sexta-feira, 31 de julho de 2026

A INVASÃO PACÍFICA DE CEUTA

O cenário não é de todo inédito mas resulta sempre chocante e um manifesto sinal de impotência por parte dos países recetores (mais ricos e, portanto, mais capazes de alimentarem sonhos de trabalho e melhor vida, cada vez menos concretizáveis, nas populações dos países pobres). Ontem foi novamente em Ceuta, território espanhol no continente africano, para onde cerca de 50 mil marroquinos (largos milhares a nado, com 27 a sucumbirem na travessia) tentaram passar em cerca de 24 horas. As imagens são confrangedoras, por um lado, e ternurentas, por outro.
 
Por muito que as autoridades (espanholas e/ou europeias) denunciem a irregularidade da violação da integridade territorial do Reino de Espanha, que a Itália (já seguida pela Finlândia) decidam excluir o país ibérico do espaço de Schengen e que a França (e outros que se lhe seguirão) venham a reforçar o respetivo controlo de fronteiras, o certo é que estamos perante um fenómeno incontrolável e que tenderá a ganhar mais expressão por muito reprimido que possa ser e por muitos riscos que envolva – porque as aspirações humanas, individuais e coletivas, têm uma força de tal forma avassaladora que prevalecerá inevitavelmente sobre os populismos totalitários, os egoísmos nacionalistas e os discursos de ódio – só a diplomacia e ententes abertamente negociadas entre as diversas partes permitirá, portanto, a resultante de algum equilíbrio e contenção mutuamente satisfatória em matéria de tremenda complexidade e exigência. Et quand-même...


 

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