(Ella Baron, https://www.theguardian.com)
Dia um de Andy Burnham (AB) como primeiro-ministro britânico. Um discurso breve de apenas sete minutos em que não detalhou prioridades mas apenas procurou evidenciar o simbolismo de um posicionamento que parece advogar de um líder menos politicamente formal (menos ideologicamente determinado) e mais driven por uma atenção preponderante ao quotidiano dos cidadãos (care of people).
Chris Smith (“Financial Times”) identificou nele cinco tópicos principais: uma primeira tarefa traduzida em fazer cessar a instabilidade política (turmoil, disse); de seguida, promete a mudança (as maiores dos últimos 40 anos, disse) e exemplifica com a reversão do esvaziamento do poder local (people feel powerless because decisions are made far away,numa referência já habitual aos left behind) e da privatização das utilities mas não abandona uma incursão na indesejável desindustrialização da sua Inglaterra do Norte; prossegue com a descentralização do poder como via para relançar as regiões em dificuldades com foco em áreas como a energia, os transportes, o ambiente ou as qualificações (prometendo políticas, entre de concorrência e fiscais, que contribuirão igualmente para aliviar o custo de vida) e a fazer assentar num plano a 10 anos que se comprometeu a apresentar a breve trecho; insiste no seu conceito de “Estado preventivo” (também porque preventative” public spending will truly end up cutting costs in the long run) para sublinhar as suas prioridades reformistas em matéria de bem-estar e segurança social em implícito detrimento da centralidade das regras orçamentais e da despesa em defesa; acaba com a ideia de uma instrução que produzirá desde o início (to end rough sleeping in our country) e com um apelo a um novo sentido de unidade nacional, de comunidade de propósitos e de positividade. Do novo Governo, também hoje designado, saliência para dois nomes: Ed Miliband nos Negócios Estrangeiros (um ex-líder do Labour quando bateu o seu irmão David em 2010) e Wes Streeting (que se demitiu da Saúde e chegou a ser apontado como sucessor de Starmer) na Defesa.
Em resumo: os mais incrédulos (e conhecedores?) terão encontrado nas palavras de AB algo entre a inocência da boa-vontade e a incontornável demagogia da política, eu li-as com alguma dose de esperança de que possa ter finalmente emergido um comando normal e competente para um país que se arrasta em contradições e manifestações de declínio (sobretudo depois da consciencialização do engano cada vez mais consensualmente reconhecido do Brexit – gráfico e imagem abaixo) e que não estará longe de ver chegar ao poder, caso não seja invertida a rota em curso (sondagens favoráveis ao Reform UK de Nigel Farage, apesar de uma ligeira quebra após a revelação de um escândalo que o obrigou a demissão parlamentar), a extrema-direita mais traiçoeira, mentirosa e corrupta da Europa.
(Jonathan McHugh, https://www.ft.com)





Sem comentários:
Enviar um comentário