sexta-feira, 17 de julho de 2026

RETALHOS LUSITANOS

 

A sondagem do Cesop (Universidade Católica), divulgada pelo “Público”, é elucidativa do estado de transtorno e paralisia que grassa na sociedade portuguesa: só 12% dos inquiridos entendem que o país está melhor do que há um ano mas 79% dos ditos consideram que o melhor para o país seria que o Governo cumprisse o seu mandato até ao fim (apesar de as últimas sondagens partidárias indicarem também que o PS comanda as intenções de voto e a AD ocupa o terceiro lugar ou disputa o segundo com o Chega). Bloqueados estamos, portanto, visivelmente incapazes de percecionar alguma saída política minimamente confortável e confiável.
 
Se olharmos em volta, os indícios desta desorientação são de toda a ordem. Junto de seguida alguns: o primeiro-ministro a correr desesperadamente atrás dos fundos europeus e da execução do PRR e a contar aos seus concidadãos uma fábula em torno da nossa obrigação de cada vez mais não dependermos de fundos europeus; o “patrão dos patrões” a pedir um “sobressalto da nação produtiva” em prol de uma interesseira e mais do que discutível reforma laboral; os serviços públicos a darem sinais de deslaçamento, umas vezes na Saúde, outras na Educação, outras na Mobilidade, outras ainda nos recursos básicos (como a falta de água em Almada); os imigrantes a surgirem recorrentemente como os grandes culpados de todo o mal que nos atinge, mesmo quando se regista com clareza a sua importância para a estabilidade da Segurança Social – e para o funcionamento do País num número crescente de setores e regiões, sem prejuízo das chamadas “portas abertas” que o Governo de António Costa irresponsavelmente patrocinou.

(cartoon de Luís Afonso, “Bartoon”, https://www.publico.pt)

 

A tudo isto não será ainda alheio o facto das nossas qualificações. Sim, enchemos a boca com a geração mais preparada de sempre mas não valorizamos seriamente, como devíamos, a presença entre nós de 36,3% da população em idade ativa sem ensino secundário, dito de outra maneira, de pessoas que mais não são capazes de compreender do que textos simples e matemática básica. E quando assim é, não há milagres que nos salvem de uma apagada e vil tristeza...

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