O Prémio Nobel da Economia Paul Krugman, frequentemente aqui objeto de referência, continua a comentar, a escrever, a entrevistar numa atividade quase arrepiantemente frenética e de enorme utilidade pela sua veia ativamente intervencionista na política americana e nos grandes temas que marcam a atualidade mundial (incluindo incursões relevantes em sede de Inteligência Artificial) – que a energia não lhe esmoreça, a mão não lhe doa e Deus o conserve!
O mais recente dos seus escritos que me passou pelas mãos diz respeito a mais uma “trumpice” protecionista (dadas as circunstâncias das suas guerras e respetivos custos, talvez até se trate mais de tentativas de colmatar os buracos orçamentais que não cessam de se manifestar – veja-se o gráfico abaixo), concretamente, o anúncio por parte de Donald de ir aplicar um aumento alargado de tarifas ao vizinho Canadá alegando práticas desleais (invasion of wildfire smoke). Krugman reagiu do seguinte modo: “O Canadá devia ser, e costumava ser, o mais amigo americano no mundo. Partilhamos valores políticos e morais essenciais com o mosso vizinho nortenho. Na sua maior parte, até partilhamos uma língua comum, eh? E os canadianos viam-nos muito favoravelmente até que Trump começou com as suas tarifas e ameaças. Agora, somos vistos menos favoravelmente do que a China.” Afirmação que remete para o gráfico acima, por demais esclarecedor dessa viragem absolutamente contranatura ocorrida em tão escasso período de três anos.
As autoridades canadianas, designadamente Mark Carney e o governador provincial do Ontário Doug Ford, fazem bem, portanto, em mostrar cara feia às diatribes de Trump (que, além das taxas aduaneiras discriminadoras que vem aplicando – veja-se o gráfico abaixo, que exclui a tresloucada especificidade da China para não distorcer a análise – e também resiste muito abertamente a qualquer renovação de um acordo estrutural de comércio com os seus vizinhos a norte e a sul) e em argumentar em favor da autonomia do país e da correspondente necessidade de abordagens de tipo novo como a que promissoramente assenta nos chamados middle-powers.
(cartoon de Ann Kiernan, https://www.ft.com)





Sem comentários:
Enviar um comentário