesso que não conhecia nada de Mário Mourão (MM), o atual secretário-geral da UGT, e que não tinha por isso uma ideia muito definida e positiva sobre a personagem. A verdade é que MM me tem surpreendido pela positiva, designadamente pela forma inteligente como enfrentou a arrogância governamental a propósito de uma reforma laboral inesperadamente produzida e contando com o alto patrocínio da CIP. Neste quadro, a verdade é que a UGT foi parte de uma greve geral unitária como de há muito não ocorria em Portugal e prossegue concentrada numa linha de defesa de uma visão própria sobre os interesses dos trabalhadores, por discutível que esta possa ser (e só o é em parte dos assuntos que desalinham a UGT da proposta do executivo e acolhida com aplausos pelas entidades patronais).

 

E é precisamente esse mesmo foco de firmeza e frontalidade que MM exibe na sua entrevista ao “Expresso” do último fim de semana em que responde à letra à de Armindo Monteiro (aqui comentada num post de final do mês passado) – não evita sequer uma referência crítica à operação em negociação entre o Governo e a Confederação Empresarial de Portugal (CIP)segundo a qual o Palácio do Manteigueiro, na Rua da Horta Seca, no coração do Chiado, será cedido mediante condições estranhamente desconhecidas para nova localização da confederação patronal (anúncio do ministro Castro Almeida durante as comemorações dos seus 50 anos) e desenvolvimento de atividades de formação para empresas – um negócio que levanta como principal suspeita a falta de transparência em torno dele, seja em matéria de conteúdo qualitativo, de números envolvidos ou de contrapartidas publicamente obtidas.

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