quarta-feira, 29 de julho de 2026

AS INFANTIS DIABRURAS DE ANDRÉ CLARO

Deparamo-nos ontem com mais um insólito caso desta nossa estranha Democracia, o da alegada vandalização do gabinete de André Ventura na Assembleia da República. O “Público” sintetiza bem os factos realmente observados: “a porta que Ventura deixou aberta, a empregada e o deputado madrugador”. Mas os demais órgãos de informação lida, ouvida ou vista adiantaram bastante mais e o “Now” até dedicou ao chefe do Chega um longo tempo de antena para que ele ali explicasse tudo de quanto de queixava – e era muito, especialmente que dali tinham sido retirados documentos relevantes relativos à comissão parlamentar de inquérito que anunciara ir suscitar a propósito de Luís Neves e outros relacionados com Luís Montenegro.
 
André Claro não chegou a acusar a senhora da limpeza, que poderá estar ao serviço de forças insondáveis de qualquer proveniência política mas também ser uma avençada da Judiciária desde os tempos de Neves, nem o seu correligionário madeirense (Francisco Gomes), que poderá estar simplesmente desgostado pelo facto de o seu líder não cobrir os “dois carrinhos” em que vem circulando simultaneamente (as viagens para casa pagas pelo Parlamento e o recebimento de um subsídio social de mobilidade). Há dois fortes suspeitos, portanto, que o chegano-mor preferiu desconsiderar, embora consequentemente pouco espaço e matéria lhe sobre para qualquer outra acusação credível, mesmo aos olhos do cidadão comum e crescentemente desconfiado das prodigiosas e pasmáveis possibilidades de ocorrências bizarras neste “lindo torrão lusitano”.
 
Por outro lado, o primeiro-ministro, sempre pronto a abraçar as manobras de diversão que se lhe oferecerem para devido desvio das atenções face aos casos que se manifestam (na Saúde, no Trabalho, na Educação e na Administração Interna), logo veio mostrar a sua indignação perante o sucedido (?), qualificando-o de “inconcebível numa democracia madura como é a democracia portuguesa” e exigindo um trabalho de investigação “rápido e conclusivo” por forma a que “possamos erradicar qualquer tentação mais extremista em termos de ataque aos esteios do sistema democrático e ao respeito daqueles que representam a vontade política do povo português” – quase um discurso de Estado, pois, para algo que poucos duvidam não mais se tratar do que de uma mera inventona para alimentar os ambiciosos e desmedidos delírios de poder do rapaz de Algueirão.


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