(Ricardo Martínez, http://www.elmundo.es)
Realizou-se na passada semana, em Istambul, uma importante Cimeira da NATO. Um Erdoğan visivelmente diminuído fez as honras da casa e procurou enquadrar o voluntarioso presidente americano. De facto, Trump consegue sempre, onde quer que esteja, chamar sobre si as atenções, por muito infantis ou imbecis que sejam as suas posturas e declarações – desta vez, entrou a criticar e depreciar brutalmente os líderes europeus para, depois de estes o terem bajulado de forma por vezes pornográfica, acabar contente e a louvar o amor que todos lhe demonstram.
Neste quadro, a reunião que parecia visar a abertura de uma nova fase da Organização (chamam-lhe NATO 3.0), especialmente orientada para uma estrutura menos dependente dos americanos (ou mais europeia, se se quiser), saldou-se por ligeiros avanços e muito mais por um ganhar de tempo dos responsáveis dos países europeus e da União, que insistem em ir adiando até onde puderem as decisões difíceis que tardam mas lhes são exigíveis.
No meio deste estado de coisas, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, insiste em evidenciar à saciedade o seu enorme temor a Trump através de uma chocante necessidade de se rir com ele, de lhe mostrar aprovação de quanto diga e de sempre fazer o devido eco de tudo o que ele proponha ou determine – Rutte é, assim, um “lambe-botas” encartado que manifestamente não representa os cidadãos europeus, para não referir mais direta e frontalmente que envergonha a maioria deles. Assistimos assim, e mesmo sabendo-se que as cartas principais do jogo estão na mão de Trump, à enésima oportunidade perdida para o colocar no seu lugar ou, pelo menos, para lhe fazer sentir o despeito que nos merece.

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