Acaba de acabar em Toronto, neste exato momento, o Portugal-Croácia dos dezasseis avos de final do Campeonato do Mundo de Futebol. Após uma primeira parte dominadora, a nossa seleção passou por enormes aflições numa segunda parte em que os croatas se tiraram das suas tamancas e chegaram a situações de jogo que nos teriam sido fatais não fora a enorme presença na baliza de um salvífico Diogo Costa. Foram também as boas decisões de Roberto Martinez a partir do banco – coisa rara nestes seus anos de selecionador – que garantiram a continuidade em prova de Portugal, quer pela audácia das quatro substituições aos 62 minutos (sobretudo no tocante à retirada de Bruno Fernandes e Vitinha) quer pela perceção do desequilíbrio que afetava o meio-campo nacional (praticamente reduzido a João Neves e Bernardo Silva) e consequente substituição “corajosa” de Cristiano Ronaldo por Rúben Neves aos 81.
Além dos off-sides milimétricos assinalados a um e outro lado – manda a justiça que se diga que o de CR7 teria correspondido a uma concretização tecnicamente louvável, pela receção da bola e pela elegância do toque para a baliza – e dos remates falhados ou das bolas à trave e aos postes, foram os momentos finais do jogo que o consagraram como um dos mais emotivos de sempre: primeiro, pela grande penalidade sobre Renato Veiga – não lhe chamarei duvidosa mas um clássico de área nem sempre apontado pelos árbitros – e pela classe da sua execução por parte de CR7, relançando a dúvida sobre o desfecho da partida; depois, pela excelência do cabeceamento de Gonçalo Ramos a um centro perfeito de Rafael Leão – mostrando que a presença de um ponta-de-lança em boa condição física na grande área é quase sempre determinante –, indiciando que a vitória portuguesa estava no bolso na sequência daquele quarto minuto de tempo extra; por fim, pelo golpe de teatro que surgiu aos 13 minutos desse período extra – o árbitro concedera 10 – com um golo de Gvardiol que fez explodir o estádio por parte das hostes croatas mas para o qual o VAR alertou o árbitro para alegada irregularidade – não a dos claros foras-de-jogo do autor da assistência (Pasalic) e do autor do golo mas sim a de um eventual toque de cabeça de Matanovic que tivesse levado a bola a sobrar para aquele após embater nas costas de Renato Veiga (o que configura um ressalto e não um passe deliberado, logo uma situação legal) –, levando o juiz de campo norueguês Espen Eskas ao ecrã e a observar repetidamente os mais diversos frames disponíveis para se resolver a anular o golo através da preciosa informação proveniente da infalível tecnologia da bola (que confirmou a existência de um leve toque). E assim se desenrolou esta história que colocou a seleção portuguesa nos Oitavos, reabilitando pelos mínimos o espanhol que a dirige, fazendo história pelo facto de CR7 ter deixado de se impor como um forçoso totalista e justificando uma nota de apreço ao árbitro – que só se excedeu nos 19 minutos que concedeu a mais ao jogo mas esteve ao nível da magnífica qualidade das arbitragens a que temos assistido neste Mundial – e, em especial, ao VAR australiano com carreira na Premier League Jarred Gillett (na foto que abre este post) sem o qual não teria seguramente havido aquele penálti a nosso favor e teríamos certamente sido confrontados com um empate a 2 que nos conduziria a um prolongamento de resultado mais do que incerto face ao andar da carruagem.
Venha agora a Espanha para um duelo que se espera interessante e condignamente disputado pelos representantes e responsáveis das cores lusas, nem sempre especialmente inspirados nestes quatro encontros já disputados, e que se deseja possa desembocar no resultado positivo de um apuramento que o enquadramento conhecido e a razoabilidade lógica não sugerem.



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