segunda-feira, 6 de julho de 2026

CINCO EVIDÊNCIAS INDIVIDUAIS DO MUNDIAL

(Agustin Sciammarella, http://elpais.com) 

Recupero abaixo os cinco gráficos que o excelente profissional Kiko Llaneras nos apresenta no “El País”, com reporte à primeira fase do Mundial de Futebol que passará à posteridade como o da afirmação da dignidade de um país de língua oficial portuguesa (acima, uma caricatura do seu capitão de equipa Vozinha). Cada um desses gráficos elege um tópico de análise e procura encontrar os jogadores que mais se destacaram de acordo com os dados disponíveis a respeito dele. Os cinco nomes a registar são, então, os de Mbappé, Messi, Olise, Pedri e Hakimi.

 

O primeiro tópico corresponde à produção atacante e o gráfico cruza as contribuições de cada jogador (golos e assistências), no eixo das ordenadas, com o que seria expectável em função das ocasiões criadas (golos e assistências esperados), no eixo das abcissas. O destaque centra-se claramente no francês Mbappé, sem prejuízo dos números observados em vários outros atletas de nomeada (dos mais repentinos, entre o francês Dembélé, o suíço Manzambi e o inglês Kane, aos mais construtores, entre o norueguês Haaland, o senegalês Sarr, o brasileiro Vinicius Junior e o espanhol Oyarzabal, com Messi e Olise a evidenciarem um bom mix das duas dimensões).

(Kiko Llaneras, https://elpais.com) 

O segundo tópico tem a ver com eficiência e relaciona os golos e assistências com os quilómetros percorridos em cada jogo. Aqui o destaque é lapidar ao distinguir Messi de todos os outros (os seus menos de 7 quilómetros em média por jogo ilustram quanto ele “arrasa sem correr”, fruto daquele pé esquerdo único que o consagrou). Veja-se, curiosamente, que Cristiano Ronaldo também é poupado nos seus esforços em campo ((embora menos do que Messi) mas não logra ficar sequer perto dos resultados do seu rival de sempre. Em sentido contrário, o francês Olise surge como um dos que mais corre (11 quilómetros, em média) com proveito significativo em termos de concretização.

(Kiko Llaneras, https://elpais.com)

O terceiro tópico centra-se nas assistências e nos passes em profundidade, colocando novamente Olise em saliência muito nítida nas duas dimensões em questão e assim tornado o melhor passador do torneio; muito diferenciadamente, o equatoriano Caicedo e o belga Trossard revelam-se bons passadores à distância mas pouco fortes em assistências, enquanto o brasileiro Bruno Guimarães e o alemão Wirtz mostram bons números em assistências mas mais escassa visão em profundidade.

(Kiko Llaneras, https://elpais.com)

O quarto tópico privilegia a dinâmica em jogo, combinando a criação (ameaça gerada por passes ou conduções de bola) com os “roubos forçados”. Neste quadro, é o espanhol Pedri, no gráfico anterior apresentado como um dos detentores de mais percurso quilométrico em campo, que emerge largamente distanciado de todos os restantes referenciados (uns mais especializados na criação, como o espanhol Baena, o nosso canadiano Eustáquio, o alemão Wirtz e o francês Olise e outros mais vocacionados para a destruição, como o equatoriano Yeboah, o brasileiro Bruno Guimarães ou o alemão Kimmich).

(Kiko Llaneras, https://elpais.com)

O quinto e último tópico avalia a capacidade atacante dos defesas, relacionando a profundidade das suas progressões com os golos e assistências esperados. Aqui é o marroquino Hakimi que se mostra significativamente à frente (sem prejuízo dos registos interessantes em termos de progressões do espanhol Cucurella, do nosso Nuno Mendes e do belga De Cuyper, este o mais próximo de Hakimi em matéria de equilíbrios observados, enquanto o argelino Ait-Nouri progride muito mas não gera expectativas de resultados).

(Kiko Llaneras, https://elpais.com)

Entretanto, o campeonato prossegue em bom ritmo a caminho dos Quartos-de-Final – grande qualidade da maioria das equipas e executantes, partidas bem disputadas técnica e taticamente e largamente emocionantes, arbitragens merecedoras de aplauso, estádios cheios e públicos entusiastas (a originalidade das coreografias norueguesas tem marcado pontos) mas de alardes genericamente moderados. O pior de tudo têm sido as paragens para hidratação (embora algumas possam ser compreensíveis face às ondas de calor em presença), as manobras de diversão do inclassificável selecionador português e algumas eliminações injustas, aqui com destaque maior para os nossos irmãos cabo-verdianos e também significativo para o Japão (diante do Brasil), o Senegal (diante da Bélgica) e o Congo (diante da Inglaterra). Quanto ao vencedor, teremos de esperar pelo final dos jogos que ainda faltam mas a minha aposta de hoje prevalece a mesma do início: uma final de desfecho imprevisível entre a França e a Noruega, com favoritismo para a primeira.

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